Brasil é alvo crescente de ciberataques devido à bancarização, alerta especialista
07 JUN

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Economia
Ana Clara Santos Lopes Por Ana Clara Santos Lopes - Há 3 dias
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Um recente relatório da CrowdStrike, uma reconhecida empresa de segurança cibernética, revela que o setor financeiro se tornou um dos mais visados por cibercriminosos no Brasil. No último ano, as instituições financeiras registraram um aumento de 43% nos ataques realizados por humanos em comparação aos dois anos anteriores. Essa tendência alarmante destaca a vulnerabilidade crescente do setor em um cenário de digitalização financeira acelerada.

De acordo com Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike para a América do Sul, o Brasil está em uma posição central nesse contexto, devido à sua digitalização financeira intensa. "O Brasil possui um sistema financeiro muito conectado, que gera um enorme volume de transações e oferece uma ampla gama de serviços financeiros, tanto por meio de fintechs quanto de bancos tradicionais", afirmou Propheta.

Ele ressaltou que essa situação aumenta a superfície de ataque, tornando o país um alvo altamente atrativo para os cibercriminosos. "Todos os agentes do sistema financeiro são vulneráveis, independentemente de serem instituições tradicionais ou fintechs", explicou. Isso inclui até mesmo o setor varejista, que agora também participa do sistema financeiro com a criação de seus próprios bancos digitais. "Os ataques ocorrem em todos os lugares, especialmente onde há um grande volume de transações", acrescentou.

O levantamento da CrowdStrike também indica que aproximadamente 25% das intrusões são atribuídas a grupos patrocinados por estados. Propheta mencionou exemplos significativos, como a China, que busca coletar informações estratégicas, e a Coreia do Norte, que utiliza ataques cibernéticos para gerar receita, especialmente em meio a sanções internacionais. No último ano, a Coreia do Norte teria conseguido roubar mais de 2 bilhões de dólares em criptoativos através de suas operações cibernéticas.

A inteligência artificial (IA) também desempenha um papel crucial no aumento da sofisticação e no volume dos ataques. Segundo Propheta, essa tecnologia diminuiu as barreiras técnicas, permitindo que grupos menos experientes realizem ataques de grande escala. "A IA facilita a coleta e o processamento de informações, tornando-as armas poderosas contra as empresas", observou.

O tempo médio para a quebra de segurança é de 29 minutos, mas em alguns casos, a invasão pode ocorrer em apenas 27 segundos. Propheta também alertou sobre os riscos associados ao uso corporativo de ferramentas de inteligência artificial, que podem ampliar a superfície de ataque das empresas. "É fundamental ter cuidado com os dados que enviamos para a IA", advertiu.

Para enfrentar essas ameaças, ele defendeu que as empresas adotem a inteligência artificial como uma ferramenta de defesa, operando de maneira tão ágil quanto os atacantes. Essa abordagem pode ajudar a mitigar os riscos associados e fortalecer a segurança cibernética das instituições financeiras.


Desta forma, é evidente que a crescente bancarização do Brasil traz consigo um conjunto de desafios significativos relacionados à segurança cibernética. A digitalização financeira, embora traga benefícios, também expõe o país a riscos elevados. As instituições precisam urgentemente investir em tecnologias de segurança que acompanhem a evolução dos ataques.

Além disso, a colaboração entre diferentes setores do sistema financeiro é essencial para criar um ambiente mais seguro. A troca de informações e o compartilhamento de recursos podem fortalecer a defesa contra ciberataques. É imperativo que todos os agentes envolvidos compreendam sua vulnerabilidade.

O aumento de ataques patrocinados por estados, como os observados com a Coreia do Norte, indica que a segurança cibernética é agora uma questão de segurança nacional. Portanto, o Brasil deve considerar políticas mais rigorosas para proteger seus ativos digitais e informações sensíveis.

Finalmente, a utilização da inteligência artificial como ferramenta de defesa deve ser uma prioridade. As empresas precisam implementar soluções que não apenas reagem a ataques, mas que também antecipam e previnem incidentes. A segurança cibernética deve ser vista como um investimento, e não como um custo.

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Ana Clara Santos Lopes

Sobre Ana Clara Santos Lopes

Graduanda em Economia pela FGV, entusiasta de criptoativos e finanças pessoais. Escreve sobre as flutuações do mercado brasileiro e tendências globais de investimento. Ama culinária vegana e descobrir novos sabores regionais.