Funcionário do Google é indiciado por usar dados internos para lucrar US$ 1 milhão em apostas
28 MAI

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Cotidiano
Helena Vieira Martins Por Helena Vieira Martins - Há 2 dias
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Um engenheiro do Google, identificado como Michele Spagnuolo, foi preso em Nova York sob a acusação de utilizar informações internas da empresa para realizar apostas lucrativas na plataforma de mercado de previsão Polymarket. O procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York anunciou que Spagnuolo violou as leis de abuso de informação privilegiada ao fazer diversas apostas com base em dados que ele acessou através de seu trabalho na gigante da tecnologia.

Spagnuolo, que possui cidadania italiana e reside na Suíça, foi detido no dia 27 de maio e compareceu diante de um juiz federal. Ele é acusado de ter gerado ganhos de aproximadamente US$ 1,2 milhão (equivalente a cerca de R$ 6 milhões) ao utilizar informações privilegiadas obtidas por meio de seu cargo no Google. A empresa, em uma declaração oficial, afirmou estar colaborando com as autoridades na investigação e informou que o funcionário foi suspenso.

De acordo com a porta-voz do Google, as informações utilizadas por Spagnuolo eram acessíveis a todos os funcionários, mas o uso dessas informações para apostas representa uma violação grave das políticas internas da empresa. Um representante da Polymarket também se pronunciou, afirmando que a plataforma colaborou com as investigações e destacou a natureza transparente e rastreável das negociações realizadas em blockchain, tecnologia que sustenta a plataforma e que é aplicada em criptomoedas.

A prisão de Spagnuolo foi resultado de uma ação conjunta entre a Procuradoria dos EUA e o FBI. Ele foi liberado após pagar fiança de US$ 2,25 milhões. Embora o engenheiro tenha usado vários nomes de usuários, o FBI conseguiu rastrear suas contas, uma delas foi identificada por meio de um documento de identidade italiano.

Spagnuolo trabalhou no Google por mais de 12 anos, especializando-se em segurança da informação. O engenheiro começou a fazer apostas na Polymarket em 2024, e entre outubro e dezembro do ano anterior, ele teria apostado em um total de US$ 2,7 milhões, com lucros superiores a US$ 1 milhão decorrentes de suas apostas.

As apostas mais significativas feitas por Spagnuolo estavam relacionadas a previsões sobre quem seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025. Ele apostou contra figuras conhecidas como Bianca Censori e o ex-presidente Donald Trump, enquanto apostou a favor do cantor D4vd, que acabou se tornando o mais pesquisado, mesmo com probabilidades consideradas baixas na plataforma.

Documentos do tribunal revelam que Spagnuolo tinha conhecimento prévio de que D4vd seria o mais pesquisado devido ao acesso que tinha a dados que o Google coletou antes da divulgação pública. Atualmente, D4vd está enfrentando acusações de assassinato de uma adolescente, o que torna suas apostas ainda mais controversas.


Desta forma, a situação envolvendo Michele Spagnuolo traz à tona importantes questões sobre a ética no uso de informações no ambiente corporativo. O caso não só reflete a vulnerabilidade de sistemas de segurança da informação, mas também serve como um aviso para outras empresas sobre a necessidade de reforçar políticas internas de conformidade.

A violação de informações privilegiadas, como a que foi cometida por Spagnuolo, pode ter consequências sérias, não apenas para o indivíduo envolvido, mas também para a reputação da empresa. É fundamental que as empresas estabeleçam mecanismos de controle mais rigorosos para evitar abusos de acesso a dados sensíveis.

Além disso, a resposta rápida do Google em suspender o funcionário e colaborar com as autoridades é um passo importante na gestão de crises. Essa ação pode ajudar a restaurar a confiança do público e dos investidores na integridade da empresa.

Em resumo, a transparência nas operações e a responsabilização dos funcionários são essenciais para evitar que situações como esta se repitam. O uso de dados internos para fins pessoais não deve ser tolerado e deve ser combatido com uma abordagem firme e eficaz.

Finalmente, o caso de Spagnuolo pode servir como um exemplo didático para outras grandes corporações sobre a importância de uma cultura organizacional que priorize a ética e a responsabilidade no tratamento de informações confidenciais.

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Helena Vieira Martins

Sobre Helena Vieira Martins

Graduanda em Sociologia, analisa os fenômenos do cotidiano das grandes metrópoles brasileiras. Paixão por fotografia de rua e cinema clássico europeu. Adora fazer trekking e trilhas longas em parques nacionais.