EUA registram novos casos de parasita que afeta animais - Informações e Detalhes
Os Estados Unidos confirmaram nesta segunda-feira, dia 8, três novos casos de bicheira-do-novo-mundo, popularmente conhecida como mosca-da-bicheira, aumentando o total para cinco infestações desde a primeira detecção doméstica em mais de seis décadas, que ocorreu em um bezerro no Texas na semana passada.
Esse parasita é uma praga grave que pode infestar qualquer animal de sangue quente, como gado, animais de estimação e até mesmo animais selvagens, além de, em casos raros, afetar humanos. As larvas do parasita penetram os tecidos vivos dos animais, causando ferimentos severos, sofrimento e perdas econômicas consideráveis.
O Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS), parte do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), confirmou dois novos casos no Texas, um deles em um bezerro no Condado de La Salle e o outro em uma cabra no Condado de Gillespie. Um quinto caso, previamente notificado em um cachorro no Condado de Andrews, foi reclassificado como o primeiro caso detectado no Novo México, já que, embora o veterinário que relatou o caso esteja no Texas, o cachorro reside em uma casa no Condado de Lea, que faz parte do Novo México e é adjacente ao Texas.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, comunicou em uma coletiva de imprensa realizada em Kerrville, Texas, que a agência iniciará em breve a divulgação dos beneficiados por um fundo de US$ 100 milhões destinado ao desenvolvimento de tecnologias para combater essa praga, um recurso que foi anunciado no ano passado. Rollins, que estava ao lado do governador do Texas, Greg Abbott, destacou a importância da ação ao exibir cartazes com a frase "Guerra contra a mosca-da-bicheira".
Em uma reportagem anterior da Reuters, foi mencionado que centenas de veterinários e trabalhadores do setor de saúde animal do USDA deixaram a agência após demissões forçadas durante o governo Trump, o que resultou em um número reduzido de especialistas disponíveis para responder a surtos de doenças em animais. Apesar disso, Rollins garantiu que essas demissões não estariam impactando a resposta ao parasita.
O segundo caso do parasita foi confirmado na última sexta-feira, dia 5, em uma localidade próxima do primeiro surgimento nos EUA em décadas. Pecuaristas e moradores locais expressam desconfiança em relação à velocidade e abrangência da resposta do USDA, com alguns agricultores alegando que a ação é muito lenta, enquanto aqueles que já enfrentaram surtos anteriores sustentam que a situação somente abalou sua confiança na agência.
O parasita da mosca-da-bicheira não é contagioso entre os animais, pois as fêmeas adultas depositam seus ovos em feridas recentes de animais de sangue quente. As larvas se alimentam do hospedeiro, podendo causar danos a órgãos vitais ou infecções bacterianas graves, culminando em casos que podem resultar na morte do animal afetado. Além disso, a infestação representa um risco à vida selvagem e aos animais de estimação.
Veterinários nos estados do Texas, Arizona e Novo México foram instruídos a ficarem alertas para novas infecções. Na quarta-feira, a secretária de Agricultura dos EUA também alertou os donos de animais de estimação, enfatizando a importância de observar sinais de desconforto, feridas abertas ou a presença de larvas e ovos nas proximidades de orifícios do corpo.
Embora os casos em humanos sejam raros, a infecção pode ser fatal. O último registro de uma pessoa nos EUA que contraiu a infecção por moscas-varejeiras ocorreu em agosto em Maryland, quando um viajante que esteve fora do país foi afetado, mas se recuperou completamente.
A secretária Brooke Rollins reiterou que, atualmente, a ameaça para a saúde humana é extremamente baixa e que a mosca-varejeira não representa riscos à segurança alimentar, mas enfatizou que “sem dúvida, esta é uma ameaça muito séria para o nosso gado”. Os indivíduos com maior risco de contrair a bicheira-do-novo-mundo são aqueles que trabalham com gado ou animais de sangue quente em áreas onde as moscas estão presentes, além de pessoas que passam longos períodos ao ar livre, especialmente à noite.
Pessoas com problemas de saúde que resultam em sangramentos ou feridas abertas também estão mais suscetíveis a infecções. Qualquer ferida, mesmo pequenas rupturas na pele, como arranhões ou picadas de inseto, podem atrair as moscas, conforme alertam os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
Recentemente, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA começou a permitir o uso emergencial de medicamentos para tratar ou prevenir infestações em animais. Um carregamento desse tratamento está a caminho do sul do Texas, conforme informado por Rollins na quarta-feira. O USDA também criou novos protocolos de monitoramento, testes e quarentena em resposta à propagação do surto por países da América Central e do Sul.
Em maio de 2025, a agência suspendeu a importação de animais vivos pelos portos de entrada dos EUA ao longo da fronteira sul e posicionou cães farejadores na fronteira com o México, capazes de detectar a bicheira-do-novo-mundo. Além disso, equipes foram enviadas para o México e Panamá com o objetivo de aumentar a produção de moscas estéreis. O governo dos EUA destinou US$ 750 milhões para a construção de uma instalação no Texas, que produzirá centenas de milhões de moscas estéreis por semana, com previsão de inauguração no próximo ano.
Desta forma, a situação atual do surto de bicheira-do-novo-mundo nos EUA exige atenção redobrada das autoridades sanitárias e dos pecuaristas. A resposta do USDA, embora esteja sendo criticada por sua lentidão, é crucial para prevenir a disseminação desse parasita ameaçador.
A falta de confiança dos agricultores na agência é um sinal claro de que medidas mais eficazes precisam ser implementadas. Investimentos em protocolos de monitoramento e tecnologias de controle são indispensáveis para proteger a saúde dos animais e a economia rural.
Além disso, a conscientização dos proprietários de animais e a educação sobre os riscos associados ao parasita são fundamentais. Os veterinários devem ser capacitados para identificar rapidamente os sinais de infecção e agir de forma proativa.
Por fim, é essencial que os governos federal e estaduais trabalhem em conjunto para garantir que os recursos sejam alocados de maneira adequada. O fortalecimento das estratégias de resposta e prevenção pode contribuir significativamente para mitigar os impactos dessa praga.
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