Facção venezuelana Tren de Aragua se expande no Brasil, especialmente em Roraima
10 JUN

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Cotidiano
Patrícia Soares Rocha Por Patrícia Soares Rocha - Há 2 meses
9315 5 minutos de leitura

A facção venezuelana Tren de Aragua tem se tornado um tema de preocupação crescente no Brasil, especialmente nas regiões Norte e na fronteira com a Venezuela. A organização criminosa, que surgiu em uma prisão na Venezuela, foi classificada como terrorista pelo governo dos Estados Unidos e tem se associado a diversas atividades ilícitas, como tráfico de drogas, exploração sexual e garimpo ilegal.

Desde 2016, o Tren de Aragua vem se estabelecendo em Roraima, onde a polícia local já registrou uma série de crimes atribuídos ao grupo. Em 2025, a descoberta de um cemitério clandestino em Boa Vista, com nove corpos, destacou a violência e a brutalidade da facção. A maioria das vítimas era de origem venezuelana, o que reforça a ligação do grupo com a imigração e a exploração de pessoas vulneráveis.

As investigações indicam que o Tren de Aragua mantém parcerias com facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), para facilitar o tráfico de armas e drogas. Essa colaboração tem contribuído para a expansão e consolidação do grupo no Brasil, especialmente em estados onde a presença da polícia é menos efetiva.

O grupo se aproveita da vulnerabilidade de imigrantes venezuelanos que chegam ao Brasil em busca de melhores condições de vida. Muitos deles acabam sendo aliciados para o tráfico de drogas e a prostituição, tornando-se parte de uma rede criminosa que se retroalimenta. A corrupção e a falta de recursos nas forças de segurança brasileira também facilitam a atuação dessa facção.

O governo dos Estados Unidos intensificou o cerco ao Tren de Aragua, especialmente após a classificação da facção como organização terrorista. O Departamento de Estado americano afirmou que o grupo é responsável por uma série de crimes, incluindo sequestros e contrabando de pessoas. A situação é ainda mais complicada pela ligação da facção com o regime de Nicolás Maduro, que enfrenta acusações de narcoterrorismo e corrupção.

Após a retomada do controle da prisão de Tocorón, onde o Tren de Aragua foi fundado, o grupo teve sua estrutura enfraquecida. No entanto, lideranças criminosas conseguiram escapar e continuam a operar no Brasil, especialmente em Roraima, onde o tráfico de drogas e armas se tornou uma fonte significativa de renda para a facção.

A pesquisa da jornalista Ronna Rísquez aponta que a infiltração do Tren de Aragua no Brasil começou em 2016, quando as condições de vida no país vizinho se deterioraram. O lado brasileiro oferecia melhores oportunidades para os criminosos, além de um ambiente mais seguro para suas operações. A compra de propriedades e a lavagem de dinheiro se tornaram práticas comuns entre os membros da facção.

Atualmente, a presença do Tren de Aragua em Roraima é notável, com indícios de que a facção controla diversos esquemas de prostituição e tráfico de drogas na região. A situação exige uma resposta contundente das autoridades para desmantelar as operações da facção e proteger a população local.


Diante da complexa realidade enfrentada em Roraima, é evidente que o problema da atuação do Tren de Aragua transcende a mera criminalidade, envolvendo questões sociais e humanitárias. A vulnerabilidade dos imigrantes venezuelanos torna a situação ainda mais crítica, exigindo uma atuação integrada entre os governos e as comunidades locais.

As autoridades devem priorizar a proteção dos imigrantes, garantindo que tenham acesso a serviços essenciais e oportunidades de trabalho dignas. É fundamental que iniciativas voltadas à inclusão social e à segurança pública sejam implementadas com urgência, a fim de evitar que mais pessoas sejam aliciadas pelo crime organizado.

Além disso, o fortalecimento das forças de segurança e da justiça é crucial para combater a corrupção e a impunidade que permitem a atuação dessas facções. A colaboração entre os países da América do Sul em questões de segurança é igualmente importante para enfrentar o tráfico de drogas e a exploração humana.

Finalmente, é imprescindível que a sociedade civil participe ativamente desse processo, criando redes de apoio e conscientização sobre os riscos da criminalidade, especialmente entre os imigrantes. Somente com um esforço conjunto será possível reduzir a influência do Tren de Aragua e proteger as populações vulneráveis.

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Patrícia Soares Rocha

Sobre Patrícia Soares Rocha

Antropóloga com foco em cultura popular e tradições brasileiras. Atua pesquisando costumes rurais e folclore regional. Paixão por literatura nacional contemporânea. Dedica-se ao bordado livre artesanal nas horas vagas.