CSN recebe mais propostas do que o esperado para venda de ativos, afirma diretor financeiro - Informações e Detalhes
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) surpreendeu o mercado ao receber um número maior de interessados do que o inicialmente previsto para a venda de seus ativos. Entre os itens à venda, destaca-se o controle da cimenteira do grupo e uma participação em operações logísticas, conforme revelou o diretor financeiro da empresa, Antonio Marco Rabello, durante uma conferência com analistas, realizada na última quinta-feira, dia 14.
Rabello destacou que a empresa recebeu um volume expressivo de propostas não vinculantes, também conhecidas como 'non binding', e expressou otimismo em relação à conclusão do processo de venda da CSN Cimentos até o terceiro trimestre deste ano. O diretor ressaltou que todos os interessados são considerados estratégicos e que a definição do percentual de ações a serem vendidas ficará a cargo do comprador.
Ainda segundo Rabello, embora não tenha revelado o número exato de propostas recebidas, a CSN está disposta a vender até 100% de sua cimenteira. O objetivo dessa venda é levantar capital significativo para ajudar a reduzir a dívida total do grupo. O diretor também comentou sobre uma linha de crédito com um consórcio de bancos, que totaliza US$ 1,2 bilhão, podendo chegar a US$ 1,4 bilhão. Ele afirmou que um terço desses recursos já foi utilizado e que, se a venda da CSN Cimentos ocorrer conforme o esperado, não será necessário adicionar mais US$ 200 milhões a essa linha de crédito.
Rabello adiantou que a expectativa é que as ações de due diligence, que são investigações realizadas pelos potenciais compradores, comecem nas próximas duas semanas. Esse processo é crucial para que a venda da companhia avance para a fase vinculativa, onde os interessados formalizam suas ofertas.
Paralelamente, a CSN continua a trabalhar na reestruturação e redução de suas dívidas, focando especialmente nos vencimentos de 2028, que totalizam R$ 11,75 bilhões. Desses, quase R$ 8 bilhões referem-se a dívidas no mercado de capitais. O diretor financeiro informou que, embora a empresa ainda não tenha feito propostas para refinanciar uma dívida de US$ 1,3 bilhão que vence em 2028, há uma intenção de alongar os prazos de pagamento o mais rápido possível, utilizando parte do caixa para isso.
No final de março, a CSN possuía R$ 14,6 bilhões em disponibilidades, sem contar o empréstimo-ponte negociado em março. Antes de 2028, a empresa enfrentará vencimentos de R$ 6,6 bilhões este ano e R$ 8,2 bilhões em 2027, sobre os quais já está tomando medidas, conforme o diretor. Ele destacou que a empresa já tem um mapeamento das dívidas que vencem em 2026, 2027 e 2028, com o objetivo de tornar a dívida mais longa e mais barata.
Na esfera operacional, a divisão de siderurgia da CSN começou a sentir os efeitos das novas medidas de defesa comercial implementadas pelo governo federal. O diretor comercial, Luis Fernando Martinez, afirmou que a empresa já está se preparando para um aumento nos preços do aço no mercado interno, previsto para a segunda metade deste mês. Em março, 49% das vendas da empresa, que totalizaram 1,12 milhão de toneladas de aço no primeiro trimestre, foram registradas nesse período.
Além disso, a CSN retomou suas exportações, beneficiada pelas consequências geopolíticas da guerra no Oriente Médio. Martinez expressou confiança de que o segundo trimestre será mais forte, com a expectativa de que a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) retorne para dois dígitos. No primeiro trimestre, a margem Ebitda da siderurgia foi de 7%, impactada por um desempenho fraco em janeiro e fevereiro, após ter alcançado 13,4% nos três últimos meses do ano anterior.
Os diretores da CSN preveem que haverá uma queda significativa nas importações de aço no Brasil entre o segundo e o terceiro trimestres, o que deve ajudar a melhorar o poder de precificação dos produtores locais e aumentar o uso da capacidade produtiva nacional. O diretor comercial informou que espera um aumento de 5% a 7% no preço médio do aço no segundo trimestre, em comparação ao início do ano. Ele afirmou que está sendo cuidadoso com os reajustes para não prejudicar a recuperação de volumes de materiais revestidos.
O setor siderúrgico nacional aguarda também novas medidas antidumping por parte do governo federal, que podem ser adotadas entre o final de junho e o início de julho, visando as importações de aço laminado a quente. Martinez comentou que a CSN está solicitando ao governo investigações sobre a folha metálica, um dos principais produtos da empresa, que é amplamente utilizado na indústria de embalagens e vem de países como Alemanha e Índia. Além disso, a empresa está colaborando com a Receita Federal para fiscalizar as importações do Vietnã, com o intuito de evitar práticas de comércio desleal.
Desta forma, a movimentação da CSN em busca de interessados para a venda de ativos demonstra uma estratégia clara de reestruturação financeira. O aumento na quantidade de propostas recebidas indica que o mercado ainda vê potencial na cimenteira e nas operações logísticas da empresa.
A expectativa de levantar um capital significativo para reduzir a dívida é uma medida prudente, considerando o montante expressivo de compromissos financeiros que a empresa enfrenta nos próximos anos. A venda pode ajudar a CSN a se tornar mais ágil e menos vulnerável às oscilações do mercado.
Além disso, a recuperação das operações de siderurgia e a expectativa de aumento nos preços do aço são fatores que podem contribuir positivamente para o desempenho financeiro da empresa. A adoção de medidas antidumping pelo governo também sinaliza um apoio necessário para a indústria nacional.
Em resumo, a capacidade da CSN de se adaptar e buscar soluções para seus desafios financeiros e operacionais será crucial para seu futuro. A combinação de venda de ativos e estratégias de redução de dívida pode ser um caminho viável para a recuperação e crescimento sustentado da empresa.
Por fim, a evolução do mercado de aço no Brasil e as ações governamentais contra práticas desleais de importação serão elementos importantes a serem monitorados nos próximos meses. A CSN deve continuar a se posicionar estrategicamente para garantir sua competitividade no setor.
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