Aliados de Flávio Bolsonaro reconhecem crise com Ciro Nogueira e divergem sobre a resposta
07 MAI

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Política
Thiago Ferreira Martins Por Thiago Ferreira Martins - Há 17 dias
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Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, reconhecem que a recente operação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master, que afetou diretamente o presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, tem repercussões significativas na direita brasileira durante a corrida presidencial. O PP é considerado um potencial aliado na chapa que deve apoiar Flávio, e Ciro Nogueira é um nome próximo a Jair Bolsonaro.

A avaliação inicial da equipe de Flávio sugere que ele conseguiu se distanciar até o momento das consequências negativas desse escândalo, e a estratégia é manter esse afastamento. Para os assessores, a decisão de não anunciar a vaga de vice na federação entre PP e União Brasil, por enquanto, foi acertada, pois isso ajudou a minimizar o desgaste em relação a Ciro Nogueira.

Apesar do apoio que o PP tende a oferecer, a federação ainda não se posicionou oficialmente a favor de Flávio. Entretanto, a expectativa é que isso aconteça naturalmente até as convenções eleitorais, segundo fontes dos dois partidos. O fato de a vice-presidência ainda estar em aberto também se deve à preocupação de que a investigação do caso Master possa envolver figuras importantes do partido, como Ciro Nogueira.

O clima de cautela é palpável na equipe de Flávio. Eles preferem aguardar os desdobramentos da investigação e as delações relacionadas ao caso antes de decidir a posição do PL em relação a coligações e parcerias futuras. Neste momento, os nomes que estão sendo considerados para a vice-presidência incluem a senadora Tereza Cristina, do PP, e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo.

Em uma demonstração de prudência, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota em que expressa preocupação com as informações veiculadas pela imprensa sobre a operação da Polícia Federal. A nota enfatiza a importância de uma apuração rigorosa e transparente por parte das autoridades competentes, reafirmando a confiança na condução dos trabalhos pelo ministro André Mendonça. O senador também se posicionou a favor da criação de uma CPI para investigar o caso Master, que foi bloqueada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, em acordo com a oposição.

Em uma gravação divulgada posteriormente, Flávio afirmou que o Brasil precisa conhecer toda a verdade sobre o caso Master, levantando questões sobre as conexões do banco com figuras da alta cúpula do Partido dos Trabalhadores e do estado da Bahia. Ele defendeu a instalação da CPI, afirmando que não se pode permitir que o assunto seja ignorado.

Ciro Nogueira é conhecido por sua postura pragmática. Ele transitou entre a base de governos petistas e a chefia da Casa Civil durante a presidência de Bolsonaro, e agora busca apoio de figuras como Lula após não conseguir uma vaga na chapa do governador Tarcísio de Freitas. Durante uma entrevista em março, Ciro mencionou que renunciaria ao seu cargo se alguma irregularidade em relação ao Banco Master fosse comprovada.

A preocupação entre os aliados de Flávio é que o escândalo envolvendo Ciro possa se ampliar e atingir outros políticos e partidos, o que poderia enfraquecer a imagem do PP e facilitar a aceitação do partido na chapa, caso as acusações se tornem generalizadas. Contudo, se Ciro permanecer como o principal foco das investigações, a equipe de Flávio considera que Tereza Cristina poderia ser uma opção viável, embora ela tenha reiterado publicamente que não tem interesse na candidatura.

Os bolsonaristas acreditam que, ao manter seu capital político intacto, Tereza não estaria diretamente atrelada a Ciro, mas um apoio dela poderia ser usado pelos adversários para atacar Flávio. Os esforços para relacionar Flávio ao caso Master estão sendo intensificados por integrantes do governo Lula. A estratégia é atribuir a ele a responsabilidade pelas ações de Ciro, o que pode ser complicado, especialmente em um ambiente político já polarizado.

O presidente Lula, ao ser indagado sobre a operação, se mostrou cauteloso, enfatizando a presunção de inocência de todos os investigados, embora não tenha mencionado Ciro Nogueira diretamente. A operação tem o potencial de complicar a relação entre o PP e Flávio, além de dificultar a formação de alianças políticas necessárias para ampliar a base de apoio no Congresso.

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Thiago Ferreira Martins

Sobre Thiago Ferreira Martins

Especialista em Comunicação Política com pós-graduação em Gestão de Crise. Atua em consultorias de imagem institucional. Paixão por retórica e persuasão. Seu hobby relaxante favorito é a pesca esportiva de rio.