Impacto de Medicamentos e Suplementos em Exames Laboratoriais
27 JUN

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Sofia Regina Albuquerque Por Sofia Regina Albuquerque - Há 1 hora
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O uso de medicamentos e suplementos pode influenciar de maneira significativa os resultados de exames laboratoriais, o que pode comprometer diagnósticos médicos. Essa questão foi abordada pelo professor Thiago de Melo Costa Pereira, na sua palestra durante o 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, que acontece no Rio de Janeiro entre os dias 28 de junho e 1º de julho.

A polifarmácia, que é a prática de tomar cinco ou mais medicamentos ao mesmo tempo, é frequentemente discutida devido às interações que podem ocorrer entre os fármacos. No entanto, existe uma preocupação menos conhecida, mas igualmente importante, que é a interação entre esses medicamentos e os resultados dos exames laboratoriais. O professor Pereira, que é especialista em farmacologia e bioquímica, destaca que muitos pacientes não relatam ao médico todos os medicamentos e suplementos que estão utilizando, o que pode levar a diagnósticos errôneos.

Um exemplo citado pelo professor é o uso da domperidona, um medicamento comum para tratar refluxo. Ele pode elevar os níveis de prolactina, um hormônio, em até quatro vezes acima do limite normal. Se o médico não souber que o paciente está tomando esse remédio, pode solicitar exames adicionais desnecessários, como ressonâncias magnéticas, por suspeitar de problemas na hipófise.

Outro caso relevante é o da creatina, frequentemente utilizada como suplemento para melhorar o desempenho físico. Apesar de não prejudicar a função renal, ela pode aumentar os níveis de creatinina no sangue, um marcador de função renal. Isso pode levar a uma interpretação errada dos resultados, a menos que o médico e o laboratório sejam informados sobre o uso do suplemento. Para avaliar a saúde renal de forma mais precisa, é recomendado medir a ureia e a cistatina C, que não são afetadas pela creatina.

A biotina, também popular entre pessoas que buscam fortalecer cabelos e unhas, pode causar resultados falsos em exames de tireoide, indicando um hipertireoidismo que não existe de fato. Isso acontece porque a biotina pode reduzir os níveis de TSH e aumentar os de T4. Portanto, é aconselhável suspender o uso da biotina de dois a sete dias antes de realizar os exames.

Além desses exemplos, muitos outros medicamentos, incluindo anti-inflamatórios e antipsicóticos, podem influenciar resultados de exames. Para evitar qualquer problema, o professor Pereira recomenda que os pacientes façam uma lista detalhada de todos os medicamentos e suplementos que estão utilizando, incluindo fitoterápicos e chás, e que essa informação seja compartilhada com os médicos durante as consultas.

Os exames laboratoriais são fundamentais para a monitorização das condições de saúde, especialmente em pacientes idosos, que frequentemente enfrentam polifarmácia devido a doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Estudos indicam que cerca de 20% dos idosos no Brasil se enquadram nessa situação. Esses exames influenciam cerca de 70% das decisões médicas. Portanto, é crucial que as interferências nos resultados sejam reconhecidas para evitar diagnósticos errôneos e procedimentos desnecessários.

Além disso, o professor sugere o uso de testes rápidos em farmácias, que estão se tornando mais comuns e podem ajudar na monitoração da saúde entre as consultas médicas. Esses testes, que incluem aferições de glicemia e colesterol, devem seguir os mesmos padrões de qualidade exigidos dos laboratórios clínicos. Isso pode facilitar a identificação precoce de problemas e reduzir a necessidade de exames mais caros e invasivos.


Desta forma, é evidente que a comunicação entre pacientes e médicos é fundamental para garantir diagnósticos precisos. A falta de informação pode levar a desdobramentos indesejados e à realização de exames desnecessários, o que acarreta custos e riscos adicionais.

Em resumo, a conscientização sobre o impacto de medicamentos e suplementos nos exames é uma questão que merece atenção especial. A educação dos pacientes sobre a importância de relatar tudo o que estão tomando pode prevenir muitos problemas.

Então, promover a troca de informações entre profissionais de saúde e pacientes se torna essencial no contexto atual, onde a polifarmácia é uma realidade crescente, especialmente entre a população idosa.

Assim, iniciativas que incentivem a realização de testes rápidos e o acompanhamento contínuo da saúde devem ser ampliadas. Isso não apenas melhora a qualidade do atendimento, mas também promove a saúde pública de forma geral.

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Sofia Regina Albuquerque

Sobre Sofia Regina Albuquerque

Pós-graduada em Moda e Estilo de Vida. Atua como consultora de imagem para figuras públicas e executivos. Paixão por viagens culturais e sustentabilidade têxtil. Dedica-se à pintura a óleo como refúgio criativo.