Política de Vistos nos EUA Impacta Turistas e Setor Hoteleiro Durante a Copa do Mundo
10 JUN

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Cotidiano
Patrícia Soares Rocha Por Patrícia Soares Rocha - Há 2 horas
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A Copa do Mundo de Futebol, que se inicia na próxima quinta-feira, já apresenta um impacto negativo significativo no setor hoteleiro dos Estados Unidos. As 11 cidades-sede do país enfrentam uma queda nas taxas de ocupação, que não se compara às cidades no México e no Canadá, que também são anfitriões do torneio. Este cenário preocupante se deve, em grande parte, à política restritiva de vistos e imigração implementada durante o governo de Donald Trump.

As medidas adotadas pelo governo Trump têm afastado torcedores de futebol de países que são alvo de restrições. Como resultado, muitos deles estão optando por viajar para o México e o Canadá, que apresentam uma experiência de entrada muito mais acessível. Das 48 seleções que participarão do torneio, delegações como a do Haiti e do Irã enfrentam proibições de entrada nos EUA, enquanto Costa do Marfim e Senegal enfrentam restrições parciais.

Além disso, algumas seleções estão adiando suas viagens devido às dificuldades na obtenção de vistos. O impacto das políticas de imigração se torna ainda mais evidente quando se observa que, apesar do torneio ainda não ter começado, já ocorreram incidentes que chamam a atenção. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado um dos melhores da África pela Fifa, teve sua entrada negada após ser interrogado por 11 horas pelas autoridades de imigração, o que o impossibilitará de atuar na Copa.

Outro exemplo é o atacante iraquiano Aymen Hussein, que foi retido por sete horas no Aeroporto Internacional O'Hare, em Chicago, devido a um erro de identificação. A situação se torna cada vez mais desestimulante para os turistas, que temem enfrentar um processo rigoroso de segurança e, possivelmente, deportação ao tentar entrar no país.

De acordo com um estudo da empresa CoStar, as cidades canadenses de Vancouver e as mexicanas de Guadalajara estão se destacando, com aproximadamente 48% de suas vagas de hotéis já preenchidas, enquanto as cidades americanas não alcançam nem 40% de ocupação, com exceção de Los Angeles. Uma pesquisa realizada pela Associação de Hotéis e Hospedagem (AHLA) revelou que cerca de 80% dos proprietários de hotéis nos EUA estão insatisfeitos com o número de reservas, que ficou abaixo do esperado.

Setenta por cento dos entrevistados atribuíram essa baixa procura às restrições de vistos e às preocupações geopolíticas atuais. A presidente da AHLA, Rosanna Maietta, destacou que fatores como o alto custo de ingressos e transporte também têm contribuído para desestimular os turistas. Os impactos dessa política de imigração começaram a ser notados já no início do segundo mandato de Trump, quando foram impostas proibições a cidadãos de 39 países e a suspensão de vistos de imigração para 75 nações.

Essa situação gerou um cenário complicado para a Fifa, que deve lidar com a ineficácia de suas tentativas de contornar as barreiras impostas pelo governo dos EUA. A expectativa é que tanto os EUA quanto a Fifa se esforcem para proporcionar uma experiência mais acolhedora aos viajantes internacionais, a fim de reverter essa tendência negativa.

Desta forma, a política restritiva de vistos implementada no governo Trump gera consequências diretas no turismo durante a Copa do Mundo. A baixa taxa de ocupação dos hotéis nas cidades-sede é um reflexo da desconfiança e das dificuldades enfrentadas pelos visitantes. É necessário que o governo americano reavalie suas políticas para garantir um ambiente mais receptivo.

Em resumo, a combinação de restrições severas e a hostilidade percebida nas fronteiras têm desestimulado a chegada de turistas, que buscam alternativas em países vizinhos. Isso não só afeta o setor hoteleiro, mas também a imagem dos EUA como destino turístico. A experiência do visitante deve ser priorizada.

Assim, é fundamental que ações sejam tomadas para facilitar a entrada de estrangeiros e garantir que a Copa do Mundo seja um evento acessível a todos. A gestão eficaz do fluxo de turistas pode representar uma oportunidade significativa para o setor hoteleiro, que já enfrenta desafios consideráveis.

Finalmente, a colaboração entre as autoridades de imigração e a Fifa é essencial para criar um ambiente favorável e acolhedor. A realização de eventos esportivos de grande porte deve ser uma chance de promover o turismo e a cultura, não um obstáculo.

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Patrícia Soares Rocha

Sobre Patrícia Soares Rocha

Antropóloga com foco em cultura popular e tradições brasileiras. Atua pesquisando costumes rurais e folclore regional. Paixão por literatura nacional contemporânea. Dedica-se ao bordado livre artesanal nas horas vagas.