Conflito no Irã eleva custos da construção civil no Brasil
02 MAI

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Economia
Ana Clara Santos Lopes Por Ana Clara Santos Lopes - Há 11 dias
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A escalada do conflito no Irã está gerando pressões significativas sobre os custos da construção civil no Brasil, afetando diretamente preços de materiais, fretes e o planejamento das obras. Apesar de não haver, até o momento, sinais de desabastecimento, os efeitos da guerra já são visíveis nos índices econômicos. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) apresentou uma alta de 1,04% em abril, superando a elevação de 0,36% observada em março. Essa mudança reflete o aumento dos custos dos insumos usados nas construções, ligada à elevação nos preços do petróleo e suas consequências sobre combustíveis e logística global.

A inflação é uma preocupação crescente para os profissionais do setor, que abrangem desde a incorporação imobiliária até as obras de infraestrutura. O mercado imobiliário enfrenta um desafio, já que os preços mais altos chegam em um momento em que se esperava uma recuperação, impulsionada por um conjunto de medidas do governo e a expectativa de uma redução gradual nas taxas de financiamento.

Recentemente, o conselho curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou a ampliação da renda máxima das famílias que podem se beneficiar do programa Minha Casa, Minha Vida, além de aumentar o teto dos imóveis que podem ser financiados. Esse programa é visto como uma vitrine eleitoral para as gestões petistas, e os aumentos de custos estão se opondo ao esforço do governo em facilitar o acesso ao financiamento imobiliário.

Dionysio Klavdianos, vice-presidente de inovação da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), comentou que o INCC de abril mostrou que o conflito já está afetando os preços dos produtos, e que a tendência é que o INCC de maio também seja impactado. Relatos indicam aumentos de até 30% nos custos, o que pode afetar o custo das obras e, consequentemente, o preço dos imóveis.

O preço do barril de petróleo do tipo Brent, que é uma referência internacional, está se aproximando de US$ 115, o que equivale a cerca de R$ 572, em meio a tensões crescentes entre os Estados Unidos e o Irã, além das ameaças relacionadas ao estreito de Hormuz, onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Dados do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) indicam que os principais aumentos em abril ocorreram em itens como massa de concreto, cimento, tubos e conexões de PVC — que são derivados de petróleo — além de vergalhões e arames de aço ao carbono. O preço do alumínio, que tem o Oriente Médio como responsável por cerca de 9% da oferta global, atingiu o maior valor em quatro anos devido ao conflito.

Três casas de análise de ações — BTG Pactual, Itaú BBA e Santander — alertaram que os custos resultantes do conflito podem alterar as perspectivas do setor. Os analistas do BTG Pactual destacam que os aumentos nos preços de materiais como concreto, PVC e alumínio ainda não estão totalmente refletidos nos índices de inflação do setor. O risco principal é que as incorporadoras sejam obrigadas a aumentar os preços dos imóveis, o que pode reduzir a demanda dos consumidores.

No início de abril, dez entidades da construção civil enviaram ofícios à Casa Civil e aos ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Relações Institucionais, solicitando medidas emergenciais em resposta à disparada nos preços de insumos. A proposta abrange a criação de um normativo temporário que estabeleça uma referência para a variação dos índices contratuais, em um patamar considerado "justo e suportável", e que permita reajustes mensais enquanto a situação persistir.

Além dos derivados de petróleo, o aumento no preço dos combustíveis também impacta diretamente o custo do frete, o que afeta toda a cadeia da construção. Klavdianos assinala que o impacto mais imediato é no frete, especialmente devido ao preço do diesel, que tem um peso significativo, pois é assim que os materiais são transportados para as obras. O governo federal, em resposta, implementou diversas medidas, incluindo a isenção de impostos federais e incentivos à importação.

Apesar do aumento nos custos, o setor da construção civil descarta, por enquanto, a possibilidade de uma crise de oferta semelhante àquela vivida durante a pandemia. Klavdianos afirma que não há falta de materiais e que as fábricas estão em operação. "Conseguimos trabalhar", diz ele. Embora o mercado global esteja tumultuado, não está paralisado, conforme assegura Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, que observa que o impacto atual é mais relacionado a custos do que a oferta dentro da cadeia produtiva.

Materiais como resinas, polímeros e tintas também já mostram aumentos significativos. O principal desafio enfrentado pelo setor é a imprevisibilidade. A volatilidade das condições internacionais prejudica o planejamento financeiro das empresas, a formação de preços e as negociações com fornecedores.

Desta forma, a situação atual da construção civil no Brasil requer atenção redobrada. O aumento de custos pode não apenas afetar a margem de lucro das construtoras, mas também o acesso à moradia para muitos brasileiros que dependem de programas habitacionais.

O governo precisa agir rapidamente para mitigar os efeitos dessa alta de preços, garantindo que os investimentos em infraestrutura e habitação continuem a fluir. A implementação de medidas emergenciais deve ser uma prioridade para evitar um cenário de crise.

A criação de um normativo adequado para a variação dos índices contratuais é uma solução que pode trazer um alívio necessário neste momento de incerteza. Além disso, a estabilidade na oferta de materiais deve ser mantida para não comprometer as obras em andamento.

Por fim, a colaboração entre o governo e o setor privado é essencial para encontrar soluções que assegurem o equilíbrio no mercado da construção civil. Sem esse diálogo, os efeitos da guerra no Irã podem se prolongar e gerar consequências indesejadas para a economia brasileira.

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Ana Clara Santos Lopes

Sobre Ana Clara Santos Lopes

Graduanda em Economia pela FGV, entusiasta de criptoativos e finanças pessoais. Escreve sobre as flutuações do mercado brasileiro e tendências globais de investimento. Ama culinária vegana e descobrir novos sabores regionais.