Eduardo Bolsonaro é apontado como produtor-executivo de filme sobre Jair Bolsonaro, segundo o Intercept
15 MAI

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Política
Marcos Antonio Oliveira Por Marcos Antonio Oliveira - Há 9 dias
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Documentos revelados pelo site Intercept Brasil indicam que Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal cassado pelo PL de São Paulo, firmou um contrato como produtor-executivo do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, Eduardo nega ter gerido recursos financeiros para a produção, classificando o acordo como "velho". Ele argumenta que o compromisso foi assumido em um momento em que a produção ainda não contava com um investidor significativo.

A divulgação dessas informações trouxe à tona questões delicadas para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro. Publicações recentes trouxeram à luz áudios e mensagens que mostram Flávio cobrando recursos de Daniel Vorcaro, um banqueiro que, segundo o site, teria autorizado investimentos de R$ 61 milhões em um fundo chamado Havengate Development Fund LP, localizado no Texas, EUA, e administrado por um advogado ligado a Eduardo.

A Polícia Federal (PF) está investigando se esse fundo foi utilizado para financiar a estadia de Eduardo nos Estados Unidos, onde ele atualmente reside. O ex-deputado tem se defendido, afirmando que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro e que as alegações de que ele teria movimentado recursos do fundo são infundadas.

Eduardo informou que, quando o projeto ainda estava em sua fase inicial, ele chegou a investir US$ 50 mil de seu próprio bolso. Segundo ele, esse montante foi devolvido pela produtora GoUp, mas não teve relação com o fundo do Texas. "Eu recebi o dinheiro de volta por conta do contrato da produtora, mas isso não passou pelo fundo", declarou Eduardo, ressaltando que esse valor era significativo para ele.

O contrato de produção, assinado por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, também inclui o deputado federal Mário Frias como produtor-executivo e indica a empresa GoUp como responsável pela produção do filme. O documento especifica que a produtora e os produtores-executivos se comprometeriam com atividades relacionadas ao financiamento do filme, incluindo a busca por patrocinadores e incentivos fiscais.

Eduardo, no entanto, afirma que a estrutura do projeto mudou ao longo do tempo e que ele não teve mais acesso ao fundo que recebeu investimentos de Vorcaro. Isso ocorreu quando a captação de recursos passou a ser feita a partir do fundo nos Estados Unidos. Ele ressaltou que a mudança foi uma estratégia para evitar perseguições no Brasil.

Durante a conversa com a imprensa, o ex-deputado explicou que, ao final do contrato, a produção estava enfrentando dificuldades, como a possível saída do diretor de Hollywood, até que um grupo de investidores apareceu para ajudar. "Não tem nada além disso. Fizemos toda a estrutura fora do país, para não sofrer perseguições", afirmou Eduardo.


Desta forma, a situação envolvendo Eduardo Bolsonaro e o filme "Dark Horse" levanta questões importantes sobre a transparência e a ética no financiamento de produções audiovisuais, especialmente quando ligadas a figuras públicas. A investigação da Polícia Federal poderá esclarecer o uso de recursos e a real dinâmica da captação de fundos para o projeto.

Além disso, a revelação de áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sugere uma rede complexa de interesses financeiros que pode impactar a imagem da família Bolsonaro no cenário político atual. A falta de clareza sobre esses financiamentos pode gerar desconfiança entre os eleitores.

É fundamental que a sociedade civil esteja atenta a essas questões, pois a forma como os recursos são geridos em produções ligadas a políticos pode influenciar a narrativa pública e a percepção sobre a ética no setor. O público merece saber a verdade sobre a origem e o destino dos fundos investidos em produções que retratam figuras políticas.

Por fim, a discussão sobre o financiamento de obras audiovisuais deve ser ampliada, buscando maior regulamentação e controle sobre o uso de recursos, especialmente em casos que envolvem políticos e suas famílias. A transparência é essencial para garantir a integridade das iniciativas culturais.

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Marcos Antonio Oliveira

Sobre Marcos Antonio Oliveira

Jornalista com pós-graduação em Política Internacional. Atua cobrindo o congresso nacional há mais de uma década. Grande paixão por história brasileira e debates democráticos. Nas horas vagas, dedica-se ao estudo de xadrez.