Modelo que alega ter sido agredida por Kanye West relata experiência traumática em podcast
10 JUN

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Cotidiano
Helena Vieira Martins Por Helena Vieira Martins - Há 18 dias
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Uma modelo que afirma ter sido agredida pelo rapper Kanye West, agora conhecido como Ye, em um set de gravação, compartilhou sua experiência em um podcast da BBC. Jennifer An, ex-participante do programa America's Next Top Model, alega que o incidente ocorreu em 2010 durante as filmagens de um clipe musical. Em sua narrativa, An descreveu como se sentiu "sufocada, insegura e assustada" diante da situação que vivenciou.

No podcast Fame Under Fire, An relatou que, durante as filmagens, West a agarrou pelo pescoço e colocou os dedos em sua boca, simulando uma situação de sexo oral. A defesa do rapper não nega que o incidente ocorreu, mas argumenta que foi parte de uma "performance teatral provocativa", tentando emular uma cena do filme American Psycho.

West, que se tornou uma figura polêmica nos últimos anos devido a suas declarações ofensivas e comportamentos erráticos, já pediu desculpas por suas atitudes, atribuindo parte de seu comportamento a diagnósticos anteriores de autismo e transtorno bipolar. Essa situação gera ainda mais repercussão, dado o histórico de West com comentários considerados antissemitas e sua recente polêmica com produtos que fazem alusão a Hitler.

Na época do incidente, An estava com 24 anos e sua carreira estava em ascensão após sua participação no reality show. Ela conta que, ao chegar ao Chelsea Hotel, onde o clipe estava sendo filmado, ficou surpresa ao ver que West teria um papel no projeto, pois não tinha conhecimento de sua presença no set. Assim que ele chegou, a equipe de filmagem ficou agitada, preparando-se para sua entrada.

Segundo An, os modelos foram alinhados no corredor para a chegada de West, que rapidamente escolheu três garotas para participar da cena, incluindo ela. Durante a filmagem, ela percebeu que West estava desorientado e não conseguia lembrar suas falas, o que o levou a interromper a gravação e mudar de cena.

No entanto, An afirma que, quando a música começou a tocar e as câmeras estavam ligadas, West a agarrou de forma brusca, e ela se viu sem saber como reagir. Ela descreve o momento como "errado", e afirmou que a equipe de produção presente no set não interveio, permanecendo em silêncio, observando a situação.

O episódio só terminou quando West se levantou abruptamente, afirmando que tinha feito arte e se comparando a Picasso. Ao ser questionada se tentou interrompe-lo, An afirmou que estava paralisada, com medo de perder o emprego, e sentiu-se incapaz de agir. A experiência foi tão traumática que, após o ocorrido, An procurou a cantora La Roux, que também estava no set, para expressar sua preocupação.

Embora West não tenha aparecido na versão final do clipe da música In For The Kill, ele participou de um remix da canção. Recentemente, An entrou com uma ação judicial contra West, amparada pela Lei de Proteção à Violência Motivada pelo Gênero de Nova York, que estende o prazo de prescrição para sobreviventes de agressões sexuais.


Desta forma, o relato de Jennifer An sobre a agressão que sofreu é um alerta sobre a necessidade de proteção e respeito em ambientes de trabalho, especialmente na indústria do entretenimento. A forma como as situações de abuso são tratadas e a falta de intervenção por parte de testemunhas são preocupantes e revelam uma cultura que ainda precisa ser enfrentada.

Além disso, é fundamental que as vítimas se sintam seguras para denunciar abusos sem medo de represálias. O caso de An destaca a importância de legislações que assegurem os direitos de quem sofreu violência de gênero, promovendo um ambiente onde as mulheres possam trabalhar sem medo.

Por fim, a reação de Kanye West e de sua equipe de defesa, que tenta caracterizar a agressão como uma performance artística, levanta questões sobre a responsabilidade dos artistas e a proteção dos profissionais envolvidos em suas produções. O que se espera da indústria é um compromisso com a segurança e o bem-estar de todos os trabalhadores.

Assim, é essencial que a sociedade continue a debater e a educar sobre a importância do consentimento e do respeito nas relações interpessoais. A cultura do silêncio não pode mais prevalecer, e cada relato como o de An deve ser ouvido e tratado com seriedade.

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Helena Vieira Martins

Sobre Helena Vieira Martins

Graduanda em Sociologia, analisa os fenômenos do cotidiano das grandes metrópoles brasileiras. Paixão por fotografia de rua e cinema clássico europeu. Adora fazer trekking e trilhas longas em parques nacionais.