Brasil registra novo aumento no endividamento das famílias, alcançando 80,9% em abril - Informações e Detalhes
Em abril de 2026, o Brasil bateu um novo recorde no número de famílias endividadas, conforme dados da pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento indica que 80,9% das famílias enfrentam dívidas, o maior índice desde o início da série histórica, em 2010.
A pesquisa destaca que o cenário de endividamento é amplificado pela alta dos preços do petróleo, exacerbada pela guerra no Oriente Médio. Esse aumento nos custos, somado à taxa de juros elevada, tem pressionado a capacidade de compra dos brasileiros, forçando muitos a recorrerem ao crédito para atender às despesas básicas.
O endividamento afetou todas as faixas de renda, mas a situação é mais crítica entre as famílias com menor poder aquisitivo. Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 83,6%, enquanto entre as que ganham mais de 10 salários mínimos, esse número é de 70,8%.
Os dados também revelam que os cartões de crédito continuam a liderar o ranking das dívidas, seguidos por carnês de loja, crédito pessoal e financiamentos de veículos e imóveis. O acesso ao crédito para esses fins, embora necessário, gera um ciclo de endividamento que tem sido difícil de romper.
Apesar do aumento no número de endividados, a inadimplência parece ter se estabilizado. Em abril, 29,7% das dívidas estavam em atraso, uma leve variação em relação aos 29,6% registrados em março. Este índice, no entanto, é superior ao registrado em abril de 2025, que foi de 28,1%. Este aumento reflete os efeitos adversos do ciclo de alta da Selic sobre a economia no ano anterior.
Dos brasileiros que têm contas atrasadas, 12,3% afirmaram não ter condições de pagá-las. Além disso, quase metade dos endividados (49,5%) tem dívidas vencidas há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso permanece em 65,1 dias, um sinal de que muitos estão lutando para regularizar sua situação financeira.
As previsões para os próximos meses não são encorajadoras. O levantamento indica que o endividamento deve continuar a crescer, influenciado pela evolução da renda e pela inflação, especialmente em itens essenciais como energia e combustíveis. A expectativa é que a Selic, taxa básica de juros, permaneça elevada devido à instabilidade econômica global.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, observa que a incerteza no cenário econômico levou a uma revisão nas expectativas sobre a taxa de juros no Brasil. A previsão é de que os juros caiam menos do que se imaginava anteriormente, o que pode manter o nível de endividamento elevado por mais tempo.
Desta forma, a crescente taxa de endividamento no Brasil revela um problema estrutural que afeta diretamente a qualidade de vida das famílias. A situação exige uma resposta efetiva das autoridades, tanto em termos de políticas de crédito responsável quanto de incentivo à educação financeira.
Além disso, é fundamental que os consumidores tenham acesso a informações claras sobre suas opções de pagamento e renegociação de dívidas. Muitas vezes, a falta de conhecimento leva a escolhas financeiras ruins, perpetuando o ciclo de endividamento.
É imprescindível que programas de apoio ao endividamento, como o É assim que acaba, sejam amplamente divulgados e que a população tenha acesso a eles. Isso pode ajudar a aliviar a pressão sobre as famílias.
Assim, promover um ambiente econômico mais estável e previsível é essencial. A combinação de inflação alta e juros elevados cria um cenário desafiador, mas é possível melhorar a situação com medidas adequadas e insistentes.
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