Decretos sobre big techs e seus impactos na liberdade de expressão no Brasil
05 JUN

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Política
Marcos Antonio Oliveira Por Marcos Antonio Oliveira - Há 5 dias
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O especialista em direito digital, Luis Fernando Prado, alertou que os recentes decretos sobre a regulamentação das grandes plataformas digitais, frequentemente chamadas de big techs, têm implicações diretas na liberdade de expressão. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa CNN Novo Dia, nesta sexta-feira (5), onde Prado discutiu as normas assinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no final de maio, que visam regular a atuação das empresas de tecnologia no Brasil.

Prado iniciou sua fala afirmando que as regras em discussão afetam a liberdade de expressão, um tema que não pode ser ignorado. "Essas regras que estão sendo rediscutidas impactam a liberdade de expressão, não podemos fugir desse debate", disse. Ele destacou que o que está em pauta é a justificação da liberdade de expressão em face de novas regulamentações, mas, independentemente disso, qualquer norma que endosse a responsabilização de intermediários por conteúdos de terceiros na internet terá consequências significativas sobre essa liberdade.

O especialista enfatizou que a internet brasileira, a partir dessas novas normas, será diferente do que era até agora. "As plataformas terão mais estímulos e obrigações para remover conteúdos, e os filtros dessas plataformas se tornarão mais rigorosos", completou. Isso significa que os usuários podem perceber uma maior rigidez na aplicação de regras quando utilizam a internet nos próximos anos.

Além disso, Prado mencionou que atualmente o Brasil enfrenta uma mudança nas normas de liberdade de expressão, que será diferente do que foi no passado. Com os novos decretos, as plataformas precisarão exercer um controle mais intenso sobre o que os usuários publicam.

Outro ponto levantado pelo especialista foi a questão de se o Poder Executivo estaria agindo corretamente ao modificar as regras do Marco Civil da Internet sem passar pelo Legislativo. "O que chama atenção disso tudo é que estamos rediscutindo o Marco Civil da Internet sem uma alteração no Legislativo", afirmou Prado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve avaliar o caso das big techs em um julgamento agendado para o dia 10 de junho. A expectativa é que essa análise traga novas diretrizes sobre como as plataformas digitais devem operar no Brasil.

Uma das mudanças trazidas por um dos decretos é a atualização da regulamentação do Marco Civil da Internet, visando fortalecer a prevenção e o enfrentamento de fraudes, golpes e atos criminosos nas plataformas digitais. Isso inclui a responsabilização das plataformas digitais e atribui à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a competência para regular, fiscalizar e apurar infrações ao Marco Civil.

O decreto também exige que empresas que comercializam anúncios mantenham dados que possibilitem a responsabilização dos autores e a reparação de danos às vítimas. As plataformas terão que agir preventivamente para evitar a disseminação de conteúdo relacionado a crimes graves, como terrorismo e exploração sexual de crianças e adolescentes.

No que diz respeito a conteúdos criminosos promovidos por publicidade paga, as plataformas poderão ser responsabilizadas quando houver falhas recorrentes em suas políticas de prevenção a fraudes e crimes. Para outros casos, a remoção de conteúdo poderá ocorrer após notificação.

O segundo decreto assinado por Lula estabelece diretrizes que visam aumentar a proteção das mulheres no ambiente digital, detalhando os deveres das plataformas na prevenção e resposta a casos de violência online. O governo ressaltou que as empresas devem atuar para combater crimes e fraudes, além de reduzir os danos causados às vítimas, especialmente em situações de exposição de imagens íntimas sem consentimento.

As plataformas serão obrigadas a manter um canal específico e acessível para denúncias de conteúdos íntimos divulgados sem consentimento, com a previsão de remoção do material em até duas horas após a notificação. Também está prevista a proibição do uso de inteligência artificial para a criação de imagens íntimas de mulheres.

A oposição no Congresso Nacional reagiu a essas mudanças, apresentando ao menos 24 Projetos de Decreto de Lei (PDLs) com o objetivo de derrubar os dois decretos assinados por Lula. O regulamento que atualiza o Marco Civil da Internet é o mais controverso entre eles, mas os PDLs ainda precisam ser aprovados nas duas Casas do Congresso. Diferentemente das propostas convencionais, esses projetos não requerem sanção presidencial, pois têm o poder de sustentar decisões do Executivo.

Esses projetos incluem 17 assinados por deputados do PL, 2 do Novo, 3 do União e 2 do Republicanos.

Desta forma, é essencial compreender que a regulamentação das big techs no Brasil deve ser debatida com seriedade e profundidade. Embora a intenção de combater fraudes e proteger usuários, especialmente mulheres, seja válida, é preciso garantir que essa proteção não comprometa a liberdade de expressão dos cidadãos. A tensão entre segurança e liberdade é um tema recorrente nas discussões sobre o uso da internet.

A implementação de normas rigorosas pode levar a uma internet mais restritiva, onde as plataformas se sintam compelidas a censurar conteúdos para evitar responsabilizações. Isso gera um dilema sobre até onde a proteção é benéfica e quando se torna uma ameaça à diversidade de opiniões. Portanto, é necessário um acompanhamento crítico das mudanças propostas.

Além disso, a falta de participação legislativa nesse processo levanta questões sobre a legitimidade das alterações no Marco Civil. A discussão deveria ocorrer em um espaço democrático, onde diversos setores da sociedade possam expressar suas opiniões e preocupações. Uma abordagem colaborativa pode resultar em soluções mais equilibradas.

Em resumo, o debate sobre a regulamentação das plataformas digitais deve ser amplo e inclusivo, considerando as vozes de diferentes segmentos da sociedade, para que se encontre um meio termo que proteja tanto a segurança dos usuários quanto a liberdade de expressão. O futuro da internet no Brasil depende da capacidade das autoridades em encontrar esse equilíbrio.

Assim, a busca por soluções que respeitem a liberdade de expressão e promovam a segurança online é um desafio que deve ser enfrentado com responsabilidade e transparência.

Para finalizar, é fundamental que a sociedade civil esteja atenta e participativa nesse processo, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e que as normas criadas sejam realmente eficazes e justas.

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Marcos Antonio Oliveira

Sobre Marcos Antonio Oliveira

Jornalista com pós-graduação em Política Internacional. Atua cobrindo o congresso nacional há mais de uma década. Grande paixão por história brasileira e debates democráticos. Nas horas vagas, dedica-se ao estudo de xadrez.