Diretor do Instagram defende uso da plataforma em depoimento judicial
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Arthur Jamil Penna Por Arthur Jamil Penna - Há 2 meses
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Adam Mosseri, diretor do Instagram, compareceu a um tribunal na Califórnia para se defender das acusações de que a rede social causou danos à saúde mental de menores. Ele argumentou que o que é considerado uso excessivo de redes sociais pode variar de pessoa para pessoa. Essa declaração ocorreu durante um processo judicial que tem como objetivo responsabilizar empresas de tecnologia pelos impactos que suas plataformas podem ter sobre os jovens.

A audiência, que começou esta semana, marca um momento importante, pois Mosseri é o primeiro executivo de alto escalão a depor nesse caso, que deve durar cerca de seis semanas. Os advogados da Meta, empresa mãe do Instagram, afirmaram que a principal demandante do processo, identificada pelas iniciais K.G.M., sofreu consequências negativas devido a fatores em sua vida pessoal, e não pela utilização da plataforma.

No mesmo processo, o YouTube também é mencionado, enquanto plataformas como Snapchat e TikTok já chegaram a acordos antes do início do julgamento. Ao longo do seu depoimento, Mosseri concordou com o argumento do advogado de K.G.M., Mark Lanier, de que o Instagram deve fazer o possível para proteger seus usuários, especialmente os mais jovens. No entanto, ele ressaltou que não é viável definir um limite claro para o uso excessivo da plataforma.

“Se uma pessoa usa o Instagram mais do que outra e se sente bem com isso, isso é uma questão pessoal”, afirmou Mosseri. Ele também enfatizou a importância de distinguir entre vício clínico e uso problemático, citando a própria experiência com programas de streaming, como o Netflix, onde muitas vezes se considera que a maratona de uma série pode ser um tipo de 'vício', mas que não se compara a uma dependência clínica.

Durante o depoimento, Mosseri foi questionado sobre uma troca de e-mails entre executivos da Meta, datada de 2019, que discutia os possíveis impactos negativos que uma funcionalidade de edição de fotos poderia ter sobre os usuários. Nick Clegg, ex-chefe de assuntos globais da Meta, manifestou preocupação de que a empresa poderia ser responsabilizada por priorizar o crescimento em detrimento da responsabilidade social, o que poderia afetar negativamente sua reputação.

Embora Mosseri tenha afirmado que a empresa decidiu banir filtros que distorcessem a aparência física, ele admitiu que essa proibição foi 'modificada' ao longo do tempo, embora negasse que tivesse sido completamente revogada. O caso em questão é um dos milhares que estão sendo processados contra empresas de mídias sociais nos Estados Unidos, envolvendo famílias, promotores estaduais e distritos escolares.

Na entrada do tribunal, Mosseri foi recebido por uma multidão de pessoas, incluindo protestantes e pais que, embora não estivessem diretamente envolvidos na ação judicial, relataram que seus filhos sofreram com o que acreditam ser uma dependência de redes sociais. Mariano Janin, de Londres, é um desses pais, que viajou até Los Angeles para apoiar a ideia de que o uso das redes sociais deve ser restringido para jovens. Ele levou uma foto da filha Mia, que cometeu suicídio em 2021, aos 14 anos, e declarou que as plataformas deveriam modificar seus modelos de negócio para proteger as crianças, afirmando que a tecnologia e os recursos estão disponíveis para isso.

Além de Mosseri, outros executivos de destaque, como Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e Neal Mohan, CEO do YouTube, também são esperados para depor no decorrer do julgamento. O processo destaca a crescente pressão sobre as empresas de tecnologia para que assumam a responsabilidade pelos efeitos de suas plataformas na saúde mental dos usuários, especialmente os mais jovens.

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Arthur Jamil Penna

Sobre Arthur Jamil Penna

Economista comportamental mestre em Hábitos de Consumo. Atua auxiliando famílias no planejamento financeiro estratégico. Paixão pela psicologia econômica. Pratica aeromodelismo clássico no tempo livre aos fins de semana.