Ministro Marco Buzzi, acusado de importunação sexual, recebe R$ 750 mil em quatro meses
11 FEV

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Política
Bruno Kleber Santos Por Bruno Kleber Santos - Há 2 meses
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O ministro Marco Buzzi, que está sob investigação por acusações de importunação sexual, recebeu R$ 751 mil brutos em apenas quatro meses de 2025. Este valor elevado é resultado de uma combinação de verbas retroativas, gratificações natalinas e antecipações de férias, que o fizeram ultrapassar o teto constitucional estabelecido para o funcionalismo público.

O levantamento dos vencimentos do ministro mostrou que, apesar do limite máximo de R$ 46.366,19, Buzzi alcançou rendimentos líquidos superiores a esse valor em todos os meses do ano passado. O pico desses ganhos ocorreu entre setembro e dezembro de 2025, quando o magistrado recebeu mais de R$ 600 mil líquidos.

Para compreender como um salário base de aproximadamente R$ 44 mil se transformou em cifras tão elevadas, é necessário observar as diferentes categorias que compõem o rendimento bruto do ministro. O salário base se manteve estável, mas outros componentes, como abono de permanência e adicional por tempo de serviço, contribuíram para esse aumento. Em setembro, por exemplo, os direitos pessoais somaram cerca de R$ 16,5 mil.

Além disso, as indenizações, que incluem auxílio-alimentação e outros benefícios, somaram aproximadamente R$ 19,5 mil mensais. No entanto, o que realmente elevou os ganhos de Buzzi foram os direitos eventuais, onde estão os chamados "penduricalhos", que incluem bônus natalinos, terço de férias e vários pagamentos retroativos.

Os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que, em setembro, os direitos eventuais ultrapassaram R$ 200 mil, valor que foi quase totalmente inflacionado por pagamentos retroativos. Nos meses seguintes, a verba retroativa sozinha já atingia o teto do funcionalismo, e em novembro, uma gratificação natalina superior a R$ 50 mil foi adicionada a esse montante.

Em dezembro, os direitos eventuais totalizaram R$ 87 mil, incluindo bônus de natal, antecipação de férias e novos valores justificados como verbas retroativas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) agora avalia se Buzzi tem condições de continuar em seu cargo, dado o contexto das acusações e os altos valores recebidos.

Se a sindicância do STJ e o processo no CNJ resultarem em condenação, a pena máxima prevista é a aposentadoria compulsória, o que significaria que Buzzi receberia proventos proporcionais ao seu tempo de serviço. Considerando sua longa trajetória, a aposentadoria estimada em cerca de R$ 44 mil é vista como uma grande insatisfação por parte da sociedade, que questiona a moralidade de manter um salário elevado após ser considerado inapto para a função pública.

Enquanto a investigação prossegue, Marco Buzzi permanece afastado de suas funções e é alvo de um processo criminal sigiloso no Supremo Tribunal Federal (STF). O STJ, em uma decisão unânime, decidiu afastá-lo do cargo devido às sérias acusações que pesam sobre ele.

Desta forma, a situação envolvendo o ministro Marco Buzzi levanta questões importantes sobre a ética e a transparência no serviço público. Em um momento em que a sociedade clama por justiça e responsabilidade, é fundamental que as instituições atuem com rigor em casos de má conduta. O fato de um servidor público receber altos salários enquanto enfrenta acusações graves sugere uma desconexão entre os interesses do funcionalismo e as expectativas da população.

A análise dos vencimentos de Buzzi não apenas expõe a questão salarial, mas também revela uma estrutura que permite a exploração de recursos públicos. Essa situação deve ser abordada de forma a garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua posição, sejam tratados com equidade e justiça. O uso de verbas retroativas e gratificações deve ser revisado para evitar abusos.

Assim, é necessário que o STJ e o CNJ conduzam investigações minuciosas e rápidas. A sociedade precisa de respostas claras e ações efetivas que assegurem a integridade das instituições e a confiança do público no sistema judiciário. A manutenção de um padrão salarial elevado para um ministro sob investigação é um tema que deve ser debatido e considerado com seriedade.

Finalmente, a continuidade do afastamento de Buzzi é uma medida que deve ser mantida até que todas as apurações sejam concluídas. A sociedade merece saber que seus representantes estão comprometidos com a ética e o bem-estar público, e que a justiça será feita, independentemente do cargo que ocupam.

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Bruno Kleber Santos

Sobre Bruno Kleber Santos

Graduando em Ciência Política, focado em relações exteriores e geopolítica da América Latina. Atua em canais de debate para o público jovem. Paixão por geografia humana. Seu refúgio favorito de fim de semana é o surf.