Professor brasileiro relata experiência durante ataque a tiros em escola no Canadá
11 FEV

Carta Branca - As notícias de último minuto estão sempre aqui. Fique por dentro!

SAIBA MAIS
Cotidiano
Patrícia Soares Rocha Por Patrícia Soares Rocha - Há 2 meses
5806 4 minutos de leitura

Um professor brasileiro, Jarbas Noronha, foi uma das testemunhas do trágico ataque a tiros que ocorreu em uma escola do Canadá. Ele leciona mecânica automotiva e marcenaria na Tumbler Ridge Secondary School, localizada em uma pequena cidade da Colúmbia Britânica. No momento do atentado, Noronha estava ensinando para alunos do 12º ano quando recebeu o alerta sobre a situação de emergência e decidiu trancar todas as portas da sala.

Após o alerta, Jarbas e seus alunos passaram duas horas em estado de apreensão, aguardando a liberação da polícia. "Nunca pensei que iria usar o Facebook para avisar que estou bem. Não desejo a nenhuma criança em idade escolar passar pelo que meus alunos passaram hoje. Estamos todos processando o que ocorreu", lamentou o professor em um post na rede social.

No dia do ataque, um de seus alunos foi quem trouxe a primeira notícia sobre os tiros. O estudante havia ido ao estacionamento para pegar seu carro e se apressou de volta à sala, afirmando ter ouvido disparos. Pouco tempo depois, a diretora da escola emitiu um aviso de "lockdown", instruindo todos a se protegerem.

Jarbas contou que, mesmo estando distante da entrada principal, a turma se mobilizou para montar barricadas com móveis, como mesas e bancos de metal, para garantir a segurança de todos. Desde que se mudou para o Canadá em 2022, Jarbas tem trabalhado nessa escola e notou que muitos moradores da região são caçadores e possuem armas em casa.

Ainda não há previsão para o retorno das aulas na Tumbler Ridge Secondary School. O professor acredita que muitos alunos precisam de mais tempo para se recuperar do trauma vivido. "A diretora se comprometeu a avisar quando as aulas serão retomadas por e-mail", informou.

O ataque, que é um dos mais mortais registrados na história do Canadá, ocorreu no dia 10 de fevereiro de 2026. Durante o incidente, a atiradora, identificada como Jesse Strang, uma estudante de 18 anos da escola, abriu fogo, resultando na morte de seis pessoas dentro da instituição e duas em uma casa próxima. A autora dos disparos foi encontrada morta no local, com indícios de suicídio, segundo a polícia.

A cidade de Tumbler Ridge, que possui aproximadamente 2 mil habitantes, ficou em choque com a tragédia, uma vez que tiroteios em escolas são eventos extremamente raros no Canadá, ao contrário dos Estados Unidos. As leis canadenses sobre a posse de armas são bem mais rigorosas, exigindo licenças específicas e medidas de segurança como manter as armas trancadas e descarregadas.

Nos últimos anos, o governo canadense, sob a liderança do ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, tem implementado uma série de restrições à posse de armas, especialmente pistolas e fuzis, como resposta a tiroteios em outros países. No entanto, iniciativas para proibir certos tipos de armas enfrentaram resistência de grupos de caçadores e agricultores.

Os ataques a tiros em escolas ainda são um tema delicado e a sociedade continua debatendo sobre como garantir a segurança dos estudantes. A situação em Tumbler Ridge serve como um lembrete doloroso de que a violência pode ocorrer em qualquer lugar, e a comunidade busca maneiras de se recuperar e se proteger no futuro.

Desta forma, a tragédia em Tumbler Ridge ilustra a necessidade urgente de um debate mais profundo sobre a segurança em instituições de ensino. O ocorrido não apenas afetou os estudantes e funcionários da escola, mas também toda uma comunidade que viveu momentos de terror e incerteza.

A resposta das autoridades locais e a estrutura de suporte emocional para os afetados devem ser prioridades imediatas. É crucial que as escolas sejam ambientes seguros e protegidos, e isso exige uma revisão das políticas de segurança e saúde mental.

Em resumo, o caso demonstra que, apesar das rígidas leis sobre armas no Canadá, ainda existem lacunas que precisam ser abordadas. A implementação de medidas que garantam a segurança nas escolas deve ser uma responsabilidade compartilhada entre o governo, as instituições e a sociedade.

Finalmente, é essencial que a comunidade se una para apoiar os alunos e suas famílias, promovendo espaços de diálogo e recuperação. Somente assim será possível superar esta tragédia e buscar soluções que evitem que episódios similares ocorram no futuro.

Gostou dessa notícia? Você pode compartilhá-la com seus amigos!

Patrícia Soares Rocha

Sobre Patrícia Soares Rocha

Antropóloga com foco em cultura popular e tradições brasileiras. Atua pesquisando costumes rurais e folclore regional. Paixão por literatura nacional contemporânea. Dedica-se ao bordado livre artesanal nas horas vagas.