Déficit orçamentário dos Estados Unidos deve aumentar em 2026, indica CBO
11 FEV

Carta Branca - As notícias de último minuto estão sempre aqui. Fique por dentro!

SAIBA MAIS
Economia
Bianca Teles Fonseca Por Bianca Teles Fonseca - Há 2 meses
4536 4 minutos de leitura

O déficit orçamentário dos Estados Unidos deve crescer ligeiramente no ano fiscal de 2026, alcançando a marca de US$ 1,853 trilhão. Essa previsão foi divulgada pelo Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO) na última quarta-feira (11). O aumento do déficit é um sinal de que as políticas econômicas implementadas pelo ex-presidente Donald Trump podem estar contribuindo para uma deterioração do cenário fiscal, especialmente em um contexto de crescimento econômico modesto.

Conforme as estimativas do CBO, o déficit para o ano fiscal de 2026 representará aproximadamente 5,8% do PIB, um valor similar ao do ano fiscal de 2025, quando o déficit foi de US$ 1,775 trilhão. Para a próxima década, a relação entre o déficit e o PIB dos Estados Unidos deve se situar em média em 6,1%, podendo chegar a 6,7% no ano fiscal de 2036. Essa situação é considerada preocupante, pois excede a meta estipulada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que é de reduzir o déficit para cerca de 3% da produção econômica.

Uma diferença relevante nas previsões é que o CBO se baseia em expectativas de crescimento econômico que são significativamente mais baixas do que as projetadas pela administração Trump. O CBO estima um crescimento do PIB real em 2026 de 2,2%, com uma média de aproximadamente 1,8% para o restante da década. Por outro lado, autoridades da administração Trump afirmaram que o crescimento no primeiro trimestre de 2026 poderia ultrapassar 6%, devido ao aumento dos investimentos em fábricas e centros de dados de inteligência artificial.

Segundo as projeções atuais do CBO, o déficit fiscal de 2026 é cerca de US$ 100 bilhões, ou 8%, maior do que as previsões feitas pela agência em janeiro de 2025. Além disso, o déficit acumulado no período de 2026 a 2035 é estimado em US$ 1,4 trilhão, representando um aumento de 6% em relação às projeções anteriores.

O projeto de lei conhecido como "One Big Beautiful Bill", que estendeu os cortes de impostos de 2017 e reduziu drasticamente os gastos com programas sociais como o Medicaid, deve promover um aumento no consumo e investimento privado. O CBO estima que essa legislação adicionará US$ 4,7 trilhões ao déficit dos EUA ao longo de um período de 10 anos. Além disso, a redução da imigração deve acrescentar outros US$ 500 bilhões ao déficit, conforme as projeções.

Por outro lado, a receita extra proveniente das tarifas impostas por Trump deverá reduzir o déficit em cerca de US$ 3 trilhões, levando em consideração os efeitos econômicos e a diminuição dos pagamentos da dívida, segundo o CBO. O relatório do Escritório de Orçamento também menciona que o impacto do esperado aumento de produtividade devido à inteligência artificial, um dos pilares das demandas do governo por juros mais baixos, é estimado em 10 pontos-base por ano de produção econômica adicional.

Atualmente, as taxas de juros dos títulos do Tesouro de 10 anos permanecem em níveis semelhantes ou ligeiramente superiores. O cenário fiscal dos EUA, portanto, apresenta desafios significativos que exigem uma análise cuidadosa e ações estratégicas.

Desta forma, as previsões do CBO sobre o aumento do déficit orçamentário dos EUA em 2026 revelam uma fragilidade no planejamento econômico do país. A tendência de crescimento do déficit, que deve atingir US$ 1,853 trilhão, é um sinal de alerta que não pode ser ignorado.

A relação entre o déficit e o PIB, que deve se manter acima de 6% na próxima década, demonstra que as políticas fiscais atuais podem não ser sustentáveis. A meta de redução para 3% pode se tornar um desafio ainda maior se o crescimento econômico não se recuperar de forma robusta.

As estratégias adotadas, como o "One Big Beautiful Bill", que amplia cortes de impostos, podem ter impactos positivos a curto prazo, mas suas consequências a longo prazo precisam ser cuidadosamente avaliadas. O aumento do déficit em US$ 4,7 trilhões ao longo de dez anos levanta questões sobre a viabilidade fiscal e o bem-estar social.

Assim, é fundamental que as autoridades e o governo busquem alternativas que equilibrem crescimento econômico e responsabilidade fiscal. O cenário atual requer um debate aberto sobre as prioridades orçamentárias e a necessidade de ajustes que promovam um futuro mais sustentável.

Finalmente, a situação exige uma análise crítica de políticas que impactam diretamente a economia local e a vida dos cidadãos. O caminho a seguir deve ser pautado por decisões que visem um desenvolvimento econômico equilibrado e justo para todos os americanos.

Gostou dessa notícia? Você pode compartilhá-la com seus amigos!

Bianca Teles Fonseca

Sobre Bianca Teles Fonseca

Mestre em Economia Aplicada ao Desenvolvimento. Atua analisando o impacto do agronegócio no PIB e as exportações brasileiras. Paixão por análise de dados e projeções. Estuda piano clássico desde a infância como hobby.