Raquel Lyra defende maior participação feminina na política em entrevista
11 FEV

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Política
Bruno Kleber Santos Por Bruno Kleber Santos - Há 2 meses
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O Brasil tem apenas duas governadoras em exercício, um dado que reflete a baixa representatividade das mulheres na política nacional. Durante uma entrevista ao programa Bastidores CNN, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, destacou a importância de aumentar a participação feminina nos espaços de poder e decisão política. Ela afirmou: "A gente tem uma das piores representações do mundo na política. O nosso parlamento é um parlamento de homens".

Lyra argumentou que a presença de mulheres na política é crucial para a criação de políticas públicas mais inclusivas, que atendam às necessidades específicas tanto das mulheres quanto das famílias. Para ilustrar sua posição, a governadora mencionou algumas iniciativas que foram implementadas durante sua gestão. "Precisou eu ser governadora de Pernambuco para dizer que uma mulher em Pernambuco não precisaria andar todos os dias 33 mil quilômetros para ter direito a ter seu bebê. Inaugurei um hospital da mulher e vou inaugurar mais quatro em Pernambuco", revelou.

Entre as ações que a governadora destacou, está o programa "Mães de Pernambuco", que atende cerca de 100 mil mulheres em situação de extrema pobreza com filhos pequenos, oferecendo um auxílio mensal de R$ 300. Segundo Lyra, essas beneficiárias têm prioridade na obtenção de vagas de trabalho, qualificação profissional e acesso à habitação.

A governadora também enfatizou a importância da educação, mencionando que a construção de creches é uma prioridade de seu governo. "Precisou estar uma mulher aqui no nosso estado como governadora para dizer que ia ter uma política de creches, para garantir que nós saíssemos da pior cobertura de creches do Nordeste brasileiro para construir 60 mil vagas de creches", afirmou.

No que diz respeito à moradia, Lyra destacou que seu governo já entregou 22 mil casas em Pernambuco, com pelo menos 60% dessas unidades destinadas a mulheres, incluindo mais de 18 mil escrituras públicas em nome feminino.

Em relação aos desafios enfrentados pelas mulheres na política, a governadora criticou a falta de regras dentro dos partidos políticos que garantam a participação efetiva das mulheres nas decisões. Ela apontou que as cotas partidárias muitas vezes são apenas um meio de cumprir requisitos legais para acessar recursos financeiros, sem um compromisso genuíno com a representatividade feminina. "A gente não tem regramentos dentro de partidos para garantir participação mais efetiva de mulheres nos núcleos de decisão. Sobre as cotas partidárias para garantir mulheres e receber um recurso de fundo eleitoral, muitas vezes o que mais se preocupa é como vai anistiar os partidos que não cumpriram", criticou.

Lyra também reconheceu a responsabilidade que sente, não apenas com sua geração, mas especialmente com as novas gerações de mulheres que podem se inspirar e ocupar espaços de poder. "Eu sei que tenho uma responsabilidade gigante, não só com a minha geração, mas, sobretudo, com novas gerações que possam compreender que podem ocupar qualquer espaço. Eu sei que eu sirvo de referência para isso e, para mim, é uma responsabilidade enorme", disse.

A governadora finalizou sua fala ressaltando que a trajetória das mulheres na política é repleta de desafios. "É dolorido, a gente sofre, leva muito mais pancada do que qualquer homem, tem que fazer muito mais entrega do que qualquer homem, mas quando alguém me diz que se sente representada por mim, quando a mulher me fala sobre isso, aí vale tudo a pena".

Desta forma, a fala da governadora Raquel Lyra destaca um problema estrutural na política brasileira: a sub-representação feminina. A situação atual não apenas limita o potencial de liderança das mulheres, mas também prejudica a formulação de políticas que atendam às necessidades específicas da população feminina. Assim, a implementação de regras mais rigorosas nas siglas partidárias é essencial para garantir a presença de mulheres em espaços decisórios.

Além disso, os programas sociais como "Mães de Pernambuco" e a construção de creches são exemplos de como a liderança feminina pode impactar positivamente a vida de muitas famílias. Investir na capacitação e na inclusão das mulheres no mercado de trabalho é uma estratégia eficaz para combater a desigualdade social. Em resumo, é crucial que as políticas públicas sejam desenhadas com a participação ativa de mulheres, pois isso resulta em ações mais efetivas e abrangentes.

Por fim, a resistência enfrentada por mulheres na política é um reflexo de uma cultura que ainda precisa evoluir. As críticas de Raquel Lyra sobre a falta de compromisso dos partidos com a verdadeira inclusão feminina são um alerta para a sociedade e para os legisladores. Portanto, promover um ambiente onde as mulheres possam se sentir seguras e valorizadas é fundamental para o fortalecimento da democracia.

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Bruno Kleber Santos

Sobre Bruno Kleber Santos

Graduando em Ciência Política, focado em relações exteriores e geopolítica da América Latina. Atua em canais de debate para o público jovem. Paixão por geografia humana. Seu refúgio favorito de fim de semana é o surf.