CSN recebe mais propostas do que o esperado para venda de ativos, afirma diretor financeiro
14 MAI

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Economia
Arthur Jamil Penna Por Arthur Jamil Penna - Há 3 meses
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A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) surpreendeu o mercado ao receber um número maior de interessados do que o inicialmente previsto para a venda de seus ativos. Entre os itens à venda, destaca-se o controle da cimenteira do grupo e uma participação em operações logísticas, conforme revelou o diretor financeiro da empresa, Antonio Marco Rabello, durante uma conferência com analistas, realizada na última quinta-feira, dia 14.

Rabello destacou que a empresa recebeu um volume expressivo de propostas não vinculantes, também conhecidas como 'non binding', e expressou otimismo em relação à conclusão do processo de venda da CSN Cimentos até o terceiro trimestre deste ano. O diretor ressaltou que todos os interessados são considerados estratégicos e que a definição do percentual de ações a serem vendidas ficará a cargo do comprador.

Ainda segundo Rabello, embora não tenha revelado o número exato de propostas recebidas, a CSN está disposta a vender até 100% de sua cimenteira. O objetivo dessa venda é levantar capital significativo para ajudar a reduzir a dívida total do grupo. O diretor também comentou sobre uma linha de crédito com um consórcio de bancos, que totaliza US$ 1,2 bilhão, podendo chegar a US$ 1,4 bilhão. Ele afirmou que um terço desses recursos já foi utilizado e que, se a venda da CSN Cimentos ocorrer conforme o esperado, não será necessário adicionar mais US$ 200 milhões a essa linha de crédito.

Rabello adiantou que a expectativa é que as ações de due diligence, que são investigações realizadas pelos potenciais compradores, comecem nas próximas duas semanas. Esse processo é crucial para que a venda da companhia avance para a fase vinculativa, onde os interessados formalizam suas ofertas.

Paralelamente, a CSN continua a trabalhar na reestruturação e redução de suas dívidas, focando especialmente nos vencimentos de 2028, que totalizam R$ 11,75 bilhões. Desses, quase R$ 8 bilhões referem-se a dívidas no mercado de capitais. O diretor financeiro informou que, embora a empresa ainda não tenha feito propostas para refinanciar uma dívida de US$ 1,3 bilhão que vence em 2028, há uma intenção de alongar os prazos de pagamento o mais rápido possível, utilizando parte do caixa para isso.

No final de março, a CSN possuía R$ 14,6 bilhões em disponibilidades, sem contar o empréstimo-ponte negociado em março. Antes de 2028, a empresa enfrentará vencimentos de R$ 6,6 bilhões este ano e R$ 8,2 bilhões em 2027, sobre os quais já está tomando medidas, conforme o diretor. Ele destacou que a empresa já tem um mapeamento das dívidas que vencem em 2026, 2027 e 2028, com o objetivo de tornar a dívida mais longa e mais barata.

Na esfera operacional, a divisão de siderurgia da CSN começou a sentir os efeitos das novas medidas de defesa comercial implementadas pelo governo federal. O diretor comercial, Luis Fernando Martinez, afirmou que a empresa já está se preparando para um aumento nos preços do aço no mercado interno, previsto para a segunda metade deste mês. Em março, 49% das vendas da empresa, que totalizaram 1,12 milhão de toneladas de aço no primeiro trimestre, foram registradas nesse período.

Além disso, a CSN retomou suas exportações, beneficiada pelas consequências geopolíticas da guerra no Oriente Médio. Martinez expressou confiança de que o segundo trimestre será mais forte, com a expectativa de que a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) retorne para dois dígitos. No primeiro trimestre, a margem Ebitda da siderurgia foi de 7%, impactada por um desempenho fraco em janeiro e fevereiro, após ter alcançado 13,4% nos três últimos meses do ano anterior.

Os diretores da CSN preveem que haverá uma queda significativa nas importações de aço no Brasil entre o segundo e o terceiro trimestres, o que deve ajudar a melhorar o poder de precificação dos produtores locais e aumentar o uso da capacidade produtiva nacional. O diretor comercial informou que espera um aumento de 5% a 7% no preço médio do aço no segundo trimestre, em comparação ao início do ano. Ele afirmou que está sendo cuidadoso com os reajustes para não prejudicar a recuperação de volumes de materiais revestidos.

O setor siderúrgico nacional aguarda também novas medidas antidumping por parte do governo federal, que podem ser adotadas entre o final de junho e o início de julho, visando as importações de aço laminado a quente. Martinez comentou que a CSN está solicitando ao governo investigações sobre a folha metálica, um dos principais produtos da empresa, que é amplamente utilizado na indústria de embalagens e vem de países como Alemanha e Índia. Além disso, a empresa está colaborando com a Receita Federal para fiscalizar as importações do Vietnã, com o intuito de evitar práticas de comércio desleal.

Desta forma, a movimentação da CSN em busca de interessados para a venda de ativos demonstra uma estratégia clara de reestruturação financeira. O aumento na quantidade de propostas recebidas indica que o mercado ainda vê potencial na cimenteira e nas operações logísticas da empresa.

A expectativa de levantar um capital significativo para reduzir a dívida é uma medida prudente, considerando o montante expressivo de compromissos financeiros que a empresa enfrenta nos próximos anos. A venda pode ajudar a CSN a se tornar mais ágil e menos vulnerável às oscilações do mercado.

Além disso, a recuperação das operações de siderurgia e a expectativa de aumento nos preços do aço são fatores que podem contribuir positivamente para o desempenho financeiro da empresa. A adoção de medidas antidumping pelo governo também sinaliza um apoio necessário para a indústria nacional.

Em resumo, a capacidade da CSN de se adaptar e buscar soluções para seus desafios financeiros e operacionais será crucial para seu futuro. A combinação de venda de ativos e estratégias de redução de dívida pode ser um caminho viável para a recuperação e crescimento sustentado da empresa.

Por fim, a evolução do mercado de aço no Brasil e as ações governamentais contra práticas desleais de importação serão elementos importantes a serem monitorados nos próximos meses. A CSN deve continuar a se posicionar estrategicamente para garantir sua competitividade no setor.

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Arthur Jamil Penna

Sobre Arthur Jamil Penna

Economista comportamental mestre em Hábitos de Consumo. Atua auxiliando famílias no planejamento financeiro estratégico. Paixão pela psicologia econômica. Pratica aeromodelismo clássico no tempo livre aos fins de semana.