Perigos do excesso de chuvas na piscicultura: cuidados essenciais para evitar perdas
08 FEV

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Economia
Bianca Teles Fonseca Por Bianca Teles Fonseca - Há 2 meses
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As chuvas intensas podem causar sérios problemas na piscicultura, impactando diretamente a saúde dos peixes e a produtividade dos criadores. Quando há um acúmulo excessivo de água, a temperatura nos tanques tende a cair, o que pode dificultar o manejo adequado dos peixes. A oxigenação da água, que deve ser mantida acima de 4,5 mg/L, é um dos principais fatores a serem monitorados. Quando esse nível cai, os peixes perdem o apetite e, em casos extremos, podem até morrer.

Além disso, a alimentação dos peixes torna-se uma preocupação, já que as chuvas podem afetar a temperatura da água, dificultando o manejo e aumentando os custos de produção. O piscicultor deve estar atento a essas mudanças climáticas, especialmente em regiões onde a piscicultura é realizada em tanques a céu aberto, como é o caso de grande parte do Brasil, conforme aponta a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Em Regente Feijó, São Paulo, um piscicultor chamado Rafael Mazzucchelli gerencia mais de um milhão de tilápias. Ele utiliza dois sistemas distintos em seus tanques: o RAS, que é coberto, e tanques escavados a céu aberto. Cada tanque possui capacidade para cerca de 30 mil litros de água e pode suportar até 700 quilos de peixes. O cuidado com a oxigenação da água é vital, pois quando os níveis estão adequados, os peixes crescem de maneira saudável.

A alimentação é outro aspecto que requer atenção redobrada. A interação entre a ração e os peixes é observada cuidadosamente pelo piscicultor, que busca identificar como os animais estão se comportando e se a sua saúde está comprometida. O ponto de abate das tilápias geralmente inicia com 730 gramas, sendo que o ideal é que cheguem a um quilo, o que garante filés de melhor qualidade.

Haroldo Takahashi, zootecnista e proprietário de um pesqueiro em Presidente Prudente, realiza o monitoramento diário dos tanques. Ele utiliza um oxímetro para verificar a oxigenação da água, que deve ser mantida acima de 4,5 mg/L. A atenção ao clima, ao manejo e à qualidade da água é fundamental para minimizar os riscos e manter a produção em níveis adequados, independentemente de as instalações serem abertas ou fechadas.

Desta forma, é evidente que o cuidado com a piscicultura deve ser intensificado em períodos de chuvas intensas. A manutenção da qualidade da água e a oxigenação são critérios essenciais para garantir a saúde dos peixes. As perdas financeiras que podem ocorrer devido à falta de atenção a esses fatores são significativas e podem impactar a subsistência de muitos produtores.

Além disso, é importante que os piscicultores se mantenham atualizados sobre as melhores práticas de manejo e adaptem suas estratégias conforme as condições climáticas. A capacitação e a troca de experiências entre profissionais do setor podem contribuir para a mitigação dos efeitos negativos das chuvas.

As tecnologias de monitoramento, como o uso de oxímetros e sistemas de alerta climático, devem ser adotadas para auxiliar na tomada de decisões. O investimento em infraestrutura, como tanques cobertos, pode também ser uma alternativa viável para proteger a produção em situações de clima adverso.

Por fim, a colaboração entre os piscicultores e as instituições de pesquisa é essencial para desenvolver soluções que aumentem a resiliência do setor frente às mudanças climáticas. A pesquisa e a inovação podem proporcionar novos caminhos para a sustentabilidade da piscicultura brasileira.

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Bianca Teles Fonseca

Sobre Bianca Teles Fonseca

Mestre em Economia Aplicada ao Desenvolvimento. Atua analisando o impacto do agronegócio no PIB e as exportações brasileiras. Paixão por análise de dados e projeções. Estuda piano clássico desde a infância como hobby.