Aumento de denúncias de crédito consignado não solicitado no INSS chega a 113% em 2025
05 FEV

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Economia
Arthur Jamil Penna Por Arthur Jamil Penna - Há 2 meses
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As denúncias relacionadas a empréstimos consignados não contratados por beneficiários do INSS aumentaram 113% em 2025. Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram registradas 19.888 reclamações no portal Consumidor.gov. Em 2024, esse número era de 9.319 reclamações. Esse tipo de reclamação representa 25,7% do total de queixas feitas pelos segurados do INSS na mesma plataforma, especificamente sobre crédito consignado.

Além dos empréstimos não solicitados, outro foco de reclamações de aposentados e pensionistas são os cartões de crédito consignado que também foram emitidos sem solicitação. Um exemplo é a RMC (Reserva de Margem Consignável), que permite que um valor mínimo seja descontado diretamente da aposentadoria ou pensão do segurado após a contratação do empréstimo. Desde 2019, foram registradas mais de 111 mil reclamações sobre esses temas, das quais 11,8 mil referem-se a cartões que não foram solicitados, sendo que mais de 3 mil ocorreram apenas no último ano.

Os empréstimos consignados, que têm desconto direto na folha de pagamento, foram criados para facilitar o acesso ao crédito para os segurados do INSS. Contudo, o Instituto não recebe remuneração por esse serviço e, ainda assim, arca com custos para sua implementação. Recentemente, em janeiro, o INSS firmou um acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) para reiniciar a cobrança de valores das instituições financeiras que oferecem esses empréstimos vinculados aos benefícios do INSS. Essa cobrança, que está prevista em lei, não era realizada desde 2022, mas agora, com a nova medida, espera-se que o INSS receba R$ 148,4 milhões.

Como resolver o problema das fraudes nos consignados?

Para enfrentar o aumento das denúncias sobre empréstimos consignados não contratados, é fundamental implementar uma série de medidas que visem proteger os beneficiários do INSS. Uma das medidas mais urgentes é a criação de um sistema de verificação mais rigoroso para a autorização de empréstimos. Isso poderia ajudar a evitar que contratos sejam feitos sem o consentimento dos segurados.

Outra solução seria a intensificação da fiscalização por parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Por meio de ações de combate a fraudes, seria possível identificar e punir instituições financeiras que estejam atuando de maneira irregular, garantindo maior segurança aos aposentados e pensionistas.

Além disso, é essencial que os beneficiários do INSS estejam mais informados sobre seus direitos e sobre como funcionam os empréstimos consignados. Campanhas educativas podem auxiliar na conscientização sobre os riscos de contratações indevidas e como proceder caso se sintam lesados.

Por fim, a colaboração entre o INSS e as instituições financeiras deve ser reforçada. Um diálogo constante pode facilitar a resolução de problemas e a troca de informações sobre fraudes, resultando em um ambiente mais seguro para os segurados.

Portanto, a combinação de medidas de prevenção, fiscalização e educação é crucial para minimizar os impactos das denúncias de consignados não contratados e proteger os direitos dos beneficiários do INSS.

Opinião da Redação: O crescimento alarmante das denúncias de crédito consignado não contratado evidencia a fragilidade do sistema de proteção ao consumidor, especialmente entre os segurados do INSS. É imprescindível que as autoridades competentes adotem medidas enérgicas para coibir essa prática abusiva que afeta principalmente os mais vulneráveis, como aposentados e pensionistas. A falta de informação e a complexidade dos contratos muitas vezes deixam os segurados à mercê de fraudes. Assim, a necessidade de campanhas educativas não pode ser subestimada, pois o empoderamento do consumidor é uma das chaves para a proteção dos direitos individuais. Além disso, a colaboração entre os órgãos reguladores e as instituições financeiras deve ser intensificada, visando a transparência e a responsabilidade na concessão de crédito. A retomada da cobrança de valores de instituições financeiras pelo INSS é um passo importante, mas deve ser acompanhada de um compromisso real com a segurança dos dados e a ética nas relações de consumo. É fundamental que o governo e o sistema financeiro se unam em prol de um ambiente mais seguro e justo, onde os beneficiários possam acessar o crédito de forma consciente e informada.

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Arthur Jamil Penna

Sobre Arthur Jamil Penna

Economista comportamental mestre em Hábitos de Consumo. Atua auxiliando famílias no planejamento financeiro estratégico. Paixão pela psicologia econômica. Pratica aeromodelismo clássico no tempo livre aos fins de semana.