Pesquisa aponta que 70% da população vê relação entre Lula e Congresso como de confronto
17 MAI

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Política
Thiago Ferreira Martins Por Thiago Ferreira Martins - Há 7 dias
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Uma nova pesquisa realizada pelo Datafolha revela que 70% da população brasileira considera a relação entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional marcada mais pelo confronto do que pela colaboração. Apenas 20% dos entrevistados acreditam que existe mais cooperação entre os dois poderes, enquanto 2% não enxergam nem um tipo de relação e 8% não souberam responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios do país, foi realizado nos dias 12 e 13 de setembro e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00290/2026. A maioria das entrevistas ocorreu antes da divulgação de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que solicitou recursos financeiros a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A percepção negativa da população sobre a relação entre o Executivo e o Legislativo parece refletir os conflitos recorrentes observados durante o atual mandato de Lula. Os embates atingiram um ponto crítico no final de abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde 2023, o Congresso tem imposto diversas derrotas ao governo, como a retirada de atribuições das pastas de Meio Ambiente e Povos Indígenas.

No ano de 2024, os parlamentares barraram vetos relacionados a legislações sobre a redução de penas para presos e ao chamado "PL do Veneno", que trata de agrotóxicos. Em 2025, foram frustradas tentativas do governo de alterar as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além da reprovação de uma medida provisória que visava aumentar impostos. Em resposta a essas ações, o governo e o Partido dos Trabalhadores (PT) têm se manifestado nas redes sociais, utilizando o slogan "Congresso Inimigo do Povo".

Em contrapartida, Lula obteve algumas vitórias no Legislativo, incluindo a aprovação de uma reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000. O presidente também firmou um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para avançar com uma proposta que elimina a escala de trabalho 6x1, considerada crucial para a campanha do petista.

Entre os 70% que consideram a relação mais conflituosa, 89% avaliam isso como negativo para o Brasil, enquanto apenas 10% veem um aspecto positivo. Do grupo que enxerga mais cooperação, 58% afirmam que a relação é benéfica, enquanto 38% a consideram negativa.

No cenário atual, Lula busca fortalecer laços com Motta e minimizar os efeitos da crise com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), especialmente após o veto à nomeação de Messias. O objetivo é avançar com propostas, como a votação da proposta que extingue a escala 6x1, prevista ainda para este mês na Câmara. No Senado, há também a intenção de aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) voltada para a Segurança Pública, que se encontra parada no momento.

A pesquisa revelou uma avaliação negativa em relação ao Congresso, com 37% dos entrevistados considerando o trabalho de deputados e senadores como ruim ou péssimo, enquanto apenas 15% o veem como ótimo ou bom. A maior parte, 43%, classifica o desempenho do Legislativo como regular. Essa insatisfação é refletida em comparação com a pesquisa realizada em dezembro do ano passado, embora tenha permanecido estável em relação ao início de março, quando 39% consideravam o Legislativo ruim ou péssimo.

O descontentamento com o Congresso é percebido de maneira semelhante entre eleitores de diferentes espectros políticos, tanto entre apoiadores de Bolsonaro quanto de Lula. Entre os que se identificam com a primeira figura, 15% consideram o trabalho do Congresso bom ou ótimo, 43% o veem como regular e 37% como ruim ou péssimo. Entre os petistas, a divisão é de 17%, 40% e 37%, respectivamente.

O descontentamento em relação aos parlamentares é mais evidente entre brasileiros de classes sociais intermediárias e com maior nível de instrução. A avaliação positiva do Legislativo atinge 21% entre empresários e pessoas que completaram o ensino fundamental. Por outro lado, a avaliação negativa se eleva a 47% entre funcionários públicos, 43% entre cidadãos com mais de 60 anos, 34% entre mulheres e 31% entre evangélicos.

Recentemente, o escândalo envolvendo o Banco Master e dois senadores, Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira (PP-PI), trouxe novas tensões à política brasileira. Flávio admitiu ter se comunicado com Vorcaro em 2025 para discutir o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, enquanto Nogueira é suspeito de ter recebido pagamentos mensais do banco, o que ele nega. Apesar da gravidade das acusações, o presidente do Senado, Alcolumbre, decidiu não prosseguir com a proposta de criação de uma CPI sobre o Banco Master.


Desta forma, a pesquisa do Datafolha revela um cenário preocupante sobre a relação entre o governo e o Congresso, onde a percepção de confronto predomina. Essa realidade reflete a desconfiança do eleitorado em relação à capacidade dos parlamentares de atender às demandas da população. Além disso, o descontentamento com a atuação do Legislativo pode resultar em consequências negativas para a governabilidade do país.

A análise dos dados mostra que a insatisfação é ampla, atingindo diversos grupos sociais e políticos. O fato de que a avaliação negativa do Congresso é especialmente pronunciada entre cidadãos mais instruídos e de classes sociais intermediárias indica uma desconexão entre as elites e a classe política. Essa distância pode dificultar a construção de um diálogo eficaz entre os poderes.

Portanto, é essencial que tanto o governo quanto o Congresso busquem formas de estabelecer uma comunicação mais efetiva, visando à cooperação em detrimento do conflito. As constantes derrotas legislativas enfrentadas pelo governo Lula sinalizam que o atual modelo de interação entre os poderes precisa ser revisado, promovendo um ambiente de maior parceria.

Finalmente, a busca por soluções que envolvam a participação ativa da sociedade civil no processo político pode ser um caminho interessante. A transparência nas ações do Congresso e a promoção de um diálogo aberto entre os cidadãos e os representantes políticos são fundamentais para reverter a percepção negativa que prevalece atualmente.

É importante que a população se mantenha informada sobre as ações do governo e do Legislativo, além de participar ativamente do debate político. Ao se engajar, os cidadãos podem contribuir para a construção de um ambiente político mais colaborativo e produtivo.

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Thiago Ferreira Martins

Sobre Thiago Ferreira Martins

Especialista em Comunicação Política com pós-graduação em Gestão de Crise. Atua em consultorias de imagem institucional. Paixão por retórica e persuasão. Seu hobby relaxante favorito é a pesca esportiva de rio.