Setor da Construção Civil Espera Crescimento de 2% em 2026 com Redução de Juros e Aumento de Investimentos
11 FEV

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Economia
Bianca Teles Fonseca Por Bianca Teles Fonseca - Há 2 meses
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A construção civil no Brasil deve apresentar um desempenho mais positivo em 2026, após um ano de desaceleração. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima um crescimento de 2% para o setor, marcando o terceiro ano consecutivo de expansão. Essa expectativa é impulsionada pela previsão de redução dos juros, maior disponibilidade de crédito imobiliário e incremento nos investimentos em infraestrutura.

Entre os fatores que devem contribuir para esse crescimento estão o orçamento recorde do FGTS destinado à habitação, novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida e um novo modelo de financiamento imobiliário que utiliza recursos da poupança. Além disso, iniciativas públicas focadas na reforma de moradias, como o programa Reforma Casa Brasil, com investimentos de aproximadamente R$ 40 bilhões, também são esperadas para ajudar o setor.

A ampliação dos limites do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) deve facilitar o acesso ao crédito para a compra de imóveis. Segundo a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, "a expectativa é de um crescimento no crédito imobiliário, o que terá efeitos positivos para o setor".

Desafios para o Crescimento

Apesar do cenário otimista, a construção civil ainda enfrenta vários desafios. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a CBIC, revela que a alta carga tributária, os juros ainda elevados e os custos da mão de obra, tanto qualificada quanto não qualificada, permanecem como os principais obstáculos.

O desempenho do setor também foi impactado por um ambiente de juros restritivos. Em 2025, a construção civil cresceu 1,7% até o terceiro trimestre na comparação anual, uma desaceleração em relação ao avanço de 4,2% registrado em 2024. Apesar disso, alguns indicadores continuaram a mostrar resultados positivos, como o consumo de cimento, que alcançou 66,9 milhões de toneladas em 2025, registrando uma alta de 3,68% em relação ao ano anterior.

Embora a confiança dos empresários tenha diminuído, a atividade da construção civil ainda gerou empregos. No final de 2025, o setor contava com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, representando um aumento de 3,08% em comparação ao ano anterior.

A construção de edifícios foi a atividade que concentrou o maior número de empregados e liderou a criação de novas vagas formais. Entre 2020 e 2025, o setor gerou cerca de 886.709 postos de trabalho com carteira assinada.

Os investimentos em infraestrutura também foram fundamentais para sustentar a atividade. Em 2025, os aportes podem ter alcançado R$ 280 bilhões, o que representa um crescimento de 3% em relação a 2024, com 84% desse total proveniente do capital privado.

Opinião da Redação

Desta forma, o crescimento previsto para o setor da construção civil em 2026 traz uma perspectiva positiva em meio a desafios persistentes. O planejamento de investimentos e a expectativa de queda nos juros são fatores que podem melhorar a situação do mercado imobiliário.

No entanto, a alta carga tributária e os custos da mão de obra ainda são barreiras significativas que precisam ser enfrentadas. A eficácia das novas políticas habitacionais e de financiamento será crucial para garantir que o crescimento se concretize.

O papel do governo também é essencial nesse cenário. Medidas que visem a desburocratização e a redução da carga tributária podem facilitar o acesso ao crédito e aumentar os investimentos no setor. Portanto, a colaboração entre o setor público e privado é fundamental.

Finalmente, a capacidade da construção civil de se adaptar às novas demandas do mercado e às incertezas econômicas será testada nos próximos anos. O foco em soluções sustentáveis e na modernização dos processos produtivos pode ser um caminho viável para a superação dos desafios.

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Bianca Teles Fonseca

Sobre Bianca Teles Fonseca

Mestre em Economia Aplicada ao Desenvolvimento. Atua analisando o impacto do agronegócio no PIB e as exportações brasileiras. Paixão por análise de dados e projeções. Estuda piano clássico desde a infância como hobby.