Investidores reagem negativamente a preços de leilão de energia e futuro do setor é incerto - Informações e Detalhes
Os preços divulgados para o leilão de geração de energia elétrica programado para este ano não foram bem recebidos pelos investidores, gerando preocupações sobre a participação de empresas no evento, que está marcado para o dia 18 de março. O Ministério de Minas e Energia (MME) enviou as informações sobre os preços à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última segunda-feira (9), e a divulgação oficial ocorreu em uma reunião na manhã seguinte.
A situação gerou uma divisão incomum entre os interessados do setor. Enquanto algumas entidades de consumidores afirmam que os valores estão dentro do esperado com base em leilões anteriores, analistas de mercado apontam que as remunerações propostas estão de 20% a 47% abaixo das expectativas, tornando-se insuficientes para viabilizar a construção de novas usinas térmicas e até mesmo para a operação das que já estão em funcionamento.
Três analistas consultados pela Folha de S.Paulo, que preferiram não se identificar, concordam que, se os preços permanecerem como estão, o leilão poderá ser um fracasso. Este leilão é importante porque visa assegurar a reserva de capacidade do sistema elétrico nacional, ou seja, garantir que usinas antigas e novos projetos estejam disponíveis em momentos de alta demanda, que atualmente ocorrem com frequência.
O Brasil, que tem aumentado seu uso de energia solar, necessita dessa reserva para garantir a estabilidade do sistema elétrico, especialmente durante o período noturno, quando o consumo de energia é elevado. As usinas térmicas, que utilizam diferentes fontes de energia, e as hidrelétricas são essenciais para oferecer essa segurança e evitar apagões.
Com a crescente utilização de energia solar, particularmente a geração distribuída em residências, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já alertou para o aumento do risco de blecautes sem a adequada reserva de capacidade. O leilão, que poderia movimentar investimentos estimados em bilhões de reais, tem um potencial de gerar até R$ 30 bilhões anuais durante 15 anos, dependendo do sucesso na sua realização.
A reação negativa ao preço proposto é evidenciada pela queda nas ações da Eneva, uma das maiores operadoras de usinas térmicas do país e que tem interesse em participar do leilão. As ações da empresa chegaram a cair quase 20%, fechando o dia com uma desvalorização de 9,66%, cotadas a R$ 19,82. O banco BTG Pactual, principal acionista da Eneva, emitiu um relatório pessimista, enfatizando que os preços estão muito baixos e que, se o leilão não tiver sucesso, o governo poderá ser obrigado a adotar soluções emergenciais mais onerosas no futuro.
A expectativa é de que as empresas interessadas, incluindo grandes nomes como Petrobras e Âmbar, dos irmãos Batista, abordem o ministério para discutir as preocupações em relação aos preços. Esse assunto deverá ser levantado durante o CEO Conference, evento promovido pelo BTG, que contará com a presença do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nesta quarta-feira (11).
Um analista de um banco concorrente, que também não se identificou, destacou que os preços anunciados estão desatualizados e não refletem os custos atuais de novos projetos. No último ano, o custo de construção de novas térmicas aumentou entre 40% e 50%, e quem deseja adquirir novas turbinas enfrenta filas de espera que podem chegar a sete anos. Para garantir prioridade, os investidores precisam pagar um bônus às fabricantes, o que eleva ainda mais os custos.
Luiz Barroso, presidente da PSR, uma das consultorias de maior renome no setor, também comentou que os preços anunciados estão aquém da maioria das expectativas do mercado, e sua equipe está revisando os cálculos para entender as discrepâncias. Por outro lado, a Abrace, que representa grandes consumidores industriais, tentou acalmar a situação, afirmando que o leilão não deve ser visto como a única oportunidade para que geradores térmicos vendam capacidade, ressaltando que há espaço para a realização de outros leilões ao longo do ano, caso os resultados deste não sejam satisfatórios.
O presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, observou que os custos de energia no Brasil já são elevados em comparação a outros países, e se os preços do leilão precisarem ser ajustados para cima, pode ser necessário explorar alternativas adicionais, como um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.
Gostou dessa notícia? Você pode compartilhá-la com seus amigos!