Candidatos encerram campanha presidencial no Peru em clima de polarização para segundo turno
05 JUN

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Cotidiano
Helena Vieira Martins Por Helena Vieira Martins - Há 10 dias
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No Peru, os candidatos à presidência Keiko Fujimori e Roberto Sánchez encerraram suas campanhas na quinta-feira (4) para o segundo turno das eleições, programado para domingo. A disputa ocorre em um cenário marcado por alta criminalidade e instabilidade política, com as últimas pesquisas indicando um empate técnico entre os dois, enquanto cerca de 20% do eleitorado ainda está indeciso.

Fujimori, representante da direita e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, enfatizou a necessidade de um governo que traga ordem e segurança. Durante um comício, ela declarou: "Queremos um governo que nos traga paz, que restaure a ordem!". Ela ressaltou que sua vitória evitaria um possível retrocesso no país, apelando ao medo de uma possível ascensão do comunismo, como vivenciado em outras nações da América Latina.

Por outro lado, Roberto Sánchez, que representa a esquerda e tem um histórico como deputado e ex-ministro, prometeu uma "mudança radical". Ele se posicionou contra a corrupção e destacou que seu governo será focado em devolver a democracia ao povo. "Será o fim do caos, o fim dos assassinatos e da impunidade", afirmou durante seu comício, em que também criticou a administração da rival.

As eleições no Peru têm sido marcadas por uma profunda insatisfação popular. No primeiro turno, realizado recentemente, mais de trinta candidatos participaram, mas Fujimori e Sánchez juntos não conseguiram somar 30% dos votos. O clima de desconfiança em relação à classe política é palpável, especialmente após a instabilidade que levou a oito presidentes em apenas dez anos.

Um dos temas centrais da campanha é a criminalidade, que tem aumentado significativamente no país. Dados oficiais mostram que a taxa de homicídios em Lima, por exemplo, subiu para 23 por 100 mil habitantes em 2025, um aumento alarmante em comparação aos anos anteriores. Isso se reflete na proposta de Fujimori de um governo firme contra a insegurança, enquanto Sánchez responsabiliza a corrupção pelos altos índices de criminalidade.

O agricultor Raúl Porras, de 52 anos, expressou sua preocupação com a situação de segurança no Peru, destacando a frequência de extorsões e homicídios. "O dia a dia no Peru pode ser aterrorizante", declarou, enfatizando a urgência de medidas eficazes para lidar com a criminalidade.

Ambos os candidatos têm suas propostas de combate à corrupção e à criminalidade, mas a população permanece cética. Fujimori, que já se candidatou outras três vezes, tenta se distanciar do legado de seu pai, enquanto Sánchez busca se conectar com os eleitores mais pobres e as zonas rurais, prometendo representá-los e defendê-los contra as elites.

O próximo presidente do Peru enfrentará o desafio de governar um Congresso dividido e de restaurar a confiança da população em um governo que tem sido historicamente marcado por crises e escândalos. Com 27 milhões de peruanos convocados a votar, esse segundo turno se torna crucial para os rumos do país.

Desta forma, a polarização entre os candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez reflete um momento crítico na política peruana. A insatisfação popular é evidente e os desafios que o próximo presidente enfrentará são imensos. As promessas de combate à corrupção e à criminalidade devem ser acompanhadas de ações concretas, não apenas de discursos.

Em resumo, a eleição não se resume apenas a um embate entre dois candidatos, mas representa uma escolha entre diferentes visões para o futuro do Peru. A população, que já sofreu com a instabilidade, busca um líder que possa restaurar a ordem e a confiança nas instituições.

Assim, o papel da sociedade civil e da mídia é fundamental para acompanhar e fiscalizar as promessas feitas durante a campanha. A participação ativa dos cidadãos pode garantir que os eleitos cumpram suas promessas e trabalhem em prol do bem-estar da nação.

Encerrando o tema, é imprescindível que a população não se deixe levar por discursos inflamados, mas que busque entender as propostas e suas implicações a longo prazo. O futuro do Peru depende de escolhas informadas e conscientes no próximo domingo.

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Helena Vieira Martins

Sobre Helena Vieira Martins

Graduanda em Sociologia, analisa os fenômenos do cotidiano das grandes metrópoles brasileiras. Paixão por fotografia de rua e cinema clássico europeu. Adora fazer trekking e trilhas longas em parques nacionais.