Preocupação com a presença do ICE afasta torcedores da Copa do Mundo nos EUA
06 JUN

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Cotidiano
Patrícia Soares Rocha Por Patrícia Soares Rocha - Há 2 horas
10372 5 minutos de leitura

À medida que a Copa do Mundo se aproxima, a presença de agentes do Serviço de Imigração e Fronteiras (ICE) nas 11 cidades-sede dos jogos nos Estados Unidos gera apreensão entre torcedores estrangeiros e organizações de direitos humanos. Uma pesquisa recente realizada pelo Washington Post em parceria com a Universidade de Maryland revelou que 65% dos americanos são contrários à atuação do ICE nos estádios durante o torneio.

Mais de 120 entidades emitiram um alerta de viagem direcionado a cerca de 10 milhões de visitantes, destacando os riscos que imigrantes e viajantes enfrentam, como prisões e deportações. Embora o secretário de Estado, Marco Rubio, tenha garantido que os agentes do ICE não atuarão dentro dos estádios, o receio persiste devido ao histórico de operações de imigração agressivas, especialmente durante o segundo mandato do governo Trump.

O comunicado das organizações civis menciona que os torcedores podem ser alvos de monitoramento invasivo em suas redes sociais e dispositivos eletrônicos, além de relatarem experiências de tratamento cruel e degradante durante a detenção. Grupos de apoio estão se mobilizando nas cidades-sede para proteger os torcedores. Por exemplo, em Dallas, o Movimento DFW distribui kits com apitos para alertar sobre a presença de agentes do ICE.

Além disso, em Los Angeles, onde ocorrerão oito partidas da Copa, um sindicato que representa cerca de dois mil funcionários do SoFi Stadium já ameaçou entrar em greve caso haja envio de agentes do ICE para o local. A preocupação é que a maioria dos trabalhadores seja composta por imigrantes, tornando-os alvos em potencial.

Outro fator que afasta torcedores é o alto custo dos ingressos, que tem dificultado a presença da comunidade haitiana de Massachusetts nos jogos, marcando a primeira participação da seleção do Haiti na Copa do Mundo. As reuniões da torcida também levantam preocupações entre a maior diáspora haitiana nos Estados Unidos, que conta com aproximadamente 87 mil pessoas.

Organizações como a Human Rights Watch, a Sport and Rights Alliance e a Dignity 2026 pedem uma trégua do ICE, sugerindo que as operações de fiscalização sejam suspensas durante o torneio. A proposta se inspira na tradição da trégua olímpica, que visa garantir a segurança e a liberdade de todos os participantes.

Segundo Micky Worden, diretora de Iniciativas Globais da Human Rights Watch, a FIFA poderia adotar práticas da Grécia Antiga e insistir em uma trégua com o ICE, evitando que operações de fiscalização de imigração causem violência e desrespeitem os direitos humanos.

O secretário do Departamento de Segurança Interna, Markwayne Mullin, confirmou que os agentes do ICE estarão presentes durante os jogos, mas defendeu que sua ação visa combater crimes como a venda de ingressos falsificados, a exploração de pessoas e o contrabando. No entanto, essa declaração é recebida com ceticismo por aqueles que estão acostumados com a brutalidade de algumas operações de imigração.

Desta forma, a situação atual em torno da Copa do Mundo nos EUA levanta preocupações legítimas sobre a segurança e os direitos dos torcedores, especialmente aqueles que são imigrantes. A presença do ICE em áreas próximas aos estádios pode se tornar um fator de exclusão e medo para muitos que desejam celebrar o evento.

É imperativo que as autoridades respeitem os direitos humanos e garantam que todos os torcedores, independentemente de sua origem, possam participar das festividades sem temor de represálias ou perseguições. A proposta de uma trégua durante a Copa é uma medida que merece consideração e apoio.

Além disso, a mobilização de grupos de defesa dos direitos humanos e a conscientização sobre o impacto das ações do ICE são fundamentais para criar um ambiente mais seguro e acolhedor. A Copa do Mundo deve ser um evento que une, e não que divide.

Assim, é fundamental que a FIFA e as autoridades locais se comprometam a garantir que os direitos de todos sejam respeitados. A proteção dos imigrantes deve ser uma prioridade, especialmente em um evento de alcance global como a Copa do Mundo.

Finalmente, por meio de ações concretas e diálogo aberto, é possível criar um espaço seguro para todos os torcedores, promovendo a inclusão e o respeito mútuo, fundamentais em qualquer evento esportivo.

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Patrícia Soares Rocha

Sobre Patrícia Soares Rocha

Antropóloga com foco em cultura popular e tradições brasileiras. Atua pesquisando costumes rurais e folclore regional. Paixão por literatura nacional contemporânea. Dedica-se ao bordado livre artesanal nas horas vagas.