Escalada de tarifas comerciais é o maior risco para relação Brasil-EUA, aponta JPMorgan
09 JUN

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Economia
Arthur Jamil Penna Por Arthur Jamil Penna - Há 19 dias
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A economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, afirmou nesta terça-feira, 9 de outubro, que a principal ameaça à relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos é a possibilidade de retaliações brasileiras às tarifas impostas pelos americanos. Em um evento do Seminário Econômico Brasil-EUA, realizado em São Paulo, ela destacou a importância de manter o diálogo com o governo norte-americano, liderado pelo presidente Donald Trump.

Fernandez ressaltou que o Brasil não precisa, neste momento, de novas tarifas de importação, especialmente em um cenário de inflação já elevada. "O maior risco que temos atualmente é a possível retaliação e a escalada dessas tarifas", explicou a economista, que participou do evento ao lado de economistas de instituições financeiras e do Cônsul-Geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami.

Atualmente, a tarifa comercial média dos EUA aplicada ao Brasil é de cerca de 11%. Contudo, esse percentual pode aumentar para 19% se as novas tarifas de 25% forem implementadas. O impacto dessas tarifas varia de acordo com os setores, e, segundo Fernandez, o Brasil deve estar atento a essa possibilidade, pois as exportações brasileiras para os EUA são ainda modestamente impactantes.

A economista afirmou que, independentemente do aumento das tarifas, o mercado potencial para as exportações brasileiras aos EUA é vasto. Ela destacou que, mesmo que as tarifas sejam elevadas, o impacto será significativo em cadeias produtivas específicas, o que não deve ser ignorado. O cenário econômico entre o Brasil e os Estados Unidos é caracterizado por uma assimetria, com tarifas comerciais pesando negativamente, mas, ao mesmo tempo, um forte fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) dos EUA para o Brasil.

Fernandez enfatizou que esse investimento é fundamental para sustentar a capacidade produtiva e criar empregos qualificados no Brasil. Ela observou que o IED total esperado para o Brasil em 2023 deve representar 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo que cerca de 19% desse montante deve vir dos EUA, superando os investimentos da China, que não chegam a 8%.

A agenda entre Brasil e Estados Unidos, segundo a economista, deve focar na proteção do ambiente de investimento direto. Para isso, é essencial garantir uma agenda regulatória confiável, previsibilidade e estabilidade macroeconômica, elementos que são cruciais para atrair e manter investimentos estrangeiros no país.

Desta forma, a análise da economista Cassiana Fernandez ressalta a complexidade das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O aumento das tarifas pode agravar a situação econômica do Brasil, que já enfrenta desafios significativos.

É crucial que o Brasil adote uma postura proativa nas negociações, buscando evitar a escalada de tarifas que poderiam prejudicar ainda mais a inflação interna e o crescimento econômico. Uma estratégia de diálogo constante é vital.

Ademais, a importância do Investimento Estrangeiro Direto não pode ser subestimada. Os novos investimentos são essenciais para fortalecer a economia brasileira e criar novos empregos, especialmente em um momento de incertezas econômicas.

Em resumo, o país deve se concentrar em criar um ambiente favorável para investimentos, promovendo a estabilidade econômica e regulatória. Essa abordagem pode ser a chave para minimizar os impactos negativos das tarifas comerciais.

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Arthur Jamil Penna

Sobre Arthur Jamil Penna

Economista comportamental mestre em Hábitos de Consumo. Atua auxiliando famílias no planejamento financeiro estratégico. Paixão pela psicologia econômica. Pratica aeromodelismo clássico no tempo livre aos fins de semana.