Cidade do México enfrenta desafios e celebrações antes da abertura da Copa do Mundo
10 JUN

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Esportes
Felipe Cavalcanti D'Ávila Por Felipe Cavalcanti D'Ávila - Há 1 hora
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A Cidade do México se prepara para a abertura da Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá no Estádio Azteca nesta quinta-feira, 11 de agosto, entre as seleções do México e da África do Sul. Enquanto a cidade se enche de festividades e expectativa, uma série de problemas estruturais e sociais tornam o clima tenso. Obras em várias das principais vias e no próprio estádio, além de um grande movimento de manifestações, têm criado um cenário de caos.

O Estádio Azteca, que se tornará o primeiro a receber três edições da Copa do Mundo, ainda está em reformas. As obras em torno do estádio e dentro dele estão longe de serem finalizadas. Visitantes que se dirigem ao local podem se surpreender com os tapumes e a presença de trabalhadores que tentam concluir as atividades, como a instalação de painéis e cartazes referentes ao evento. Mesmo a esplanada, que normalmente é acessível ao público, está cercada por tapumes.

A equipe de reportagem da CNN Brasil esteve no estádio na última segunda-feira, 8 de agosto, para coletar as credenciais de imprensa. A espera se estendeu por mais de uma hora e, após questionamentos, foi informada sobre outro local onde a retirada poderia ser realizada de forma mais rápida. No Centro de Voluntários da Fifa, a espera foi reduzida para menos de 30 minutos. Quando a equipe retornou, se deparou com diversas reformas em estações de metrô, nas quais trabalhadores atuavam próximos aos pedestres, em meio ao barulho e à poeira das obras.

No Zócalo, famoso marco histórico da capital, a situação não é diferente. A Praça da Constituição, que abriga importantes pontos turísticos, está cercada por tapumes, onde será realizada a Fan Fest da Fifa. Neste espaço, que contará com um telão para exibições das partidas, além de estandes de comida e marcas, a equipe de reportagem observou atividades de pintura e montagem das estruturas necessárias para receber o público. O acesso à Fan Fest é gratuito, desde que não se atinja a capacidade máxima do local.

Além das obras, a cidade enfrenta um clima de agitação social. Professores, organizados pela CNTE (Coordinadora Nacional de Trabajadores de la Educación), têm realizado manifestações exigindo melhorias, como aumento salarial de 100% e restabelecimento de um sistema de pensões. A presidenta do país, Claudia Sheinbaum, declarou a impossibilidade de atender às exigências devido à falta de recursos. Em resposta, a CNTE planeja uma grande manifestação no dia da abertura da Copa, no Estádio Azteca, para aumentar a visibilidade de suas demandas, o que tem gerado um aumento no efetivo policial na área.

O confronto entre celebrações e descontentamento popular marca a Cidade do México às vésperas do Mundial. No dia do jogo, a expectativa é que os torcedores compareçam em peso, mas também há a preocupação sobre como as manifestações poderão impactar a segurança e a ordem no evento. O jogo entre México e África do Sul está marcado para as 16h (horário de Brasília) e reflete um microcosmo das tensões e celebrações que permeiam a cidade neste momento.


Desta forma, a abertura da Copa do Mundo de 2026 na Cidade do México se torna um símbolo de um momento histórico, mas também revela as complexidades enfrentadas pela sociedade. As reformas necessárias para a realização do evento não podem ignorar as demandas sociais emergentes, que refletem uma insatisfação crescente.

Os desafios estruturais e as manifestações demonstram que, mesmo em meio a festividades, há uma necessidade urgente de diálogo entre o governo e os cidadãos. A capacidade de lidar com essas tensões determinará não apenas o sucesso do evento, mas também a paz social na cidade.

Assim, é fundamental que as autoridades considerem soluções que equilibrem a celebração do Mundial com as reivindicações legítimas da população. A história do Estádio Azteca é rica e merece ser celebrada, mas a inclusão das vozes da sociedade civil é igualmente importante.

Encerrando o tema, a Copa do Mundo deve ser um momento de união, e isso só será possível se as preocupações dos cidadãos não forem deixadas de lado. Portanto, a gestão do evento deve ser acompanhada por um compromisso real com a resolução de conflitos sociais.

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Felipe Cavalcanti D'Ávila

Sobre Felipe Cavalcanti D'Ávila

Especialista em Direito Desportivo e entusiasta de maratonas. Atua em tribunais esportivos defendendo a transparência e ética no esporte. Paixão fervorosa por futebol nacional. No tempo livre, pratica ciclismo de estrada.