Brasil ainda enfrenta desafios no curling, com apenas uma pista e sem classificação olímpica - Informações e Detalhes
O curling, modalidade esportiva que ganhou destaque durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, na Itália, apresenta-se como uma prática ainda pouco conhecida no Brasil. Atualmente, o país conta com apenas uma pista oficial, localizada em São Paulo, o que limita o desenvolvimento do esporte entre os brasileiros. Com um formato que lembra a bocha, o curling envolve o arremesso de pedras de granito, com o objetivo de colocá-las o mais próximo possível do centro de um alvo. Para facilitar o deslizamento das pedras, os jogadores utilizam vassouras, que são esfregadas no chão durante a partida.
Os registros históricos indicam que o curling começou a ser praticado nas lagoas congeladas da Escócia no século 16. O esporte fez sua estreia nos Jogos de Inverno em 1924, na primeira edição do evento, realizada em Chamonix, na França. Desde então, a modalidade foi incorporada definitivamente ao programa olímpico em 1998, durante os Jogos de Nagano, no Japão, e agora participa de sua nona edição em Milão-Cortina. Apesar de levar sua maior delegação de atletas para os jogos deste ano, com 14 representantes, o Brasil nunca conseguiu se classificar para competir no curling em uma Olimpíada.
A história do curling brasileiro é relativamente nova, começando com um grupo de atletas brasileiros que residiam no Canadá e começaram a representar o país em competições internacionais a partir do final da década de 2010. O Campeonato Brasileiro de Curling teve sua primeira edição em 2015, realizada em Vancouver. O primeiro torneio realizado em solo brasileiro ocorreu apenas em 2022, após a inauguração da Arena Ice Brasil, que abriga a única pista oficial de curling na América Latina, administrada pela Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG).
Além de possibilitar a realização de competições oficiais, a Arena Ice Brasil também é um espaço onde iniciantes podem aprender sobre o esporte. A CBDG disponibiliza calçados com solados especiais para facilitar a movimentação no gelo e oferece vassouras feitas com fibras de carbono, conhecidas como “brooms”, que ajudam a reduzir o atrito das pedras com a superfície gelada. Tatiani Garcia, coordenadora do curling olímpico e paralímpico da CBDG, explica que o objetivo é apresentar a modalidade a novos praticantes e encaminhá-los a clubes especializados, como o Clube Curling Brasil.
Atualmente, a comunidade de curling no Brasil conta com cerca de 300 jogadores, que estão espalhados por diferentes regiões do país, além de alguns que vivem no exterior, como no Canadá e em países da Europa. Segundo Tatiani, o curling é um esporte acessível, que permite que pessoas a partir dos seis anos comecem a praticá-lo, podendo continuar até a terceira idade. Ela destaca que o desenvolvimento de novos talentos é fundamental, e a confederação está investindo na formação de atletas jovens, especialmente aqueles entre 9 e 21 anos.
No curling em cadeira de rodas, o Brasil fez sua estreia no Mundial da categoria, realizado na Escócia no ano passado. Durante essa competição, a seleção brasileira e a Noruega foram as únicas equipes a vencer o Japão, que acabou se consagrando campeã. Recentemente, durante os Jogos de Milão-Cortina, o interesse pelo curling aumentou entre o público, mas a pista da Ice Brasil não estava disponível para treinos devido a problemas técnicos na máquina responsável pela formação do gelo.
De acordo com Fernanda Tieme Marques, diretora da CBDG e atleta que iniciou suas atividades no curling há sete anos na Suíça, o Brasil atualmente compete na Série C, que é a terceira divisão das competições internacionais de curling. Para conseguir uma vaga nas Olimpíadas de Inverno, o país precisaria avançar para a Série A. No ranking mundial, o Brasil ocupa a 30ª posição no feminino, entre 47 equipes, a 37ª no masculino, entre 61 equipes, e a 42ª nas duplas mistas, entre 52 equipes. Os líderes do ranking atualmente são a Suíça, para o feminino, a Escócia, para o masculino, e a Escócia novamente, nas duplas mistas.
Embora a participação do Brasil nas competições de curling ainda esteja distante, um dos principais resultados do país foi alcançado nas categorias de base. Em janeiro de 2024, a seleção brasileira juvenil conquistou sua primeira vitória olímpica, vencendo a Alemanha por 6 a 4 nos Jogos de Inverno da Juventude, realizados na Coreia do Sul. O feito gerou grande emoção, especialmente considerando que muitos países têm uma longa tradição no esporte, enquanto o Brasil está apenas começando sua trajetória no curling.
Desta forma, é evidente que o curling no Brasil ainda está em fase inicial de desenvolvimento, enfrentando desafios significativos que vão além da falta de infraestrutura. A carência de pistas e locais adequados para a prática limita o crescimento de um esporte que, apesar de sua complexidade, oferece oportunidades de inclusão e desenvolvimento social. Investir em novos espaços e na capacitação de treinadores é fundamental para expandir a base de praticantes e garantir um futuro promissor para o curling nacional.
Além disso, a busca por parcerias e apoio financeiro pode ser uma estratégia eficaz para fomentar o esporte. O envolvimento de empresas e patrocinadores pode ajudar a infraestrutura necessária e viabilizar competições que atraiam novos talentos. É crucial que a comunidade esportiva se una em torno do objetivo de elevar o nível do curling brasileiro, visando a conquista de melhores posições em rankings internacionais.
Em resumo, o potencial do curling no Brasil é real, mas depende de um esforço conjunto de entidades, atletas e amantes do esporte. A criação de um ambiente favorável à prática e ao aprendizado pode transformar o cenário atual, permitindo que o Brasil não apenas participe, mas também seja competitivo em futuras edições olímpicas.
Por fim, a valorização de atletas locais e a promoção de eventos que incentivem a prática do curling podem ser caminhos importantes para o crescimento da modalidade. Iniciativas voltadas à formação de jovens talentos são essenciais para garantir que o Brasil possa sonhar com uma participação significativa nas Olimpíadas e em competições internacionais.
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