Trump assina ordem para supervisão de modelos de inteligência artificial
02 JUN

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Cotidiano
Patrícia Soares Rocha Por Patrícia Soares Rocha - Há 1 hora
9748 5 minutos de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, firmou nesta terça-feira (2) uma ordem executiva que estabelece novos parâmetros para o monitoramento de modelos avançados de inteligência artificial (IA). O objetivo principal dessa medida é garantir que o governo tenha acesso antecipado a esses modelos, permitindo uma avaliação dos riscos que podem representar para a segurança cibernética e a proteção de infraestruturas críticas.

A ordem executiva foi emitida em um contexto de crescente preocupação com a segurança cibernética, especialmente em relação a modelos como o Mythos, desenvolvido pela empresa Anthropic. Este modelo tem gerado apreensão tanto no governo quanto no mercado financeiro devido a potenciais vulnerabilidades que possam ser exploradas. Com a nova ordem, espera-se que as empresas de IA compartilhem voluntariamente informações sobre novos modelos até 30 dias antes de disponibilizá-los para outros parceiros, focando especialmente em capacidades cibernéticas avançadas.

A assinatura da ordem estava prevista para ocorrer há quase duas semanas, mas foi adiada a poucos momentos da cerimônia. Uma versão anterior da ordem, que circulou em maio, previa um período de revisão mais longo, de 90 dias, mas a nova versão foi ajustada após discussões entre os principais assessores de Trump e membros do seu gabinete, que consideraram a necessidade de um processo mais ágil, em consonância com a velocidade de desenvolvimento dos modelos de IA.

Além de solicitar maior colaboração das empresas de IA, a nova ordem também determina que as agências de segurança nacional reforcem suas defesas cibernéticas, estabelecendo um “centro de informações sobre cibersegurança”. Durante o desenvolvimento dessa ordem executiva, importantes empresas de tecnologia, incluindo a Anthropic, colaboraram diretamente com a Casa Branca. Vale lembrar que a Anthropic já havia enfrentado problemas com o Pentágono, que a incluiu em sua lista negra, considerando-a um “risco para a cadeia de suprimentos” após uma divergência em relação a diretrizes de segurança para seus modelos aplicados em sistemas militares classificados.

Nos últimos meses, a abordagem do governo Trump em relação à regulamentação da IA havia sido mais flexível, até que a Anthropic apresentou seu modelo Mythos. Especialistas alertam que modelos de IA avançados têm o potencial de facilitar ataques cibernéticos, o que torna uma análise prévia ainda mais crucial para a proteção do governo contra ameaças antes que elas sejam implementadas. Tanto a Anthropic quanto a OpenAI disponibilizaram acesso a seus modelos mais avançados para um grupo seleto de empresas e governos, visando auxiliá-los na preparação de suas defesas.

Recentemente, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), parte do Departamento de Comércio dos EUA, anunciou que as principais empresas de tecnologia iriam compartilhar versões ainda não lançadas de seus modelos de IA com o governo para avaliações relacionadas à segurança nacional. No entanto, esse anúncio foi retirado do site do Departamento de Comércio.

A ordem executiva original deveria ter sido assinada em uma cerimônia que contava com a presença de executivos das principais empresas de IA e tecnologia. Alguns deles estavam a caminho da Casa Branca quando a assinatura foi adiada. Trump comentou na ocasião que decidiu postergar a assinatura porque “não gostava de certos aspectos” da ordem e a considerava um possível obstáculo ao desenvolvimento da IA. "Quero garantir que isso não seja um entrave", afirmou o presidente americano na época.

Desta forma, a recente ordem executiva assinada por Donald Trump evidencia uma tentativa do governo americano de se antecipar aos riscos associados ao avanço da inteligência artificial. O acesso antecipado a modelos de IA é uma medida que pode proteger a segurança nacional e as infraestruturas críticas do país.

Entretanto, a eficácia dessa ordem depende da colaboração das empresas de tecnologia, que precisam entender a importância de compartilhar informações sobre seus modelos. A rapidez na evolução da IA exige um diálogo constante entre o setor privado e o governo.

É fundamental que as empresas de IA, como a Anthropic, compreendam que a transparência pode ser benéfica para todos. A segurança cibernética é um desafio crescente, e a colaboração entre o governo e as empresas pode resultar em um ambiente digital mais seguro.

Finalmente, a abordagem do governo em relação à regulamentação da IA deve ser equilibrada. O ideal é promover inovação sem deixar de lado a segurança. A proteção contra possíveis ataques cibernéticos deve ser uma prioridade, e isso só será possível com um compromisso conjunto.

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Patrícia Soares Rocha

Sobre Patrícia Soares Rocha

Antropóloga com foco em cultura popular e tradições brasileiras. Atua pesquisando costumes rurais e folclore regional. Paixão por literatura nacional contemporânea. Dedica-se ao bordado livre artesanal nas horas vagas.