Cresce a procura por congelamento de óvulos, mas especialistas alertam para limites de fertilidade após os 35 anos
02 MAR

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 1 mês
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Nos últimos anos, observou-se um aumento significativo na busca por métodos de preservação da fertilidade e técnicas de reprodução assistida. Entre 2020 e 2024, o Brasil registrou o congelamento de aproximadamente 545 mil embriões, um crescimento de 47,6%, conforme dados do SisEmbrio, sistema gerido pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 2024, foram congelados 151,6 mil óvulos, sendo que 57,1% pertenciam a mulheres com 35 anos ou mais. Esse fenômeno está diretamente ligado ao adiamento da maternidade e da paternidade, refletindo uma mudança nas dinâmicas familiares e profissionais. Com isso, o mercado global de serviços de fertilidade foi avaliado em US$ 42,2 bilhões em 2023 e deve ultrapassar US$ 70 bilhões até o início da próxima década, segundo a consultoria Grand View Research.

Entretanto, essa realidade não é acessível a todos. A ginecologista e obstetra Ana Paula Avritscher Beck, do Einstein Hospital Israelita, destaca que nem todas as pessoas conseguem se beneficiar das alternativas disponíveis, evidenciando desigualdades sociais e os dilemas em torno da decisão de ter filhos. Fatores como instabilidade financeira e as pressões do mercado de trabalho se somam à urgência do "relógio biológico", que se torna mais evidente a partir dos 35 anos, especialmente para as mulheres. Essa idade é considerada um marco clínico, mas não deve ser vista como um limite biológico absoluto.

De acordo com o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, a chance de gravidez em um ciclo menstrual é de aproximadamente 25% a 30% para casais saudáveis na faixa dos 20 a 30 anos. Com a chegada dos 40 anos, essa probabilidade cai para menos de 10%. Além da idade, outros fatores como endometriose, miomas, doenças autoimunes, tabagismo e obesidade podem impactar negativamente a fertilidade, tanto feminina quanto masculina. Rivia Mara Lamaita, presidente da Comissão Nacional Especializada em Reprodução Assistida da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), alerta que a idade avançada dos homens pode também acarretar em problemas de fertilidade, como a fragmentação do DNA espermático.

Um estudo recente publicado na revista Nature mostrou que o envelhecimento paterno está associado a um aumento das mutações genéticas nos espermatozoides, revelando um acúmulo que aumenta o risco de doenças. A pesquisa analisou amostras de sêmen de homens entre 24 e 75 anos e constatou que em homens mais velhos, entre 3% e 5% dos espermatozoides apresentam mutações que podem ser prejudiciais à saúde dos filhos.

Além das questões de fertilidade, o aumento da idade reprodutiva também está vinculado a uma maior incidência de complicações durante a gestação. A partir dos 35 anos, cresce o risco de alterações cromossômicas nos embriões, resultando em maiores taxas de abortos espontâneos e complicações obstétricas, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Embora esses riscos não inviabilizem a gravidez, exigem um acompanhamento obstétrico mais rigoroso e complexo, conforme salienta a médica Ana Paula Beck.

Apesar do crescimento na procura por técnicas de congelamento de óvulos e fertilização in vitro (FIV), essas opções não garantem a possibilidade de ter filhos no futuro. O sucesso dessas intervenções depende de diversos fatores, incluindo a idade da mulher no momento do congelamento e a quantidade de óvulos preservados, aspectos que frequentemente são minimizados nas discussões sobre o tema.

A preservação da fertilidade é indicada em situações médicas específicas, como antes de tratamentos que podem afetar a função ovariana, como a quimioterapia, e também em casos de infertilidade. Contudo, a percepção de que o congelamento de óvulos é uma solução universal para a fertilidade tardia pode levar a expectativas irreais, ressaltando a importância de um planejamento cuidadoso e de uma avaliação médica adequada.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.