Banco do Brasil registra lucro de R$ 20,7 bilhões em 2025, queda de 45% em relação ao ano anterior
11 FEV

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Economia
Arthur Jamil Penna Por Arthur Jamil Penna - Há 2 meses
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O Banco do Brasil anunciou um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões referente ao ano de 2025, esse valor está dentro da faixa projetada pela instituição, que variava entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. No entanto, o resultado representa uma queda de 45,4% em comparação a 2024.

Inicialmente, o banco havia estimado um lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões para 2025, mas essa previsão foi suspensa em maio. Em agosto, as expectativas foram reduzidas para R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões, e em novembro, as estimativas sofreram nova diminuição.

A presidente-executiva do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que 2025 seria um ano de ajustes, em razão do aumento da inadimplência em parte da carteira do agronegócio e das novas regras contábeis que foram implementadas.

No último trimestre de 2025, o banco registrou um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, o que representa uma queda de 40,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, houve um crescimento de 51,7% em comparação ao terceiro trimestre, superando as expectativas do mercado, que previa um lucro de R$ 4,5 bilhões.

Além das informações sobre o lucro, o Banco do Brasil também divulgou suas expectativas para 2026, prevendo um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A instituição espera uma expansão na carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com crescimento previsto de 6% a 10% para pessoas físicas.

Para as empresas, as expectativas variam de uma queda de 3% a um aumento de 1%. No setor do agronegócio, a projeção também é modesta, com variação entre -2% e 2%.

O custo do crédito para 2026 foi estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. O ano deve apresentar um crescimento de 2% a 6% nas receitas de prestação de serviços e um aumento de 5% a 9% nas despesas administrativas. A margem financeira bruta deve crescer entre 4% e 8%.

Segundo Tarciana Medeiros, os resultados indicam sinais de inflexão, e a expectativa para 2026 é otimista. Ela ressaltou a importância de uma atuação cautelosa, com uma estratégia clara e execução disciplinada, além do foco na mitigação de riscos e na rentabilidade, que inclui o fortalecimento de garantias e novos produtos para o agronegócio.

Sobre a inadimplência, ao final de dezembro, a carteira de crédito expandida do Banco do Brasil somou quase R$ 1,3 trilhão, apresentando um aumento de 1,4% no trimestre e de 2,5% na comparação anual. O custo do crédito se manteve próximo de R$ 18 bilhões, mas apresentou um aumento de 93,9% em relação ao mesmo período de 2024.

A inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,17%, em comparação a 4,51% no terceiro trimestre e 3,16% no ano anterior. O banco informou que esse aumento é reflexo de um caso específico em sua carteira de TVM, que somou R$ 3,6 bilhões.

Na carteira de pessoas físicas, o crédito cresceu 1,8% no trimestre e 7,6% na comparação anual, com inadimplência de 6,56%, superior ao 6,01% do trimestre anterior e ao 4,66% do ano anterior. Entre as empresas, o índice de inadimplência foi de 3,75%, em comparação a 3,40% três meses antes e 3,30% no quarto trimestre de 2024.

A carteira de crédito para o agronegócio, que pressionou os resultados do Banco do Brasil, encerrou o quarto trimestre com alta de 1,8% no trimestre e de 2,1% na comparação anual. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,09%, em comparação a 4,84% do trimestre anterior e 2,23% do ano anterior.

Executivos do Banco do Brasil já haviam sinalizado que a inadimplência no agronegócio ainda estaria pressionada, mas previam uma inflexão a partir do primeiro trimestre de 2026. O banco voltou a apresentar um retorno sobre patrimônio líquido de dois dígitos no quarto trimestre, de 12,4%, acima dos 8,4% do trimestre anterior, mas ainda distante dos 20,8% registrados em 2024.

Desta forma, os resultados financeiros do Banco do Brasil em 2025 revelam um cenário desafiador para a instituição, impactado por fatores internos e externos que afetam a estabilidade financeira. A queda acentuada no lucro líquido é um indicativo de que a gestão precisará ser ainda mais rigorosa nos próximos anos.

O aumento da inadimplência, especialmente na carteira do agronegócio, é um alerta que requer atenção imediata. O banco deve intensificar suas ações de mitigação de riscos, ajustando suas políticas de crédito para evitar surpresas negativas em 2026.

Além disso, a previsão de crescimento moderado para 2026 sugere que a recuperação não será rápida. Portanto, é essencial que a administração do banco mantenha o foco em estratégias que priorizem a solidez financeira e a confiança do mercado.

Em resumo, o Banco do Brasil enfrenta um período de ajustes, mas, com uma gestão disciplinada e foco em mitigação de riscos, há a expectativa de um cenário mais favorável nos próximos anos. A continuidade da cautela nas operações financeiras é fundamental para garantir a sustentabilidade do banco.

Finalmente, a trajetória da instituição dependerá da capacidade de adaptação às novas realidades econômicas e ao fortalecimento das suas bases financeiras, especialmente em um ambiente regulatório em constante mudança.

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Arthur Jamil Penna

Sobre Arthur Jamil Penna

Economista comportamental mestre em Hábitos de Consumo. Atua auxiliando famílias no planejamento financeiro estratégico. Paixão pela psicologia econômica. Pratica aeromodelismo clássico no tempo livre aos fins de semana.