Açúcar tem queda nas bolsas de Nova York devido à expectativa de maior oferta no Brasil
27 MAI

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Economia
Bianca Teles Fonseca Por Bianca Teles Fonseca - Há 29 dias
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Os contratos futuros do açúcar na bolsa de Nova York apresentaram uma desvalorização nesta quarta-feira, dia 27. O preço do açúcar para entrega em julho caiu 2,75%, fechando a sessão cotado a US$ 14,14 por libra-peso. Essa queda se intensificou após a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) anunciar um aumento significativo na produção de açúcar no Brasil.

A Unica estima que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil para a safra 2026/27 deve crescer 55,3% em relação ao ano anterior, totalizando 2,475 milhões de toneladas. Esse aumento é atribuído a melhores rendimentos, com a sacarose por tonelada de cana projetada em 112,58 kg, um incremento de 5,4% comparado ao mesmo período do ano passado.

Outro fator que contribuiu para a pressão sobre os preços do açúcar foi a queda nos preços do petróleo bruto, que atingiram seus menores valores em cinco semanas. Segundo a análise do Barchart, os preços baixos do petróleo influenciam negativamente os custos do etanol, o que pode levar as usinas a direcionarem uma maior quantidade de cana-de-açúcar para a produção de açúcar em vez de etanol, aumentando assim a oferta total de açúcar no mercado.

Além do açúcar, outras commodities também enfrentaram desvalorização. O café arábica, por exemplo, viu suas cotações futuras caírem 1,51%, com o contrato de julho fechando a US$ 2.698 por libra-peso. De acordo com a mesma fonte, essa desvalorização da moeda brasileira tem contribuído para tornar as exportações do café brasileiro mais competitivas.

No setor de sucos, o contrato para entrega em julho do suco de laranja registrou uma queda de 5,65%, com o preço estabelecido em US$ 1.671,00 por tonelada. As operações de cacau também não foram diferentes, com a commodity apresentando uma baixa de 0,70%, fechando a US$ 4.140 por tonelada.

O mercado de algodão também enfrentou recuo, com a commodity para entrega em dezembro fechando em queda de 1,42%, cotada a US$ 78,66 por libra-peso. O aumento do valor do dólar tem dificultado a competitividade do algodão americano no mercado internacional. Além disso, a queda acentuada nos preços do petróleo bruto tem adicionado pressão sobre os preços das fibras.

Desta forma, a recente queda nos preços do açúcar reflete uma dinâmica de mercado em que a oferta supera a demanda, especialmente com as previsões otimistas de produção no Brasil. A Unica, ao elevar suas estimativas, traz um alívio para os consumidores, que podem ver preços mais acessíveis nas prateleiras. Contudo, essa situação também levanta questionamentos sobre a sustentabilidade dessa produção em larga escala.

Além disso, a interconexão entre os mercados de açúcar e petróleo evidencia a complexidade do setor. O direcionamento de cana para a produção de açúcar em detrimento do etanol pode impactar não apenas a economia dos produtores, mas também questões ambientais e de sustentabilidade a longo prazo. É essencial que haja um equilíbrio entre a produção de biocombustíveis e alimentos.

Por outro lado, a competitividade do café brasileiro no mercado internacional, impulsionada pela desvalorização da moeda, pode ajudar a mitigar os efeitos negativos da queda nos preços de outras commodities. Essa situação pode representar uma oportunidade valiosa para o setor cafeeiro, que deve ser explorada com responsabilidade.

Finalmente, o acompanhamento das cotações e das previsões de safra se torna crucial para que os produtores e os investidores possam tomar decisões informadas. O agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia, deve se adaptar constantemente às mudanças de mercado e buscar inovações que garantam sua sustentabilidade e rentabilidade.

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Bianca Teles Fonseca

Sobre Bianca Teles Fonseca

Mestre em Economia Aplicada ao Desenvolvimento. Atua analisando o impacto do agronegócio no PIB e as exportações brasileiras. Paixão por análise de dados e projeções. Estuda piano clássico desde a infância como hobby.