Expectativa de alta na Selic chega a 14% devido a inflação e aumento do petróleo
25 MAI

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Economia
Ana Clara Santos Lopes Por Ana Clara Santos Lopes - Há 55 minutos
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Nos últimos dias, a expectativa sobre a taxa Selic, que atualmente está em 13,25%, tem se tornado um tema de intenso debate entre economistas e analistas de mercado. A pesquisa Focus, que é uma referência nas previsões econômicas, indicava uma Selic de 13,25% ao final de 2026. No entanto, o cenário inflacionário que piorou nas últimas semanas tem feito com que muitos especialistas considerem que o Banco Central do Brasil terá menos espaço para diminuir os juros. Isso se deve principalmente à alta dos preços do petróleo e à inflação global, que se mostrou mais resistente do que o esperado, além da deterioração das expectativas econômicas no Brasil.

Um dos mais recentes diagnósticos sobre essa situação foi feito pelo Banco Pine, em um relatório divulgado recentemente. O economista-chefe da instituição, Cristiano Oliveira, revisou suas previsões e agora projeta que o ciclo atual de cortes na Selic pode terminar com a taxa em 14% ao ano. Ele destacou que a soma de choques econômicos, tanto internos quanto externos, reduziram significativamente a margem para novas reduções nos juros. Essa análise reflete uma preocupação crescente com o cenário econômico.

Além do Banco Pine, outras instituições também ajustaram suas previsões para a inflação. O IPCA, que é o índice oficial de preços ao consumidor, teve sua projeção para 2026 elevada para 5,6%. O IGP-M, que é um índice que mede a inflação do mercado, também teve uma alta nas expectativas, subindo para 7,3%. Para o ano de 2027, as previsões são de um IPCA em 5% e IGP-M em 6%. Entre os motivos que justificam essas alterações estão a alta dos preços agrícolas, a pressão persistente dos combustíveis derivados do petróleo, uma inflação global elevada e a expectativa de uma leve desvalorização do real no segundo semestre.

O Citi, outro banco importante, também revisou suas projeções, agora prevendo que o Copom, que é o Comitê de Política Monetária do Banco Central, deve interromper o ciclo de cortes em setembro de 2026, com a Selic em 13,75%. Anteriormente, a expectativa era de que a taxa chegasse a 13,25% apenas em dezembro. O Citi fundamenta essa revisão na inflação que continua acima da meta estabelecida e nas expectativas que permanecem desancoradas, além da crescente preocupação do Banco Central com a convergência dos preços.

Após a última reunião do Copom, os economistas do Citi afirmaram que a situação inflacionária não melhorou significativamente desde abril. Mesmo considerando cenários favoráveis para o câmbio e a atividade econômica, o espaço para novos cortes na Selic se tornou bastante restrito. A revisão das projeções de inflação também foi observada em outros bancos e instituições financeiras. O economista Leonardo Porto, por exemplo, aumentou suas estimativas para o IPCA devido aos impactos diretos da alta do petróleo, à manutenção dos preços dos combustíveis abaixo da paridade internacional e à continuidade das pressões inflacionárias.

O relatório do Banco Pine ainda menciona a situação de conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que está na sua 14ª semana. Essa guerra tem gerado muitas preocupações entre investidores, uma vez que expõe a vulnerabilidade do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. Contudo, segundo o Pine, esse conflito apenas acelerou um movimento já em curso, que é a alta estrutural dos juros globais. Recentemente, as economias de países como Estados Unidos, China, Japão e Brasil têm apresentado indicadores de inflação que superaram as expectativas, levando a uma reprecificação significativa nos mercados de renda fixa.

Adicionalmente, as preocupações com a situação fiscal de diversos países têm elevado o retorno exigido pelos investidores para financiar os governos. Para o Banco Pine, o mercado demorou a incorporar essa nova realidade. Um dos sinais mais evidentes desse ajuste é a alta dos juros reais, que refletem fatores como risco fiscal e perspectivas de crescimento e que são descontados da inflação esperada. Desde o início da guerra, o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos aumentou em cerca de 62 pontos-base. Desses, apenas 15 pontos-base foram afetados pela inflação implícita, enquanto os outros 47 pontos-base foram resultantes do aumento dos juros reais, segundo cálculos do banco.

Outro fator que está contribuindo para a pressão sobre a inflação e os juros é a crescente corrida global por inteligência artificial. Embora os investimentos em tecnologia possam ajudar a aumentar a produtividade e a conter a inflação a longo prazo, eles também estão gerando uma demanda maior por capital e infraestrutura no curto e médio prazos, o que pode pressionar a atividade econômica e os preços. Assim, mesmo que as tensões entre os Estados Unidos e o Irã diminuam, o Banco Pine acredita que não haverá uma reversão significativa no movimento observado nas curvas de juros globais.

Por fim, a combinação de inflação persistente, deterioração fiscal e aumento dos prêmios de risco sugere que o cenário de juros reais altos deve prevalecer tanto no exterior quanto no Brasil por um período prolongado. Essa situação requer atenção das autoridades e de todos os setores da economia, especialmente considerando o impacto que a Selic tem sobre o crédito e o consumo das famílias brasileiras.

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Ana Clara Santos Lopes

Sobre Ana Clara Santos Lopes

Graduanda em Economia pela FGV, entusiasta de criptoativos e finanças pessoais. Escreve sobre as flutuações do mercado brasileiro e tendências globais de investimento. Ama culinária vegana e descobrir novos sabores regionais.