Universidade Zumbi dos Palmares lança Câmara de Mediação para conflitos raciais nas relações de consumo
13 MAI

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Cotidiano
Helena Vieira Martins Por Helena Vieira Martins - Há 21 horas
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A Universidade Zumbi dos Palmares anunciou na última quarta-feira, 13 de maio, a criação da Câmara de Mediação para Equidade Racial nas Relações de Consumo. Essa iniciativa tem como objetivo prevenir e resolver conflitos que envolvem discriminação racial em situações de consumo, proporcionando um espaço seguro para diálogo entre vítimas e empresas, visando a busca por acordos.

A criação dessa câmara surgiu a partir da crescente percepção de que a violência racial em ambientes comerciais tem se tornado cada vez mais grave nos últimos anos. Um caso emblemático que exemplifica essa situação é o assassinato de João Alberto Silveira Freitas em uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre, em 2020. A partir dessa e de outras ocorrências, a Zumbi dos Palmares tem atuado há mais de dez anos no combate ao racismo nas relações de consumo, desenvolvendo projetos como "Racismo Zero", "Procon Racial" e "Acolhe".

Essas iniciativas têm permitido identificar não apenas os obstáculos enfrentados pelas vítimas de discriminação, mas também a necessidade de se avançar em mecanismos de acolhimento e resolução de conflitos. De acordo com dados do Procon-SP, mais de 73% das pessoas que sofrem discriminação racial não buscam ajuda, acreditando que não encontrarão soluções adequadas nas instituições ou por não terem condições financeiras para arcar com assistência jurídica.

O reitor da Universidade, José Vicente, destacou que, por um lado, a maioria das vítimas permanece sem buscar seus direitos. Por outro lado, muitas empresas reconhecem a existência de racismo em seus ambientes, mas preferem evitar a exposição pública e as disputas judiciais prolongadas. Nesse contexto, a proposta da Câmara de Mediação é criar um espaço neutro e seguro para que consumidores e empresas possam dialogar e encontrar soluções.

A Câmara de Mediação Racial será implementada em parceria com o Procon e a Fenavist e contará com o apoio de instituições do setor, como a Fecomercio, IDV e Apas. Também terá suporte técnico do escritório Faleck & Associados, especializado em mediação de disputas. O funcionamento da câmara incluirá a adesão institucional das empresas, análise preliminar dos casos, convites às partes envolvidas, sessões de mediação e formalização de acordos, quando necessário.

Um aspecto importante do modelo é a participação de mediadores com formação em letramento racial, sendo exigido que 50% desses profissionais sejam negros. O processo será sigiloso e buscará soluções restaurativas, como retratações públicas, revisão de protocolos internos e capacitação das equipes. Para casos urgentes, a triagem será feita em até 48 horas, enquanto a análise normal deve ser concluída em até sete dias.

Além das mediações, a Câmara também oferecerá gratuitamente treinamentos, protocolos antirracistas, cartilhas e materiais educativos voltados a empresas, profissionais e consumidores. Esses conteúdos incluirão orientações sobre canais de denúncia, direitos do consumidor negro e capacitação para equipes de atendimento, segurança, recursos humanos e comunicação.

O reitor José Vicente enfatizou que o lançamento da iniciativa no dia 13 de maio, data que marca os 138 anos da abolição da escravidão no Brasil, traz um forte simbolismo. Ele destacou que essa criação reflete a ausência histórica de mecanismos que enfrentem o racismo nas relações de consumo desde o fim da escravidão. Caso ferramentas semelhantes tivessem sido implementadas após a assinatura da Lei Áurea, o Brasil poderia ter avançado mais rapidamente no combate à discriminação racial.

Dados recentes relatam que a discriminação contra consumidores negros ainda é alarmante. Uma pesquisa do Procon-SP, divulgada em novembro de 2024, revelou que 62,71% das pessoas negras relataram ter sofrido discriminação em ambientes de consumo, sendo que a maioria (71,84%) afirmou que o preconceito ocorreu de forma sutil. A pesquisa também mostrou que 73,53% das vítimas não tomaram nenhuma atitude após os episódios, principalmente por não saberem a quem recorrer.

As lojas, shoppings, bancos e supermercados são os locais mais frequentes onde ocorrem esses episódios de discriminação racial, com relatos de vigilância excessiva, abordagens desconfiadas por parte das equipes de segurança e atendimento negligente ou agressivo. Segundo José Vicente, esses dados revelam uma violência estrutural e cotidiana que ainda é naturalizada e invisibilizada na sociedade.

Ele acrescentou que muitas vítimas desejam exercer e proteger seus direitos, mas frequentemente não sabem a quem recorrer. O caminho usual envolve registrar um boletim de ocorrência e aguardar a abertura de um inquérito, um processo que pode ser demorado e desestimulante para muitos, que sentem que não vale a pena. Além disso, reviver a violência e enfrentar questionamentos sobre a veracidade do caso acaba fazendo com que muitos desistam de procurar ajuda. Por isso, a expectativa em relação à criação da Câmara de Mediação Racial é alta.

Desta forma, a criação da Câmara de Mediação para Equidade Racial nas Relações de Consumo representa um passo significativo no combate à discriminação racial em ambientes comerciais. Ao oferecer um espaço dedicado ao diálogo, a iniciativa busca não apenas resolver conflitos, mas também promover a conscientização sobre os direitos dos consumidores negros.

Em resumo, o fortalecimento de mecanismos de mediação é essencial para garantir que as vítimas de discriminação tenham um canal de apoio efetivo. Isso pode encorajar mais pessoas a buscarem seus direitos, contribuindo para um ambiente de consumo mais justo e igualitário.

Assim, é fundamental que empresas e consumidores se unam nesse esforço coletivo. A adesão à câmara deve ser vista como uma oportunidade de crescimento e aprendizado, visando a construção de um mercado mais inclusivo.

Finalmente, o sucesso dessa iniciativa dependerá do comprometimento das partes envolvidas em respeitar e valorizar a diversidade racial. A implementação de treinamentos e protocolos antirracistas é um passo necessário para que as empresas se tornem aliadas na luta contra a discriminação.

Por fim, ao longo dos anos, a busca por igualdade racial nas relações de consumo deve se intensificar. A criação de espaços como a Câmara de Mediação é um indicativo de que a sociedade está se mobilizando para enfrentar esse problema histórico e estrutural.

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Helena Vieira Martins

Sobre Helena Vieira Martins

Graduanda em Sociologia, analisa os fenômenos do cotidiano das grandes metrópoles brasileiras. Paixão por fotografia de rua e cinema clássico europeu. Adora fazer trekking e trilhas longas em parques nacionais.