Especialista sugere Congresso como espaço ideal para debater regulação de big techs
08 JUN

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Política
Professor Otávio Cavalcanti Mendes Por Professor Otávio Cavalcanti Mendes - Há 19 dias
2549 4 minutos de leitura

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 10 de junho a análise dos recursos feitos por empresas como Google e Meta. Esses recursos contestam os decretos que mudaram a interpretação do Marco Civil da Internet, aumentando as situações em que as redes sociais podem ser responsabilizadas. Em uma entrevista ao CNN Novo Dia, o advogado Rafael Pellon, que é especialista em regulação de redes, comentou sobre a importância de um debate mais amplo sobre o assunto.

Pellon destacou que o debate sobre a responsabilização das plataformas deve envolver os três poderes do governo. Ele afirmou que a situação está se tornando mais complicada e que encontrar uma solução adequada está se tornando cada vez mais difícil. Para o advogado, o Congresso Nacional seria o local mais apropriado para discutir essas questões, pois é onde diferentes perspectivas e todos os envolvidos na regulação da internet podem ser ouvidos.

“O caminho hoje é o Congresso, que seria o fórum mais adequado. Primeiro, ouvir a sociedade em todos os seus diversos âmbitos e aí sim avançar com a atualização da regulamentação de internet no país”, explicou Pellon. No entanto, ele também reconheceu que, atualmente, não há um ambiente político favorável para essa discussão, especialmente por ser um ano eleitoral, o que torna a situação ainda mais delicada. “A gente vai precisar criar esse clima”, alertou.

O advogado também mencionou que a questão da regulação das big techs afetará diretamente o processo eleitoral no Brasil, assim como já acontece em outras partes do mundo. Ele destacou o chamado "chilling effect", ou efeito de receio geral, como uma das principais ameaças no cenário atual. Isso significa que, devido à insegurança gerada pelas decisões do STF, as grandes plataformas de internet podem começar a adotar medidas preventivas para evitar responsabilizações.

“A gente tem um impacto de, principalmente hoje, um risco em determinados tipos de conteúdos de censura prévia, por falta de critério, por falta de objetividade hoje das decisões que a gente teve”, continuou Pellon. Ele concluiu que o Brasil está prestes a entrar em um período de intensa atividade regulatória, semelhante ao que ocorreu entre 2009 e 2013, quando o Marco Civil foi criado.

Para Pellon, o país precisa definir claramente que tipo de responsabilização deseja impor às plataformas digitais, e esse debate não deve ser adiado por muito tempo.

Desta forma, a discussão sobre a regulação das big techs no Brasil não pode ser vista apenas como uma questão técnica, mas como uma necessidade urgente para a democracia. As plataformas digitais têm um papel central na disseminação de informação e, por isso, precisam ser responsabilizadas de maneira adequada.

Em resumo, a proposta de que o Congresso Nacional seja o espaço para esse debate é pertinente. A diversidade de opiniões e a representatividade são fundamentais para que as decisões tomadas sejam justas e eficazes.

Assim, é importante que a sociedade civil participe ativamente dessa discussão. A inclusão de diferentes setores da população ajudará a garantir que a regulação atenda às necessidades de todos, não apenas das empresas envolvidas.

Finalmente, a busca por um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a responsabilidade das plataformas deve ser uma prioridade. O Brasil precisa de um marco regulatório claro, que proteja os cidadãos sem restringir a liberdade de informação.

Por fim, o momento atual exige diálogo e colaboração entre os poderes e a sociedade. Somente assim será possível construir um ambiente digital seguro e justo para todos os brasileiros.

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Professor Otávio Cavalcanti Mendes

Sobre Professor Otávio Cavalcanti Mendes

Jurista constitucionalista e professor universitário de Ciência Política. Atua em tribunais superiores analisando casos complexos. Paixão profunda por leis, justiça e história global. Apreciador nato de música clássica.