CCJ adia novamente votação da proposta que altera maioridade penal no Brasil
09 JUN

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Política
Thiago Ferreira Martins Por Thiago Ferreira Martins - Há 1 dia
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou a votação da proposta que busca reduzir a maioridade penal no Brasil para 16 anos. O adiamento ocorreu nesta terça-feira (9) devido ao início de outras votações no plenário da Casa, o que impediu a continuidade da discussão sobre o tema. A expectativa é que a votação retorne à pauta da comissão na quarta-feira (10), às 10h.

A proposta, conhecida como PEC (Proposta de Emenda à Constituição), é apoiada pela oposição, mas enfrenta resistência por parte da base governista. O relator da proposta, deputado Coronel Assis (PL-MT), manifestou-se a favor da redução da maioridade, enquanto a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) apresentou um voto em separado pedindo a rejeição da proposta.

Vale ressaltar que a CCJ está analisando três PECs que tramitam de forma conjunta. A proposta mais antiga é de 2015, e as outras duas foram apresentadas neste ano. O relator votou a favor da admissibilidade das três matérias, mas propôs alterações em uma delas para retirar a obrigatoriedade do voto para maiores de 16 anos, mantendo o voto facultativo entre 16 e 18 anos.

O texto original da PEC mais antiga também previa a redução das idades mínimas para elegibilidade em cargos eletivos. O relator considerou que as questões sobre direitos políticos eram “matéria estranha” e decidiu suprimir esses trechos da proposta. Além disso, uma emenda proposta pelo relator retirou a expressão que garantiu a maioridade aos 16 anos para “atos da vida civil”, como casamento e assinatura de contratos.

É importante destacar que a CCJ tem a função de analisar a admissibilidade da proposta, ou seja, verificar se o texto respeita as normas constitucionais. Embora não analise o mérito da proposta, o relator se referiu às sugestões feitas como "emendas saneadoras" para corrigir o texto. Com as modificações, a proposta agora estabelece que a maioridade é atingida aos dezesseis anos, a partir da qual a pessoa é considerada penalmente imputável.

Em relação às duas propostas mais recentes que estão tramitando em conjunto, o relator não sugeriu alterações. Uma delas prevê a responsabilização penal de menores de 18 anos em casos de crimes hediondos ou maus-tratos extremos contra pessoas e animais. A outra estabelece a responsabilização a partir dos 12 anos para adolescentes que cometerem crimes com violência ou grave ameaça.

Para tentar postergar a votação, membros da base governista apresentaram questões de ordem que questionam os procedimentos da comissão, além de requerimentos para retirada de pauta.

A redução da maioridade penal já foi incluída anteriormente no texto da PEC da Segurança Pública, que foi aprovada pela Câmara em março. No entanto, o tema gerou impasse e foi retirado da proposta para ser tratado de maneira específica, após um acordo entre o governo e líderes partidários.

Os defensores da redução da maioridade penal argumentam que a responsabilização penal de adolescentes infratores pode desestimular práticas criminosas. Por outro lado, os integrantes da base governista afirmam que essa medida pode sobrecarregar o sistema carcerário e não trará efeitos práticos significativos na melhoria da segurança pública.

Além disso, a proposta é vista por alguns aliados do governo como uma estratégia da oposição para desviar a atenção de problemas enfrentados pelo pré-candidato à presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), após a divulgação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Uma pesquisa realizada pelo Real Time Big Data e divulgada em março aponta que a maioria da população brasileira é favorável à redução da maioridade penal para 16 anos. Segundo o levantamento, 90% dos entrevistados apoiam a medida, enquanto apenas 8% são contra e 2% não souberam responder.


Desta forma, a alteração da maioridade penal é um tema que gera intensos debates na sociedade brasileira. A proposta, que visa reduzir a maioridade para 16 anos, reflete preocupações com a segurança pública, mas também levanta questões sobre a eficácia de tais medidas. É fundamental que a discussão no Congresso seja pautada por dados concretos e estudos que analisem os impactos dessa mudança.

É importante considerar que a responsabilização penal de adolescentes pode ter consequências sérias, tanto para os jovens quanto para o sistema judiciário. O aumento do encarceramento de menores pode não resultar em uma diminuição da criminalidade, como muitos argumentam. Portanto, é essencial que as decisões sejam tomadas com responsabilidade e embasamento técnico.

Além disso, a proposta de redução da maioridade penal pode ser vista como uma resposta a um clamor popular por segurança, mas é crucial que o debate não se restrinja a soluções simplistas. A construção de políticas públicas efetivas requer uma análise mais ampla dos fatores que levam à criminalidade juvenil.

Finalmente, a sociedade precisa estar atenta ao processo legislativo, pois as mudanças nas leis impactam diretamente a vida de muitos jovens. A discussão sobre a maioridade penal deve ser feita de forma transparente e inclusiva, envolvendo todos os setores da sociedade, para que se chegue a um consenso que realmente beneficie a população.

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Thiago Ferreira Martins

Sobre Thiago Ferreira Martins

Especialista em Comunicação Política com pós-graduação em Gestão de Crise. Atua em consultorias de imagem institucional. Paixão por retórica e persuasão. Seu hobby relaxante favorito é a pesca esportiva de rio.