Irã realiza manifestações diárias em apoio ao governo após mais de dois meses de conflito
17 MAI

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Cotidiano
Leonardo Jorge Medeiros Por Leonardo Jorge Medeiros - Há 8 dias
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No último domingo, 17 de maio, o Irã completou 71 dias consecutivos de manifestações em apoio ao governo, que se intensificaram desde o início da guerra entre o país e as forças dos Estados Unidos e de Israel. Desde os ataques que ocorreram no dia 28 de fevereiro, milhares de iranianos têm se reunido todas as noites em praças de diversas cidades, mostrando bandeiras do Irã e imagens do aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em um ataque israelense no início do conflito, além de seu filho, Mojtaba Khamenei, que se tornou o novo líder supremo do país.

A praça Enghelab, localizada na capital Teerã, tem sido um dos principais locais de concentração das manifestações. Na última quarta-feira, 13 de maio, uma grande quantidade de pessoas se reuniu no local para celebrar a seleção iraniana de futebol que irá competir na Copa do Mundo. Esse evento foi utilizado como uma oportunidade para expressar apoio ao país durante a guerra e para manifestar rejeição a Estados Unidos e Israel. Os jogadores foram recebidos como verdadeiros heróis, sendo aclamados por gritos de "Irã".

Durante a manifestação, diversos ambulantes comercializavam bandeiras com as imagens do aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da revolução islâmica de 1979, ao lado de Ali e Mojtaba Khamenei. Além disso, a presença de mulheres sem o hijab, o véu islâmico, foi notada entre os manifestantes, algo que é comum entre os segmentos mais religiosos e apoiadores do governo.

Na direção da manifestação, um painel satirizava o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, apresentando várias imagens de Trump junto a Jeffrey Epstein, que foi condenado por crimes sexuais. Esse tipo de arte de protesto reflete o descontentamento popular com os líderes desses países.

A praça Valiasr, também em Teerã, é outro ponto onde ocorrem protestos noturnos, em frente a um grande outdoor que retrata Trump "amordaçado" pelo estreito de Hormuz, uma região estratégica que o Irã controla e pela qual passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás.

Os iranianos têm expressado críticas contundentes aos EUA e a Israel. Maryam, uma comerciante de 34 anos, declarou que ambos os países desejam tomar o petróleo do Irã, mas acreditam que não conseguirão alcançar esse objetivo. "Não vamos abrir mão da nossa independência por causa dos ataques. Vamos resistir. Esses países estão em guerra contra o Irã há décadas, com sanções, e não conseguem vencer", afirmou.

Ahmed, um ambulante de Saveh e veterano da Marinha que lutou na guerra Irã-Iraque, também expressou otimismo. Ele considera que a guerra atual é insignificante em comparação ao que o Irã já enfrentou. "Ninguém de fora consegue mudar o Irã", ressaltou, referindo-se à resistência histórica do país.

Teerã está repleta de fotos e outdoors em homenagem a Ali Khamenei e seu filho, além de diversas imagens de líderes militares que perderam a vida em bombardeios israelenses no início da guerra. Memoriais também foram estabelecidos em lembrança das 120 crianças que faleceram em 28 de fevereiro, durante os ataques americanos que atingiram uma escola em Minab, no sul do Irã.

Em um centro de formação de jovens e crianças, a equipe da Folha observou que os adolescentes, em aulas de astronomia, decidiram batizar 21 estrelas que identificaram no céu com os nomes das vítimas da escola em Minab, em vez de usar os próprios nomes, algo que demonstra uma forte conexão emocional com as vítimas.

Desta forma, as manifestações diárias no Irã revelam não apenas um apoio ao governo, mas também uma resistência cultural e política diante das pressões externas. O sentimento de unidade entre os iranianos, reforçado por figuras históricas e líderes atuais, é evidente nas ruas do país.

Em resumo, a luta pela independência e a preservação da identidade nacional são temas recorrentes nas manifestações. A narrativa de resistência do povo iraniano, que já enfrentou desafios significativos em sua história, continua a ser um pilar central na atual conjuntura.

Assim, as manifestações em apoio ao governo se tornam um reflexo de uma sociedade que busca afirmar sua soberania diante de ameaças percebidas. A presença de jovens nas ruas, desafiando normas e expressando suas opiniões, é um sinal de que o futuro do país está em discussão.

Então, o contexto de guerra e as tensões geopolíticas não apenas moldam a política interna, mas também influenciam a cultura popular e a forma como os iranianos se veem no mundo. A resistência e a luta pela dignidade nacional permanecem temas centrais na vida cotidiana.

Finalmente, é fundamental acompanhar os desdobramentos dessa situação, pois ela não afeta apenas o Irã, mas também as relações internacionais e a dinâmica de poder na região do Oriente Médio.

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Leonardo Jorge Medeiros

Sobre Leonardo Jorge Medeiros

Graduando em Engenharia Civil, analisa o impacto do desenvolvimento urbano no cotidiano dos moradores locais. Paixão por infraestrutura e pontes. Hobby principal inclui a escultura em argila e metal fundido.