Busca por corpos de turistas italianos continua nas Maldivas com apoio de mergulhadores especializados
17 MAI

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Cotidiano
Leonardo Jorge Medeiros Por Leonardo Jorge Medeiros - Há 8 dias
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Mergulhadores internacionais especializados em cavernas chegaram às Maldivas para intensificar a busca pelos corpos de quatro turistas italianos que faleceram enquanto mergulhavam na famosa ilha, um dia após a morte de um oficial militar durante as operações de resgate. A equipe, composta por três mergulhadores finlandeses da Divers Alert Network (DAN), chegou às Maldivas no último domingo (17) e se reunirá com a guarda costeira local para desenvolver uma nova estratégia para a missão de recuperação. O porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, informou que os mergulhadores foram recomendados pela Itália e possuem vasta experiência em mergulhos profundos e em cavernas em diversas partes do mundo.

A vice-presidente da Fundação DAN Europa, Laura Marroni, que também coordena a missão, declarou à emissora estatal italiana RAI que os mergulhadores finlandeses são especialistas em operações de resgate em ambientes complexos. "A Finlândia é conhecida por seus diversos sistemas subaquáticos, como minas inundadas e outras cavernas, algumas das quais são muito profundas", explicou Marroni. Espera-se que um quarto especialista em mergulho se junte à equipe, juntamente com equipamentos especializados a serem enviados da Austrália e do Reino Unido.

A tragédia ocorreu durante uma expedição de mergulho que contava com 20 turistas italianos a bordo do navio Duke of York. Na quinta-feira (14), cinco mergulhadores italianos desapareceram no Atol de Vaavu, e até o momento, apenas o corpo do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti foi encontrado na entrada da caverna. As autoridades acreditam que os outros quatro mergulhadores permanecem dentro da caverna. As vítimas são Monica Montefalcone, professora associada de ecologia da Universidade de Gênova; sua filha Giorgia Sommacal; o biólogo marinho Federico Gualtieri; e a pesquisadora Muriel Oddenino.

A complexidade da operação de resgate ficou evidente com a morte do sargento Mohamed Mahudhee, de 43 anos, que era um dos mergulhadores mais experientes da equipe militar, durante uma das tentativas de recuperação no sábado (16). Ele morreu em uma caverna que atinge profundidades de até 70 metros, o que equivale à altura de um prédio de 20 andares. Shareef relatou que Mahudhee estava em dupla, seguindo os protocolos de segurança, mas seu parceiro notou algo errado quando ele começou a ter dificuldades para retornar à superfície. Mahudhee foi sepultado com honras em uma cerimônia na capital Malé, que contou com a presença de milhares de pessoas, incluindo o presidente Mohamed Muizzu e autoridades locais.

As condições para os mergulhos de resgate são bastante desafiadoras, com cada operação limitada a cerca de três horas devido às necessidades de oxigênio e ao processo de descompressão. Durante a tentativa de recuperação, dois mergulhadores marcaram a entrada da caverna com um balão para facilitar a navegação da equipe. No entanto, as fortes correntes, passagens estreitas e a escuridão total tornam a operação extremamente arriscada. Shareef enfatizou que apenas mergulhadores altamente qualificados devem realizar essas atividades.

Após emergir, os mergulhadores precisam passar um tempo em águas rasas para descomprimir, evitando complicações que podem surgir, como no caso de Mahudhee, que era membro das forças de defesa nacional. O governo das Maldivas possui protocolos rigorosos de segurança para atividades aquáticas, dado que a área oceânica do arquipélago é 3.000 vezes maior que sua massa terrestre. O marido de Montefalcone, Carlo Sommacal, expressou sua preocupação com o que poderia ter causado o acidente, afirmando que algo anormal deve ter ocorrido, considerando a experiência de sua esposa e filha.

John Volanthen, um especialista em mergulho do Conselho Britânico de Resgate em Cavernas, que participou do resgate de um time de futebol juvenil na Tailândia em 2018, observou que a profundidade e o lodo da caverna complicam ainda mais os esforços de recuperação. Em relação aos riscos, ele alertou que o pânico pode afetar os mergulhadores e que a intoxicação por narcose, causada pela respiração de ar comprimido em grandes profundidades, aumenta os perigos.

Uma investigação está em andamento para esclarecer as circunstâncias que levaram aos acidentes. De acordo com as leis locais, mergulhadores recreativos e comerciais não têm autorização para ultrapassar 30 metros de profundidade. Contudo, os mergulhadores italianos estavam explorando a caverna a quase 50 metros de profundidade, o que sugere uma violação das normas. O governo suspendeu a licença do navio enquanto aguarda os resultados da investigação, e a agência turística italiana envolvida na expedição negou ter permitido ou ter conhecimento sobre os mergulhos em profundidades que violam as regulamentações locais.

Desta forma, a tragédia nas Maldivas expõe não apenas os riscos associados ao mergulho em ambientes complexos, mas também a necessidade de rigorosos protocolos de segurança. As investigações devem esclarecer as responsabilidades de cada parte envolvida, uma vez que a vida humana é inestimável.

A complexidade da operação de resgate, que já resultou em perdas significativas, revela a urgência de revisão das práticas de mergulho em locais de risco elevado. Medidas preventivas são essenciais para evitar que acidentes como estes se repitam, visando a segurança dos turistas e profissionais envolvidos.

Além disso, a atuação das autoridades locais deve ser intensificada para garantir que as normas de segurança sejam seguidas por todas as empresas que promovem atividades de mergulho. O turismo responsável é fundamental para a preservação da vida e do ambiente.

Finalmente, a conscientização sobre os perigos do mergulho em locais desconhecidos deve ser uma prioridade. A educação e a informação adequada podem ser ferramentas valiosas na prevenção de tragédias futuras, garantindo que os turistas estejam cientes dos riscos que podem enfrentar.

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Leonardo Jorge Medeiros

Sobre Leonardo Jorge Medeiros

Graduando em Engenharia Civil, analisa o impacto do desenvolvimento urbano no cotidiano dos moradores locais. Paixão por infraestrutura e pontes. Hobby principal inclui a escultura em argila e metal fundido.