Marketing agressivo em torno da perimenopausa e menopausa gera preocupação entre especialistas
09 JUN

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Natália Souza Trindade Por Natália Souza Trindade - Há 19 dias
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A perimenopausa e a menopausa estão se tornando alvos de um marketing cada vez mais agressivo, que se aproveita da vulnerabilidade das mulheres nesse período. Especialistas ressaltam que, embora a conscientização sobre essas fases da vida feminina tenha aumentado, também tem crescido a disseminação de produtos e serviços que nem sempre apresentam eficácia comprovada.

De acordo com a médica Paula Briggs, membro da Sociedade Britânica de Menopausa, o mercado relacionado à menopausa já movimenta centenas de bilhões de dólares, abrangendo consultas, medicamentos, procedimentos e uma infinidade de produtos. "O problema é que, com esse crescimento, muitas informações enganosas circulam nas redes sociais, levando mulheres a conclusões erradas sobre suas condições de saúde", alertou.

Briggs observou que mulheres mais jovens, algumas com apenas 30 anos, estão sendo orientadas a exigir terapia de reposição hormonal para problemas que podem ser tratados com contraceptivos. "Muitas delas ainda estão em idade fértil e não estão na menopausa", explicou. Essa confusão pode resultar em diagnósticos equivocados e tratamentos desnecessários, colocando em risco a saúde de muitas mulheres.

Além disso, a endocrinologista Channa Jayasena, do Imperial College London, destacou que é fundamental que os médicos considerem a possibilidade de que algumas queixas possam estar relacionadas a outros problemas de saúde e não apenas à perimenopausa. "A medicalização excessiva pode ser prejudicial", afirmou.

Janice Rymer, professora de obstetrícia e ginecologia do King’s College London, também enfatizou a necessidade de um diagnóstico preciso. "Se uma mulher está menstruando regularmente, ela não está na perimenopausa. É simples assim", disse.

Nos Estados Unidos, a situação não é diferente. Médicos têm alertado sobre o marketing agressivo de produtos e suplementos que prometem resolver sintomas sem comprovação científica. Entre os itens disponíveis no mercado, estão loções, séruns e aparelhos que alegam tratar os sinais do envelhecimento e aliviar sintomas da menopausa.

Em uma entrevista à CNN, a professora Nanette Santoro, da Universidade do Colorado Anschutz, recomendou cautela às mulheres. "Antes de gastar dinheiro em produtos, é essencial que conversem com seus médicos sobre o que realmente é eficaz e o que pode ser prejudicial", aconselhou. Essa abordagem crítica é fundamental para evitar que mulheres sejam seduzidas por promessas vazias.

O mercado de saúde feminina também enfrenta críticas de especialistas como Adriane Fugh-Berman e Patricia Bencivenga, da organização PharmedOut. Elas publicaram um artigo na revista STAT, onde afirmam que a indústria está vendendo a ideia de que as mulheres são governadas por seus hormônios, ampliando a medicalização da menopausa para mulheres cada vez mais jovens.

Essas especialistas afirmam que muitos dos sintomas atribuídos à perimenopausa podem ser simplesmente parte do processo natural de envelhecimento. A visão distorcida de que a perimenopausa é uma fase aterrorizante, causada por hormônios instáveis, é impulsionada por influenciadores e profissionais que, muitas vezes, têm interesses comerciais em jogo.


Desta forma, é imprescindível que as mulheres tenham acesso a informações corretas e embasadas sobre a perimenopausa e a menopausa. A proliferação de informações equivocadas pode levar a um uso inadequado de tratamentos, que nem sempre são necessários. Isso não apenas pode prejudicar a saúde, mas também gerar um custo financeiro desnecessário.

É essencial que as mulheres se sintam empoderadas a buscar orientação médica qualificada, ao invés de se deixarem levar por campanhas de marketing enganosas. A troca de experiências e informações entre profissionais de saúde e pacientes é fundamental para garantir um tratamento adequado e seguro.

O fortalecimento da educação sobre saúde feminina e a promoção de diálogos abertos sobre a menopausa são passos importantes para que as mulheres possam fazer escolhas informadas. Somente assim, será possível evitar a medicalização desnecessária e garantir que cada mulher receba o cuidado que realmente precisa.

Finalmente, é necessário que a sociedade compreenda que a menopausa e a perimenopausa fazem parte do ciclo natural da vida e não devem ser vistas como doenças. A mudança de percepção é crucial para que as mulheres possam atravessar essas fases com mais tranquilidade e segurança.

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Natália Souza Trindade

Sobre Natália Souza Trindade

Estilista graduanda em Design de Interiores e Mobiliário. Atua colaborando em diversas revistas de Estilo e Decoração. Paixão por arquitetura minimalista e funcionalidade. Pratica cerâmica artesanal manual como hobby.