Governo Identifica Risco de Colapso no Setor de Carne Bovina e Sugere Controle de Exportação para a China
11 FEV

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Economia
Ana Clara Santos Lopes Por Ana Clara Santos Lopes - Há 2 meses
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O governo do Brasil, sob a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou preocupação com um possível colapso no setor da carne bovina devido às novas medidas implementadas pela China para a importação de proteína animal. A situação foi destacada em um ofício do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que sugere a criação de um sistema de cotas de exportação. Essa estratégia visa regular a quantidade de carne que pode ser vendida ao país asiático, evitando impactos negativos na economia local.

Recentemente, o governo chinês anunciou a imposição de tarifas de 55% sobre as importações de carne bovina de vários países, incluindo Brasil, Argentina, Uruguai e Estados Unidos, que superem um limite específico. Para o Brasil, essa cota foi estabelecida em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas para o ano de 2026. Com isso, o excedente estará sujeito à alta tarifa, o que pode prejudicar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

De acordo com as análises do Mapa, a demanda da China por carne bovina pode cair em até 35%, o que equivale a cerca de 600 mil toneladas. O ofício, assinado por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, adverte que, sem uma resposta coordenada do governo, o setor enfrentará desorganização nos fluxos comerciais, impactando toda a cadeia produtiva da carne.

Entre as consequências da falta de um controle nas exportações, Rua aponta a possibilidade de uma corrida desordenada entre os exportadores, que podem antecipar embarques e contratos para ocupar a cota disponível. Isso pode levar a uma queda nos preços devido à concorrência intensa entre frigoríficos, um excesso de oferta em outros mercados e impactos diretos nos produtores rurais, especialmente aqueles que dependem da pecuária.

O documento ressalta que, na ausência de um mecanismo nacional para administrar as exportações face ao teto imposto pela China, a competição entre empresas brasileiras se tornará desordenada, amplificando o choque negativo da demanda e aumentando os riscos de um colapso nos preços e no emprego no setor.

Atualmente, não é possível determinar com exatidão quanto da cota de 1,1 milhão de toneladas já foi utilizado pelos exportadores brasileiros, uma vez que os dados de janeiro refletem carne embarcada antes do anúncio das novas tarifas. O governo brasileiro defende que as cargas embarcadas antes do anúncio das salvaguardas não devem ser contabilizadas nas sobretaxas.

Dados compilados pelo Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que as importações de carne bovina pela China aumentaram em janeiro, totalizando 123,2 mil toneladas, um crescimento de cerca de 35% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O ofício do Mapa foi endereçado à secretaria-executiva da Camex, vinculada ao Mdic. A recomendação é que o sistema de cotas de exportação seja discutido na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), programada para quinta-feira, dia 12. O Mdic informou que a proposta do Mapa está em análise técnica e que discussões sobre o tema ocorrerão no âmbito do Gecex, que reúne 10 ministérios.

O governo brasileiro, através do Mdic e do Mapa, mantém um diálogo contínuo com as autoridades chinesas sobre essa questão. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin já se comunicou com o vice-presidente da China, Han Zheng, expressando preocupação em relação às novas salvaguardas. As negociações com o governo chinês continuam, segundo informou o Mdic.

Entre as diretrizes que o sistema de cotas deve seguir, o Mapa sugere que haja uma distribuição proporcional entre os exportadores, considerando o histórico de exportações de cada um.

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Ana Clara Santos Lopes

Sobre Ana Clara Santos Lopes

Graduanda em Economia pela FGV, entusiasta de criptoativos e finanças pessoais. Escreve sobre as flutuações do mercado brasileiro e tendências globais de investimento. Ama culinária vegana e descobrir novos sabores regionais.