Feminicídios no Brasil atingem recorde no primeiro trimestre de 2026
05 MAI

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Cotidiano
Helena Vieira Martins Por Helena Vieira Martins - Há 20 dias
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No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou um total alarmante de 399 feminicídios, o maior número já registrado na série histórica. Isso significa que, em média, uma mulher foi assassinada a cada 5 horas e 25 minutos no país. Os dados, divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostram um aumento de 7,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 371 casos.

Esse crescimento é um indicador preocupante, especialmente quando se observa que nos últimos dez anos o número de feminicídios nos primeiros meses do ano mais que triplicou, passando de 125 em 2015 para os atuais 399. Em 2022 e 2024, os números também foram alarmantes, com 372 e 384 vítimas, respectivamente.

Os estados que lideram a lista de feminicídios são São Paulo, com 86 casos, seguido de Minas Gerais (42), Paraná (33) e Bahia (25). O mês de janeiro foi o mais violento, com 142 mortes, seguido por março, com 134, e fevereiro, com 123.

Além disso, o Brasil também registrou um recorde total de feminicídios em 2025, com 1.470 ocorrências, superando o número de 1.464 em 2024. Esses dados são compilados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que reúne informações de diferentes estados e órgãos de segurança.

A advogada Daniele Akamine, especialista em políticas públicas e ex-coordenadora de Políticas para Mulheres na cidade de São Paulo, afirma que esses números refletem falhas significativas na atuação do Estado. Ela destaca que a maior lacuna está na prevenção secundária, que consiste em intervir quando a violência já começou, mas antes do feminicídio. A especialista também menciona problemas na prevenção primária, como a falta de campanhas contínuas de conscientização sobre igualdade de gênero e a necessidade de políticas que proporcionem autonomia econômica e moradia para mulheres.

Akamine ressalta que as mulheres frequentemente denunciam abusos e violência, mas não recebem a proteção adequada do Estado. "Mulheres passam anos registrando boletins de ocorrência, e o Estado não consegue reorganizar seus recursos para priorizar a proteção dessas vítimas," afirma. Ela critica a ideia de que aumentar penas é suficiente para reduzir a criminalidade, enfatizando que o feminicídio é um crime que se anuncia ao longo do tempo e que é necessário atuar antes que o pior aconteça.

Os dados também revelam que menos de 10% dos municípios brasileiros possuem Delegacias de Defesa da Mulher, o que indica uma concentração de serviços em grandes centros urbanos. A falta de articulação entre as políticas públicas, aliada à ausência de um orçamento estável e à capacitação contínua dos profissionais envolvidos, agrava ainda mais a situação. A especialista conclui que apenas ter leis não é suficiente se as estruturas de apoio não conseguem transformar denúncias em proteção efetiva.

Desta forma, os números crescentes de feminicídios no Brasil não devem ser vistos apenas como uma estatística trágica, mas como um sinal de alerta para a sociedade e o governo. A evidência de que o Estado falha em proteger suas cidadãs é inegável e exige uma resposta robusta e imediata.

É fundamental que haja uma revisão das políticas públicas voltadas para a proteção das mulheres, com ênfase na prevenção de violências e na criação de redes de apoio efetivas. O investimento em campanhas de conscientização e a capacitação de profissionais são essenciais para garantir que as denúncias sejam tratadas com a seriedade necessária.

Além disso, a ampliação do acesso a serviços de proteção e apoio psicológico deve estar na agenda prioritária dos governantes. O Brasil não pode continuar a ignorar as vozes das mulheres que clamam por segurança e dignidade.

Por fim, a sociedade precisa se mobilizar para exigir ações concretas que visem à erradicação do feminicídio e à promoção de uma cultura de respeito e igualdade entre os gêneros. Somente assim será possível transformar a realidade alarmante que se apresenta.

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Helena Vieira Martins

Sobre Helena Vieira Martins

Graduanda em Sociologia, analisa os fenômenos do cotidiano das grandes metrópoles brasileiras. Paixão por fotografia de rua e cinema clássico europeu. Adora fazer trekking e trilhas longas em parques nacionais.