Ouro registra alta mesmo com dados positivos do mercado de trabalho dos EUA
11 FEV

Carta Branca - As notícias de último minuto estão sempre aqui. Fique por dentro!

SAIBA MAIS
Economia
Bianca Teles Fonseca Por Bianca Teles Fonseca - Há 2 meses
3679 3 minutos de leitura

O ouro encerrou o dia desta quarta-feira, 11 de outubro, com uma valorização superior a 1%, apesar da divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos, conhecido como payroll, que trouxe dados robustos. Essa situação, que normalmente poderia levar a uma queda no preço do metal precioso devido à expectativa de manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), não afetou a alta do ouro. Analistas do mercado destacam que a demanda por ouro continua a ser um fator importante, especialmente devido às compras feitas por bancos centrais.

Na Comex, a divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato de ouro com vencimento em abril fechou em alta de 1,34%, atingindo a marca de US$ 5.098,50 por onça-troy. Por sua vez, a prata, com vencimento em março, subiu 4,40%, alcançando US$ 93,92 por onça-troy. Apesar da elevação nas taxas de juros dos títulos do governo americano e do fortalecimento do dólar nas primeiras horas do dia, o ouro manteve sua valorização.

Os especialistas da Avenue comentam que a forte leitura do payroll pode adiar as expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Fed. Embora a possibilidade de uma flexibilização monetária ainda esteja presente para junho, as chances de que essa redução ocorra apenas no segundo semestre de 2026 aumentaram.

Em um contexto mais amplo, as tensões geopolíticas também estão influenciando o mercado. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o país está disposto a se submeter a inspeções que garantam a natureza pacífica de seu programa nuclear, enquanto reafirmou que não cederá a exigências excessivas nas negociações com os Estados Unidos. Essa situação pode ter impactos diretos sobre o mercado de ouro e a demanda por ativos seguros.

Embora as compras de ouro por bancos centrais tenham se mantido, há uma mudança na composição das nações que estão comprando. Países do Leste Europeu, que têm uma grande dependência do acordo de segurança com os EUA, estão se aproximando do mercado de ouro, o que sugere uma menor desdolarização e uma maior diversificação de suas reservas, segundo análise da TD Securities.

Os analistas observam que, apesar das narrativas que impulsionam a compra de ouro serem convincentes, a continuidade do fluxo de investidores nesse mercado depende de condições específicas. No entanto, é importante destacar que as aquisições por bancos centrais podem estar permitindo a acumulação de capital no mercado de ouro, em vez de serem o único fator impulsionador da alta.

Desta forma, é fundamental analisar o que está por trás da alta do ouro em meio a dados econômicos que, normalmente, sugeririam uma queda. A resistência do metal precioso revela uma demanda persistente, especialmente por parte dos bancos centrais, que buscam diversificar suas reservas em um cenário global incerto.

A situação dos mercados financeiros, com a expectativa de manutenção das taxas de juros, também aponta para uma busca por ativos considerados seguros. O contexto geopolítico, incluindo as negociações em torno do programa nuclear do Irã, adiciona uma camada de complexidade às decisões de investimento.

Assim, a estratégia dos bancos centrais de diversificar suas reservas e a contínua demanda por ouro são elementos que devem ser monitorados. Esse comportamento pode indicar uma mudança na dinâmica do mercado, onde a segurança se torna uma prioridade em tempos de incerteza econômica.

Finalmente, o cenário atual sugere que a valorização do ouro pode continuar, desde que as condições de mercado e a demanda por parte dos bancos centrais permaneçam favoráveis. Os investidores devem permanecer atentos às movimentações dos bancos centrais e às implicações das políticas monetárias globais.

Gostou dessa notícia? Você pode compartilhá-la com seus amigos!

Bianca Teles Fonseca

Sobre Bianca Teles Fonseca

Mestre em Economia Aplicada ao Desenvolvimento. Atua analisando o impacto do agronegócio no PIB e as exportações brasileiras. Paixão por análise de dados e projeções. Estuda piano clássico desde a infância como hobby.