Cedae registra prejuízo de R$ 222 milhões após ignorar alertas sobre Banco Master
30 MAI

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Política
Thiago Ferreira Martins Por Thiago Ferreira Martins - Há 1 hora
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Uma sindicância interna da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) revelou que a empresa sofreu um prejuízo de mais de R$ 222 milhões devido à negligência de sua Diretoria Financeira em relação a alertas sobre a situação financeira do Banco Master. O relatório aponta que recomendações técnicas para resgatar investimentos foram desconsideradas, resultando em perdas significativas para a estatal.

O documento, que foi divulgado recentemente, indica que, em setembro de 2025, funcionários da Cedae haviam alertado sobre os riscos associados ao Banco Master e sugerido que a companhia retirasse integralmente os aproximadamente R$ 200 milhões investidos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) daquela instituição. No entanto, a orientação foi ignorada pelo então diretor financeiro, Antonio Carlos dos Santos, que optou apenas por retiradas parciais.

A investigação também revelou que os critérios internos de classificação de risco foram flexibilizados após contatos entre a diretoria da Cedae e representantes do Banco Master. Em outubro de 2025, a situação se deteriorou ainda mais, quando a classificação de risco do banco foi rebaixada de BB- para CC, o que agravou os riscos para os investimentos feitos pela estatal.

Além disso, o relatório menciona a influência do banqueiro Daniel Vorcaro nas decisões tomadas pela Cedae. Em um momento anterior, técnicos da companhia haviam emitido uma ordem para resgatar R$ 44 milhões em investimentos, mas essa determinação foi cancelada por assessores ligados à diretoria.

A sindicância também aponta que informações relevantes foram omitidas do Conselho de Administração e do Comitê de Auditoria da Cedae, que já tinham alertado sobre os riscos das operações financeiras com o Banco Master. Isso levanta questões sobre a transparência e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

Com base nas conclusões da sindicância, o presidente da Cedae, Rafael Rolim, recomendou que o relatório fosse enviado ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para que investigações mais aprofundadas fossem realizadas. A expectativa é que tais medidas possam trazer à tona mais informações sobre a condução dos investimentos da Cedae e a relação com o Banco Master.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) também anunciou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os investimentos realizados pelo Rioprevidência e pela Cedae no Banco Master, que somam quase R$ 3 bilhões. A criação da CPI indica a gravidade da situação e a necessidade de uma avaliação minuciosa sobre como os recursos públicos estão sendo administrados.

Desta forma, a perda de R$ 222 milhões pela Cedae representa não apenas um prejuízo financeiro, mas também um sinal claro de falhas na gestão e na supervisão de investimentos. É vital que a companhia adote medidas rigorosas para evitar que situações semelhantes se repitam no futuro.

A investigação e a possível CPI são passos importantes para esclarecer os fatos e responsabilizar aqueles que tomaram decisões que prejudicaram a estatal e, consequentemente, a população que depende de seus serviços. A transparência nas operações financeiras deve ser uma prioridade.

Além disso, é crucial que a Cedae reforce seus mecanismos de controle interno para garantir que alertas sobre riscos financeiros sejam levados a sério. Ignorar recomendações técnicas pode causar danos irreparáveis não só ao patrimônio da empresa, mas também à confiança da sociedade.

Por fim, a atuação do Ministério Público e do Tribunal de Contas será essencial para assegurar que as devidas responsabilidades sejam apuradas. O futuro da Cedae e a proteção dos recursos públicos dependem de uma gestão mais responsável e transparente.

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Thiago Ferreira Martins

Sobre Thiago Ferreira Martins

Especialista em Comunicação Política com pós-graduação em Gestão de Crise. Atua em consultorias de imagem institucional. Paixão por retórica e persuasão. Seu hobby relaxante favorito é a pesca esportiva de rio.