STJ rejeita pedido de liberdade de Deolane Bezerra, influenciadora sob investigação
09 JUN

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Política
Bruno Kleber Santos Por Bruno Kleber Santos - Há 6 dias
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A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, na última terça-feira (9), um pedido de liberdade feito pela influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra. Ela está em prisão preventiva desde 21 de maio e é investigada em um caso que envolve lavagem de dinheiro, associação com o tráfico de drogas e suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão do STJ foi baseada no entendimento de que a análise do pedido não é apropriada neste momento, uma vez que outras solicitações de liberdade da influenciadora ainda estão à espera de julgamento nas instâncias inferiores do sistema judiciário. Os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto concordaram que a situação atual não justifica a intervenção do tribunal superior.

A defesa de Deolane Bezerra argumentou que a prisão preventiva não atende aos requisitos legais necessários, afirmando que não há risco concreto à ordem pública ou à instrução do processo. Além disso, os advogados alegaram que as provas já estão sob a custódia das autoridades e, portanto, a prisão poderia ser substituída por medidas menos severas, como a prisão domiciliar. Deolane é mãe de uma criança de 9 anos e a defesa enfatizou que ela é a única responsável por seus cuidados.

Os advogados destacaram também que os fundamentos que sustentam a prisão preventiva são genéricos e não demonstram uma repetição de crimes ou a possibilidade de destruição de provas. Eles reforçaram que existem alternativas viáveis, como a entrega do passaporte e a proibição de deixar a cidade, que poderiam ser suficientes para garantir a continuidade do processo.

As investigações sobre Deolane Bezerra começaram em 2018 e se estenderam até 2021. A polícia identificou movimentações financeiras significativas, com a influenciadora movimentando R$ 13,6 milhões em suas contas pessoais e outros R$ 14 milhões passando por suas empresas. Os investigadores alegam que a origem desses recursos é suspeita e que empresas fantasmas foram criadas em nome dela, muitas das quais estão localizadas em cidades próximas ao presídio de Presidente Venceslau.

Além de Deolane, outras seis pessoas também foram indiciadas sob suspeita de envolvimento em organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme apurado pela Polícia Civil de Presidente Venceslau. O indiciamento foi resultado da Operação Vérnix, que investigou as atividades do grupo e constatou que eles continuavam a operar mesmo após as prisões.

A operação foi desencadeada após a descoberta de bilhetes em uma cela da Penitenciária de Presidente Venceslau, que indicavam a continuidade das atividades criminosas. Os policiais descobriram que o grupo estava reestruturando empresas que supostamente serviam para ocultar patrimônio e movimentar recursos financeiros de forma ilegal. Além disso, foram identificadas movimentações patrimoniais e o uso de ativos virtuais.

Em resposta à nova fase das investigações, a polícia solicitou ao Judiciário o sequestro de veículos apreendidos, aumento de bloqueios patrimoniais e a custódia de joias e relógios encontrados durante as diligências.

A situação de Deolane Bezerra é apenas um dos episódios em um histórico de investigações que envolvem a influenciadora. Em julho de 2022, ela foi alvo de uma busca e apreensão relacionada a uma empresa de apostas esportivas, e em fevereiro de 2024, foi investigada por ter publicado fotos com um colar pertencente a um traficante no Rio de Janeiro.


Desta forma, a decisão do STJ de manter a prisão preventiva de Deolane Bezerra é um reflexo da complexidade dos casos que envolvem figuras públicas e suas ligações com atividades ilícitas. É fundamental que as autoridades competentes continuem investigando a fundo para garantir que a justiça seja feita.

A manutenção da prisão preventiva é um indicativo de que há indícios substanciais que precisam ser considerados. O sistema judiciário deve agir com cautela, especialmente quando se trata de casos que envolvem a lavagem de dinheiro e organização criminosa, que podem ter impactos diretos na segurança pública.

Além disso, é importante ressaltar que a defesa tem motivos válidos para pleitear a revisão da prisão, especialmente considerando a situação familiar de Deolane. No entanto, a gravidade das acusações requer uma análise minuciosa e equilibrada por parte do Judiciário.

Por fim, a sociedade deve acompanhar atentamente esse caso, pois ele traz à tona questões importantes sobre a relação entre a influência digital e as responsabilidades legais que podem advir dessa posição. A transparência nas investigações é essencial para manter a confiança pública nas instituições.

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Bruno Kleber Santos

Sobre Bruno Kleber Santos

Graduando em Ciência Política, focado em relações exteriores e geopolítica da América Latina. Atua em canais de debate para o público jovem. Paixão por geografia humana. Seu refúgio favorito de fim de semana é o surf.