Cresce a quantidade de votações simbólicas no Congresso, gerando preocupações sobre transparência
24 MAI

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Política
Bruno Kleber Santos Por Bruno Kleber Santos - Há 1 dia
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Nos últimos anos, o Congresso Nacional tem apresentado um aumento significativo nas votações simbólicas, aquelas em que não se registra o voto individual de cada parlamentar. Dados recentes mostram que, de 2015 a 2025, a maioria das votações realizadas no Senado e na Câmara dos Deputados foi feita de forma simbólica, o que levanta questões sobre a transparência dos processos legislativos.

Em 2025, por exemplo, o Senado contabilizou 126 votações simbólicas, enquanto apenas 25 foram nominais, que são aquelas em que os votos são registrados. No ano anterior, as votações simbólicas somaram 175, em contraste com 41 nominais. A situação é semelhante na Câmara, onde foram registradas 420 votações simbólicas e 215 nominais em 2025, enquanto em 2024 houve 369 simbólicas e 150 nominais.

Esses dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e revelam um padrão preocupante. A decisão sobre se uma votação será simbólica ou nominal cabe ao presidente da Casa, e as votações simbólicas ocorrem quando os parlamentares são convidados a permanecer sentados se concordarem com a proposição. Aqueles que não concordam devem se levantar, mas, dessa forma, seus votos não ficam registrados.

Recentemente, uma proposta controversa aprovada na Câmara foi votada simbolicamente, o que gerou reclamações de deputados que se opuseram à iniciativa, já que não houve registro de quem votou contra ou a favor. O presidente da Câmara, Hugo Motta, não estava presente no plenário durante a votação, o que agravou a situação.

Os dados mostram que, em 8 dos 11 anos analisados, a proporção de votações simbólicas no Senado ultrapassou 70%. O ano de 2019 teve a maior proporção, com 88% das votações sendo simbólicas. Na Câmara, essa porcentagem também superou os 70% em cinco anos, sendo que 2017 teve a maior concentração, com 82% de votações simbólicas.

Embora o regimento interno das Casas preveja que as votações simbólicas são a regra geral, especialistas alertam que essa prática pode prejudicar a transparência das ações do Congresso. Beatriz Rey, pesquisadora da Universidade de Lisboa, destaca que essa priorização das votações simbólicas reduz o controle social e a capacidade de os pesquisadores acompanharem o processo legislativo.

Por outro lado, o Senado defende que segue todas as exigências legais em suas votações e que os registros ficam disponíveis nas atas e nas notas taquigráficas, acessíveis ao público.

Desta forma, é imprescindível que a sociedade civil mantenha vigilância sobre os processos legislativos. A predominância de votações simbólicas pode enfraquecer a accountability dos parlamentares, dificultando a participação cidadã nas decisões que afetam a vida de todos. A transparência deve ser um pilar fundamental no funcionamento do Congresso.

Além disso, a falta de registros claros sobre os votos pode alimentar a desconfiança da população em relação às instituições. Com uma maior transparência no processo de votação, seria possível aumentar a confiança da sociedade nas decisões legislativas. A opacidade nas votações não deve ser a norma em um sistema democrático.

É necessário também que os cidadãos pressionem por mudanças que garantam a realização de votações nominais em questões relevantes, especialmente aquelas que envolvem a distribuição de recursos públicos. A participação ativa da população é crucial para que os parlamentares sintam a pressão para agir com responsabilidade.

Por último, a discussão sobre a forma de votação deve ser ampliada, buscando alternativas que equilibrem a necessidade de agilidade nas aprovações com a garantia de transparência e controle social. A implementação de um sistema que permita a votação pública e registrada pode ser uma solução viável para esse problema.

Em resumo, a situação atual demanda a atenção de todos os cidadãos e um debate amplo sobre a forma como as decisões são tomadas no Congresso. A participação ativa e a busca por mais transparência são essenciais para fortalecer a democracia no país.

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Bruno Kleber Santos

Sobre Bruno Kleber Santos

Graduando em Ciência Política, focado em relações exteriores e geopolítica da América Latina. Atua em canais de debate para o público jovem. Paixão por geografia humana. Seu refúgio favorito de fim de semana é o surf.