Casal descobre que momentos íntimos foram gravados em hotel na China e compartilhados online
06 FEV

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Professor Ricardo Bittencourt Junior Por Professor Ricardo Bittencourt Junior - Há 2 meses
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Em uma noite de 2023, Eric (nome fictício) navegava por um canal de redes sociais que costumava acessar para consumir pornografia quando, poucos segundos após o início de um vídeo, ele congelou. Ele percebeu que o casal que ele observava — entrando no quarto, deixando as bolsas e, mais tarde, fazendo sexo — era ele mesmo e sua namorada, Emily (nome também fictício).

Três semanas antes, eles haviam passado a noite em um hotel em Shenzhen, no sul da China, sem saber que não estavam sozinhos. Os momentos mais íntimos do casal haviam sido capturados por uma câmera escondida no quarto do hotel, e as imagens foram disponibilizadas a milhares de desconhecidos que acessaram o mesmo canal que Eric usava para ver pornografia. A chamada 'pornografia de câmera escondida' existe na China há pelo menos uma década, apesar de a produção e a distribuição de pornografia serem ilegais no país.

Eric deixou de ser apenas um consumidor da indústria chinesa de pornografia com câmeras escondidas e se tornou uma vítima. No Brasil, a lei considera crime oferecer, trocar, transmitir, vender, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio — inclusive pela internet —, fotografias, vídeos ou outro registro audiovisual que contenha pornografia ou nudez sem o consentimento da vítima.

Apesar das proibições na China, nos últimos anos, o tópico de 'câmera escondida' passou a aparecer com frequência nas redes sociais, com pessoas — sobretudo mulheres — trocando dicas sobre como identificar câmeras do tamanho de uma borracha de lápis. Algumas chegaram a montar barracas dentro de quartos de hotel para evitar serem filmadas.

Em abril passado, o governo chinês implementou novas regras para tentar conter o problema, exigindo que donos de hotéis verifiquem regularmente a presença de câmeras escondidas. Entretanto, o risco de ser filmado secretamente na privacidade de um quarto de hotel persiste.

Um dos comerciantes de pornografia com câmeras escondidas mais ativos que encontrei foi um agente conhecido como 'AKA'. Fingindo ser consumidor, paguei para acessar um dos sites de transmissão ao vivo promovidos por ele. Após o login, era possível escolher entre cinco transmissões diferentes, cada uma mostrando vários quartos de hotel.

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Professor Ricardo Bittencourt Junior

Sobre Professor Ricardo Bittencourt Junior

Pesquisador em Inteligência Artificial, apaixonado por algoritmos e maratonas digitais. Graduado pela USP, atua no Vale do Silício pesquisando redes neurais e o impacto da tecnologia na sociedade. Paixão por astronomia amadora e observação de estrelas.