Crescimento nas exportações de sucata de alumínio pressiona reciclagem no Brasil
16 MAI

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Economia
Arthur Jamil Penna Por Arthur Jamil Penna - Há 9 dias
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As exportações brasileiras de sucata de alumínio apresentaram um aumento significativo de 51% nos últimos cinco anos, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O volume exportado subiu de 28 mil toneladas em 2020 para 42,4 mil toneladas em 2025. Essa alta é impulsionada pela crescente demanda global por alumínio reciclado, que é considerado ambientalmente mais sustentável em comparação ao alumínio primário, extraído da mineração de bauxita.

Comparando com o ano de 2010, o crescimento é ainda mais impressionante, alcançando 2.152%. No entanto, esse cenário tem gerado preocupações no setor de reciclagem local, que enfrenta dificuldades para atender à demanda interna. Para alguns especialistas, a geração doméstica de resíduos de alumínio, como latinhas, não é suficiente para suprir as necessidades do mercado, o que levou a um aumento de 29% nas importações, totalizando 181,3 mil toneladas em 2025.

A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) levanta questões sobre o equilíbrio entre a importação e exportação de sucata no Brasil. Janaina Donas, presidente-executiva da Abal, destacou que o mercado interno está enfrentando um desequilíbrio, com exportações em alta e dificuldades para importar o material necessário. “Esse balanço parou de existir, porque você tem cada vez mais dificuldade de importar e cada vez mais exportações acontecendo”, afirmou Donas.

A crescente demanda por alumínio reciclado está ligada à necessidade global de reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Países ao redor do mundo estão investindo em processos de reciclagem e evitando a produção de alumínio primário, que é intensivo em energia. Um exemplo disso é a China, que desde 2017 limitou a produção de alumínio primário e incentivou a fabricação a partir de sucata.

Com a pressão do mercado externo, o Brasil se tornou um importante fornecedor para a China, que busca sucata de regiões com cadeias de reciclagem mais desenvolvidas. A presidente da Abal destacou que o Brasil está perdendo competitividade, pois países como o México e nações africanas também estão exportando sucata para a China.

A cotação média da tonelada de alumínio primário chegou a US$ 3.600 em abril, enquanto a tonelada de ligas secundárias foi cotada a US$ 3.075 no mesmo mês. Apesar do aumento nas exportações, a Abal observou um crescimento no processamento nacional de sucata, que atingiu 912,6 mil toneladas em 2024, representando um aumento de 106% em relação a 2010.

O presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), Clineu Alvarenga, afirmou que o Brasil tradicionalmente não exporta sucata, comercializando apenas o que não é adquirido pela indústria local. “Esse argumento de que vai faltar sucata não é válido. Não há hoje usina que tenha parado por falta de sucata”, declarou Alvarenga.

Enquanto isso, a Abal defende a implementação de taxas para restringir as exportações de sucata, buscando proteger a indústria local. “Mais de 17 países têm algum tipo de medida de controle de exportações de sucata, incluindo a União Europeia”, explicou Donas.

A Novelis, uma das principais produtoras de alumínio reciclado, também sente os efeitos da escassez de matéria-prima. Alfredo Veiga, vice-presidente de metal da empresa, destacou que a companhia perdeu participação de mercado na compra de latinhas de alumínio de 2024 a 2025, evidenciando uma queda clara nas aquisições de sucata. “A situação escalou a um ponto em que já começa a atingir o presente, com quedas claras de compra de sucata, mas o futuro pode ser tenebroso se nada for feito”, alertou Veiga.

Desta forma, a crescente exportação de sucata de alumínio representa um desafio significativo para a indústria de reciclagem no Brasil. A demanda externa pode criar um vácuo no suprimento interno, prejudicando a capacidade de atender o mercado local. A implementação de taxas de exportação poderia ser uma solução viável para equilibrar a oferta e a demanda de sucata no país.

Além disso, é fundamental que haja um diálogo contínuo entre o governo e as entidades do setor para encontrar um caminho que beneficie tanto a economia local quanto a sustentabilidade ambiental. O aumento na capacidade de processamento de sucata é um passo positivo, mas é necessário garantir que esse crescimento seja suficiente para atender às necessidades do mercado.

As preocupações levantadas pela Abal e outros representantes do setor não podem ser ignoradas. O futuro da reciclagem de alumínio no Brasil depende de uma estratégia que integre as exigências do mercado global com as condições locais. Assim, soluções que favoreçam a indústria nacional são imperativas para evitar uma crise de fornecimento.

Finalmente, à medida que a demanda por alumínio reciclado continua a crescer, é essencial que o Brasil se posicione como um player estratégico nesse mercado. O equilíbrio entre exportações e a manutenção de um mercado interno saudável deve ser uma prioridade para assegurar a sustentabilidade da indústria de reciclagem no país.

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Arthur Jamil Penna

Sobre Arthur Jamil Penna

Economista comportamental mestre em Hábitos de Consumo. Atua auxiliando famílias no planejamento financeiro estratégico. Paixão pela psicologia econômica. Pratica aeromodelismo clássico no tempo livre aos fins de semana.