Polícia Civil investiga produtora de 'Dark Horse' e outras quatro empresas por supostas fraudes
01 JUN

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Política
Bruno Kleber Santos Por Bruno Kleber Santos - Há 2 horas
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A Polícia Civil de São Paulo realizou, na última segunda-feira (1º), uma operação para investigar a produtora do filme "Dark Horse" e outras quatro empresas, suspeitas de envolvimento em fraudes com dinheiro público. A investigação apura se o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, usou notas fiscais falsas para justificar despesas pagas pela Prefeitura de São Paulo.

Segundo informações do inquérito, a operação buscou evidências de desvio de verba pública, com foco em faturas emitidas pela empresa Make One Lab, que somam R$ 8,5 milhões. Essas faturas foram destacadas por apresentarem características suspeitas, como numeração sequencial e datas de emissão e vencimento idênticas, além de valores fracionados de forma artificial. Tais elementos levantam a hipótese de que houve montagem documental para justificar despesas indevidas.

A investigação também identificou outra operação irregular relacionada a notas fiscais que foram canceladas após a emissão. As empresas Complexsys Soluções Integradas e JR Feijão estão envolvidas nesse caso, totalizando R$ 2,4 milhões em notas fiscais canceladas que foram apresentadas pelo ICB em suas contas com a prefeitura.

A Polícia Civil afirma que há indícios de "desvio de finalidade e confusão patrimonial" entre o instituto e a produtora, que está ligada ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção do filme ganhou notoriedade após a empresária Karina Ferreira da Gama se relacionar com o deputado federal Mário Frias, que atuou como secretário da Cultura no governo Bolsonaro e também está associado ao projeto.

Conforme documentos oficiais, a Complexsys recebeu R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril deste ano, a título de serviços de apoio ao escritório parlamentar. O deputado não se manifestou sobre a relação com os negócios de Gama, que também não respondeu aos contatos da imprensa.

Além da Make One Lab, outras duas empresas, Urban Connect e Ultra IP, foram mencionadas na investigação. Elas foram contratadas pelo ICB para instalar pontos de wi-fi, mas a Polícia Civil aponta que o contrato foi estabelecido a um preço muito superior ao praticado por outros serviços semelhantes. O custo por ponto de wi-fi com o ICB foi de R$ 1.800, enquanto a Prodam, empresa pública ligada à prefeitura, realiza serviços similares por R$ 230 para instalação e R$ 306 de manutenção mensal.

A prefeitura, por sua vez, defende que a contratação do ICB seguiu normas de legalidade e transparência, afirmando que, entre os 3.200 pontos de wi-fi contratados, apenas 52 estavam fora de operação para manutenção no momento da operação policial.


Desta forma, a investigação da Polícia Civil sobre a produtora de "Dark Horse" e as empresas envolvidas destaca um problema significativo na gestão de verbas públicas. A utilização de notas fiscais falsas, além de ser crime, compromete a transparência na aplicação de recursos destinados ao bem público.

A presença de indícios de fraude, como as faturas suspeitas e as notas fiscais canceladas, revela a necessidade de um controle mais rigoroso sobre a prestação de contas de contratos públicos. A sociedade deve estar atenta e exigir esclarecimentos e responsabilidades, especialmente em tempos em que a confiança nas instituições é fundamental.

Além disso, é importante que a Receita Federal e outros órgãos de fiscalização atuem de maneira colaborativa, para garantir que práticas fraudulentas sejam coibidas e que os responsáveis sejam punidos. Assim, a integridade do processo administrativo e financeiro é essencial para a credibilidade das instituições públicas.

Por fim, o caso também leva à reflexão sobre a importância de investir em tecnologia e serviços essenciais de forma transparente e eficiente. A população merece saber que o dinheiro público está sendo bem utilizado, e que os serviços contratados são de qualidade e com preços justos.

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Bruno Kleber Santos

Sobre Bruno Kleber Santos

Graduando em Ciência Política, focado em relações exteriores e geopolítica da América Latina. Atua em canais de debate para o público jovem. Paixão por geografia humana. Seu refúgio favorito de fim de semana é o surf.