Surto de hantavírus em cruzeiro provoca mortes e suspeitas de transmissão entre passageiros
05 MAI

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Cotidiano
Cláudia Regina Lima Por Cláudia Regina Lima - Há 20 dias
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nesta terça-feira (5), que investiga um possível surto de hantavírus que pode ter ocorrido a bordo de um navio de cruzeiro de luxo. Sete casos de hantavírus foram identificados, sendo que duas das vítimas, um casal da Holanda, e um cidadão da Alemanha, faleceram. Um passageiro britânico está em estado crítico e recebe tratamento na África do Sul.

Além dos casos confirmados, três outros passageiros a bordo do navio apresentam sintomas suspeitos, incluindo uma pessoa com febre leve. As autoridades de saúde estão preocupadas com a possibilidade de transmissão de pessoa para pessoa, uma ocorrência rara para essa doença.

De acordo com a OMS, a hipótese inicial é que o casal holandês pode ter contraído o vírus fora do navio, possivelmente durante atividades de turismo, como a observação de pássaros na Argentina, antes de embarcarem. A transmissão entre pessoas pode ter ocorrido depois, enquanto estavam a bordo.

O navio, chamado Hondius, está atualmente isolado próximo a Cabo Verde, uma nação insular no Atlântico, e não pode desembarcar passageiros. A OMS planeja evacuar os dois passageiros que ainda estão doentes, levando-os de volta à Holanda, antes que o navio siga para as Ilhas Canárias.

A OMS também destacou que o risco de transmissão do hantavírus para a população em geral é baixo. A maioria das infecções ocorre através do contato com roedores infectados ou suas secreções, como urina e fezes. Embora a transmissão entre humanos seja incomum, a OMS observou que houve casos anteriores de transmissão limitada, especialmente com a cepa do vírus conhecida como Andes.

Maria Van Kerkhove, diretora de preparação e prevenção de epidemias da OMS, comentou que a transmissão pode ocorrer entre pessoas que têm contato próximo, como casais que compartilham cabines no navio. Ela confirmou que todos os passageiros com sintomas e os profissionais que cuidam deles estão utilizando equipamentos de proteção individual, e que medidas de desinfecção estão sendo aplicadas a bordo.

A OMS também recebeu a informação de que não havia ratos a bordo do navio, o que é um fator positivo na contenção do surto. Entretanto, a decisão sobre o destino do navio, se ele será recebido nas Ilhas Canárias, dependerá das informações epidemiológicas coletadas durante sua passagem por Cabo Verde.

O cruzeiro partiu do sul da Argentina no final de março e tem cerca de 150 pessoas a bordo, a maioria britânicos, americanos e espanhóis. A viagem, que incluiu paradas em locais remotos como a Antártica e a Geórgia do Sul, foi divulgada como uma expedição de natureza antártica, com preços de cabine variando entre 14 mil e 22 mil euros, o que equivale a aproximadamente R$ 81 mil a R$ 127 mil.

O primeiro caso confirmado de hantavírus no navio foi de um passageiro holandês que faleceu em 11 de abril. Seu corpo ficou a bordo até 24 de abril, quando foi desembarcado em Santa Helena, acompanhado pela esposa, que também apresentou sintomas. Ela faleceu em 26 de abril, ao chegar a um hospital na África do Sul.

As autoridades de saúde sul-africanas confirmaram que uma paciente britânica está sendo tratada em um hospital de Joanesburgo e testou positivo para o hantavírus. A OMS relatou que a esposa do falecido holandês também tinha o vírus. O rastreamento dos contatos nos voos relacionados a esses passageiros está em andamento.

Desta forma, a situação envolvendo o surto de hantavírus a bordo do navio Hondius levanta preocupações significativas sobre a saúde pública e a segurança dos passageiros. Embora a transmissão entre humanos seja considerada rara, os casos registrados demonstram a necessidade de vigilância contínua em viagens de turismo, especialmente em locais remotos.

Além disso, a rápida resposta das autoridades de saúde, como a OMS, é crucial para conter a propagação do vírus e proteger os passageiros. O isolamento do navio e a implementação de medidas de proteção são passos importantes, mas a comunicação clara com o público e com os passageiros é igualmente essencial.

É fundamental que os turistas estejam cientes dos riscos potenciais associados a viagens em áreas onde doenças zoonóticas são prevalentes. A conscientização e a educação sobre como evitar infecções podem ajudar a prevenir futuros surtos.

Finalmente, a situação atual destaca a importância de protocolos de saúde robustos em viagens internacionais, especialmente em cruzeiros, onde a proximidade entre os passageiros pode facilitar a disseminação de doenças. A prevenção deve ser uma prioridade para garantir a segurança de todos.

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Cláudia Regina Lima

Sobre Cláudia Regina Lima

Mestre em Comunicação e especialista em análise de tendências digitais. Atua desvendando mecanismos de informação no cotidiano moderno. Paixão por ética jornalística e ávida leitora de suspenses e thrillers brasileiros.