Empresas enfrentam desafios com nova norma sobre saúde mental no trabalho
28 MAI

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Política
Professor Otávio Cavalcanti Mendes Por Professor Otávio Cavalcanti Mendes - Há 2 dias
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A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrou em vigor, exigindo que as empresas adotem medidas para identificar e prevenir riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Essa mudança é especialmente relevante em um cenário onde práticas como assédio moral, metas abusivas e jornadas exaustivas afetam a saúde mental dos trabalhadores. No entanto, levantamentos recentes indicam que muitas empresas ainda não estão preparadas para atender a essas novas exigências.

De acordo com a pesquisa Mapa do RH & DP 2026, realizada pela Sólides, 57,8% das empresas não possuem um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) que inclua análise de riscos psicossociais. Apenas 42,2% dos entrevistados afirmaram que têm um PGR em funcionamento. Entre as empresas que não estão em conformidade, 27,3% possuem um programa que não contempla a atualização da norma, enquanto 22% estão em fase de elaboração e 8,5% não têm nenhum PGR formalizado.

Outro estudo, conduzido pelo Pandapé, revelou que somente 27,3% das empresas se consideram totalmente adequadas às novas exigências, enquanto 49,8% se veem parcialmente preparadas e 17% ainda não iniciaram o processo de adaptação. Por outro lado, o Anuário de Benefícios e Práticas Corporativas 2026, elaborado pela Swile em parceria com a Leme Consultoria e a Poli Júnior da USP, indicou que 58,9% das empresas afirmam estar totalmente preparadas para cuidar da saúde mental de seus colaboradores. Contudo, apenas 11,7% monitoram as horas extras, 23,9% avaliam o clima organizacional de maneira estruturada e 44,9% analisam os índices de rotatividade.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, apesar do crescente interesse pelo tema da saúde mental, a maioria das empresas ainda não prioriza essa questão em suas políticas de gestão. A auditora-fiscal do trabalho Odete Reis destacou que as fiscalizações da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) revelam que muitas organizações ainda não incorporam a saúde mental como uma prioridade. Ela afirmou que é comum que as empresas se concentrem em aspectos tradicionais da segurança ocupacional, sem considerar o impacto da organização do trabalho sobre a saúde mental dos funcionários.

A juíza do trabalho Mirella Cahú mencionou um "grande despreparo técnico" em relação à saúde mental no ambiente corporativo, uma vez que a discussão sobre esse tema ainda é recente. Ela enfatizou que muitos empregadores ainda veem o adoecimento mental como uma questão individual, sem perceber que a norma trata dos impactos causados pela própria organização do trabalho. "Estudar saúde mental é algo muito novo. Pensar tecnicamente em saúde mental do trabalho é mais novo ainda", explicou.

A procuradora do trabalho Gisela Nabuco destacou que o principal problema não é a falta de capacidade de adaptação, mas sim a falta de comprometimento na implementação das medidas necessárias. A obrigação de gerenciar riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais, já existe de forma estruturada há quatro anos. Segundo ela, a narrativa de que as empresas não estão preparadas gera concorrência desleal, pois a responsabilidade de adequação já é clara desde janeiro de 2022.


Desta forma, a atualização da NR-1 representa um avanço importante na proteção da saúde mental dos trabalhadores. No entanto, a resistência cultural e a falta de preparação técnica das empresas podem comprometer a efetividade da norma. A saúde mental deve ser uma prioridade nas políticas organizacionais, e não uma questão secundária.

Em resumo, é fundamental que as empresas se comprometam a implementar programas eficazes de gerenciamento de riscos psicossociais. A saúde mental dos colaboradores não deve ser tratada apenas como uma questão burocrática, mas sim como um aspecto central do ambiente de trabalho. A falta de ação pode levar a consequências severas tanto para os empregados quanto para as próprias organizações.

Assim, é necessário que haja uma mudança de mentalidade nas empresas, onde a saúde mental seja vista como parte integrante da saúde ocupacional. Investir em formação e conscientização sobre o tema pode ajudar a transformar essa realidade. Medidas efetivas e a valorização do bem-estar dos funcionários são essenciais para promover um ambiente de trabalho saudável.

Finalmente, o sucesso na implementação da NR-1 depende do engajamento de todos os envolvidos. As empresas que adotarem uma postura proativa em relação à saúde mental estarão não apenas cumprindo uma norma, mas contribuindo para um ambiente de trabalho mais justo e produtivo.

É importante que os colaboradores se sintam apoiados e que suas vozes sejam ouvidas. A participação ativa dos trabalhadores na formulação de políticas de saúde mental pode facilitar a criação de um ambiente mais positivo e acolhedor.

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Professor Otávio Cavalcanti Mendes

Sobre Professor Otávio Cavalcanti Mendes

Jurista constitucionalista e professor universitário de Ciência Política. Atua em tribunais superiores analisando casos complexos. Paixão profunda por leis, justiça e história global. Apreciador nato de música clássica.